Em entrevista ao programa Esporte Espetacular, da TV Globo, Dunga questionou o fato de jornalistas o acusarem de não deixar uma possibilidade de renovação para o Mundial de 2014.
— Entressafra? Quer dizer que comigo não tinha nenhum craque? O legado que eu fiz foi pegar jogadores que tinham atuado em 2006. Se o atual treinador acha que tem de pegar novos jogadores, o problema é dele — disse, aproveitando para afirmar que seu único erro foi ter assumido responsabilidades que não eram de sua alçada:
— Durante quatro anos, o presidente da CBF (Ricardo Teixeira, na época) não respondeu por nada. Não teve nenhuma questão de treino fechado, estava tudo organizado para os jornalistas acompanharem os treinamentos, mas ninguém dizia.
Dunga, que contou que quer seguir trabalhando como técnico e já recebeu propostas de clubes do Brasil e de seleções sul-americanas, aproveitou para explicar o porquê do seu trabalho ter sido mais rígido do que o feito por Carlos Alberto Parreira na Copa do Mundo de 2006.
— Eu participei como comentarista de alguns treinos da Seleção naquele período, e aí todos diziam que o time não treinava, ficava só fazendo roda de bobinho, e fazia brincadeirinha. Eu quis mudar isto — declarou.
Sensação do Campeonato Paulista de 2010, o santista Neymar ficou de fora da convocação para a Copa do Mundo, o que gerou muita reclamação da torcida. O ex-treinador justificou a ausência do craque na convocação final.
— O Neymar terminou o Campeonato Brasileiro, em dezembro, na reserva. Em janeiro, nós tínhamos as férias, e em março a gente teve a realização do último amistoso. Ele não tinha a menor experiência para ser convocado — ressaltou.
Ao falar sobre a eliminação nas quartas de final da Copa do Mundo, com derrota por 2 a 1 para a Holanda, Dunga fez duras críticas ao árbitro da partida, Yuichi Nishimura:
— Atualmente, temos esta discussão sobre arbitragem ser ajudada por televisão. Logo em seguida ao nosso primeiro gol, o bandeirinha anulou outro nosso porque viu o replay na televisão. Ele deu condição de jogo para o Daniel Alves e o Robinho seguiu a jogada até fazer o gol. O juiz parou muito o jogo, e partida de Copa é jogada. Não pode um juiz japonês apitar um jogo como esse, que tem muita pressão. O Michel (Bastos) recebeu um amarelo em lance que nem falta foi, enquanto o Van Bommel fez 300 faltas e nada. E se as coisas complicam quando você toma um gol em Copa do Mundo, tomar dois em seguida, fica difícil.
Apesar dos problemas enfrentados, o ex-comandante confessou que não se sente injustiçado:
— De maneira nenhuma. Fiz o que fiz, e não me arrependo. Agradeço aos que acreditaram e aos que não acreditaram, e declaro que não tenho mágoa com nenhum jornalista — brincou o técnico, que selou a paz com o jornalista Alex Escobar, da Rede Globo, após os dois terem se desentendido durante a Copa do Mundo.








