Escorado no portão que separa o pátio em obras do campo suplementar C do Beira-Rio, o ex-goleiro do Inter e da Seleção Brasileira Cláudio André Taffarel recebe a todos — torcedores, repórteres, dirigentes e amigos — com a mesma simplicidade com que costumava espalmar chutes certeiros para escanteio. Observa, em meio às conversas e pedidos de autógrafos, o coletivo entre os juniores e os reservas do time principal colorado.
Revelado pelo clube gaúcho, ele curte férias em Porto Alegre. Tetracampeão pelo Brasil em 1994, conquistou mais um título em 2012: o de campeão turco, como preparador de goleiros do Galatasaray. Em Istambul, é chefe de Muslera, titular da seleção uruguaia e que representará o país vizinho nos Jogos de Londres. Mesmo atrelado às tarefas diárias, tira tempo para acompanhar o Inter.
— Hoje, com a internet, tudo é possível. Acompanho sempre. Aqui, estou de férias. Vim ver de perto o trabalho do Marquinhos — diz, referindo-se ao amigo e preparador de goleiros colorado. — Sempre vai ter adversários que vão complicar. Todo mundo espera que o Inter atropele, mas não é bem assim — frisa, a respeito da derrota de sábado para o Botafogo.
Leia mais:
Irritado, Fernandão rebate Sandro Silva: "É hora de falar mais e agir menos"
Guiñazu justifica derrota em casa para o Botafogo: "Somos seres humanos"
Titulares do Inter treinam toques rápidos e reservas fazem coletivo contra juniores
Em seguida, enaltece a temporada que resultou no título turco e também o goleiro treinado por ele:
— Foi um ano muito bom. E o Muslera foi muito bem. Ele vai para Londres — vibra, pouco antes de interromper a conversa para dar um abraço em Clemer, outro que está na galeria dos maiores goleiros do clube.
Questionado sobre a evolução de Muriel, olha com seriedade para o campo e exibe a reação de um típico "não há o que comentar".
— Isso que estão fazendo com ele é importante. Estão dando confiança e ele cresceu muito. Tem jogado cada vez melhor. Ele tem capacidade. Com calma, pode ir longe.
Taffarel lembra que quando foi chamado para a Seleção principal pela primeira vez, para o Pan-Americano de Indianápolis, nos Estados Unidos, em 1987, era o terceiro goleiro. À frente, estavam Zé Carlos, do Flamengo, e Régis, do Vasco. Mas, devido a um desentendimento de dirigentes do clube carioca com a CBF, viajou sozinho, inscrito com a camisa 22.
— Depois, foi chamado o Pereira, do Atlético-MG — recorda. — Acho que o goleiro tem que estar bem, sem forçar a convocação. A chance do Muriel pode aparecer, sim. Ele tem idade para ser comparado ao Rafael, do Santos, mas acho que o Mano ainda não deifniu isso. A posição está em aberto — opina.
Antes de deixar o clube, comentou que os meio-campistas Marcos Assunção, do Palmeiras, e Juninho Pernambucano, do Vasco, são os jogadores que mais podem complicar a vida dos goleiros na bola parada, no Brasil.
— Eles têm uma forma impressionante de bater. Não dá para tomar gol no canto em que o goleiro está, mas o Juninho bateu forte, reto, é difícil — fala, lembrando o gol sofrido por Bruno, do Palmeiras, no empate em 1 a 1 com o Vasco, pelo Brasileirão. — O mais importante é saber onde houve o tropeço — complementa.









