Mesmo que as estrelas do Jogo Contra a Pobreza sejam os capitães Ronaldo Nazário e Zinédine Zidane, os coadjuvantes da partida da próxima quarta-feira, às 21h, têm luz própria para também brilharem na Arena do Grêmio, em Porto Alegre.
O francês Christian Karembeu, por exemplo, foi um dos algozes da Seleção Brasileirana malfadada final da Copa de 1998. Apesar disso, é um entusiasmado pelo Brasil, que visita com frequência. Já o italiano Pierluigi Collina, que vem pela primeira vez ao país,nunca deu um chute, mas seu talento com o apito e sua figura singular o tornaram um personagem tão popular dos gramados quanto os maiores craques. Confira as entrevistas exclusivas concedidas pelos dois a Zero Hora.
Christian Karembeu, ex-jogador francês:
“O futebol brasileiro faz sonhar”
Fora dos gramados, o francês Christian Karembeu continua tão ativo como nos tempos de jogador. Nessa entrevista, o campeão mundial de 1998 fala da sua admiração pelo futebol brasileiro, que ele ajudou a derrotar na final da Copa da França.
Zero Hora – Você jogou a final da Copa do Mundo de 1998 contra o Brasil. Imaginou que a França venceria com tanta facilidade?
Christian Karembeu – A final daquela Copa estará sempre entre minhas melhores recordações. Imagine: a França chegou à final pela primeira vez e jogamos com a maior nação futebolística do mundo, em casa. O Brasil era o favorito, com muitos jogadores brilhantes e um ataque ameaçador com Ronaldo e Bebeto. Ninguém esperava vencer, ainda mais por três gols de diferença! Contudo, nós, como time, acreditávamos que era possível. Tínhamos muita confiança e todos sabiam o que fazer.
ZH – Você jogou pelo Real Madrid o Mundial da Clubes disputado no Brasil em 2000. Retornou ao país depois disso?
Karembeu – Várias vezes. Estive no Jogos da Paz, no Rio, em 2010, participei da Soccerex, no Rio, em 2011. Também estive em São Paulo para entrevistar o grande Sócrates para um documentário da TV francesa. Semanas depois, veio a terrível notícia de sua morte, e me senti privilegiado por ter encontrar alguém que eu venerava como jogador, mas que também era um ser humano maravilhoso. Essa é minha melhor lembrança do Brasil.
ZH – Quando você pensa sobre o futebol brasileiro o que vem a sua mente?
Karembeu – Desde criança, o futebol brasileiro sempre me fez sonhar. Só de pensar em lendas como Garrincha, Pelé, Carlos Alberto Torres, Zico, Júnior, Sócrates, Careca, Bebeto, Romário, Rivaldo, Cafu, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká, e agora a nova geração com Ganso, Lucas e Neymar. O Brasil tem essa qualidade única de produzir quase incessantemente jogadores de classe mundial.
ZH – Qual é a importância de realizar o Jogo Contra a Pobreza fora da Europa?
Karembeu – Acredito que o Brasil será um grande anfitrião para esse evento, que é uma vitrine para a luta contra a pobreza e os desafios que precisam ser enfrentados. O Brasil vem tendo um forte crescimento econômico, mas milhões de brasileiros ainda vivem na pobreza.
Pierluigi Collina, ex-árbitro italiano
“Estou muito entusiasmado”
O italiano Pierluigi Collina tornou-se conhecido pela inconfundível careca e pelo talento que o tornou o melhor árbitro do mundo. Nesse entrevista, ele admite que seu maior momento foi a final da Copa que deu o penta ao Brasil.
Zero Hora – Você já esteve no Brasil antes?
Pierluigi Collina – Nunca estive no Brasil, portanto estou muito entusiasmado com a oportunidade, embora minha estada em Porto Alegre vá ser muito rápida. Sem nenhuma dúvida, vou apreciar o tempo em que estarei aí. Aqui na Itália é inverno e já tivemos muita neve.
ZH – Qual é a importância de um evento de caridade como o Jogo Contra a Pobreza?
Collina – Sempre considerei muito importante que as pessoas envolvidas com o futebol dessem sua contribuição em eventos de caridade. É muito fácil eles lotarem um estádio e levantarem dinheiro. Tenho certeza de que no dia 19 de dezembro o estádio estará lotado.
ZH – A final da Copa de 2002, entre Brasil e Alemanha, foi o jogo mais importante da sua carreira?
Collina – Tive o privilégio de dirigir finais como a da Olimpíada de 1996 e da Liga dos Campeões da Uefa, em 1999. Contudo, sem dúvida a final da Copa, em Yokohama, pode ser considerada o topo de minha carreira.
ZH – Que evolução o senhor percebeu na arbitragem mundial nos últimos anos?
Collina – Conhecer as regras do jogo e ter uma ótima forma física já não é suficiente para dirigir um jogo no futebol moderno. Hoje, os árbitros precisam saber tudo sobre o jogo que irão dirigir. Conhecer as táticas utilizadas e as características dos jogadores. Com essas informações, podem evitar situações inesperadas.
ZH – O que o senhor acha do uso da tecnologia para esclarecer lances duvidosos?
Collina – Estou convencido de que a ajuda que esses recursos podem oferecer será muito importante. Na Uefa, apostamos numa experiência muito positiva, usando dois árbitros extras, posicionados atrás de cada goleira, para ajudar em lances nas áreas de pênalti. Diversas decisões importantes são tomadas em cada jogo. O apoio de árbitros extras será valioso.













