Da imprensa ao primeiro técnico11/01/2012 | 08h10

Uruguaios encaram com surpresa histórico de lesões do zagueiro Sorondo

Presidente do Defensor ressalta que jogador é referência e uma das grandes figuras do clube

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Uruguaios encaram com surpresa histórico de lesões do zagueiro Sorondo Adriano de Carvalho/AgênciaRBS
Sorondo chega para apresentação no Olímpico dia 4 de janeiro: esperança renovada Foto: Adriano de Carvalho / AgênciaRBS

A frase é direta e melancólica: — Rompi o enxerto do ligamento cruzado que me fizeram em março. Estou bastante mal. Tinha uma expectativa muito grande.

Aos 32 anos, Gonzalo Sorondo proferiu a sentença em uma entrevista ao jornal uruguaio El Observador nesta terça-feira. Ele passará por sua quarta cirurgia. A mais recente delas ocorreu em março de 2011, ao romper os ligamentos do joelho direito e fraturar também a clavícula quando defendia o Inter diante do São José, no Estádio Passo D'Areia, em Porto Alegre.

Domingo, em seu terceiro dia de treino com a camiseta do Grêmio, o velho filme veio à tona: o zagueiro rompeu o enxerto que havia sido colocado em seu joelho na última cirurgia e será novamente operado, tendo que sofrer outra recuperação que poderá durar até seis meses.


Sorondo quebra o silêncio: "Estou bastante mal"

Para o presidente do Defensor Sporting Club, Dante Prato, Gonzalo Sorondo é uma referência e uma das grandes figuras que foram reveladas e que passaram pelo clube, onde atuou como profissional entre 1998 e 2001 — na base, entre 1993 e 1997.

— Ele começou muito jovem e nunca teve problemas com lesões tão sérias nos tempos de Defensor. Por isso, surpreende. A lesão anterior já havia sido ruim. Infelizmente, ele parece estar sendo perseguido por elas (lesões). Muitos jogadores não conseguem se recuperar e acabam sofrendo com as lesões nos joelhos. É com muita tristeza que digo isso porque ele é um excelente atleta — lamenta.

Prato diz, inclusive, que o Defensor estaria disposto a abrir as portas para ele encerrar sua carreira no clube.

— Reconhecemos ele com muitíssimo carinho. Gostaríamos de contar com ele, um dia, quem sabe, mas não sabemos o que vai acontecer. Da nossa parte, só podemos desejar sorte e força para a recuperação — emenda.

"Ele era destaque", diz o primeiro treinador
Primeiro técnico profissional de Sorondo, em 1998, e coordenador das categorias de base do Defensor, o também uruguaio Juan Ahuntchain conhece o zagueiro há mais de duas décadas. E recorda que ele sempre teve boas condições de jogo. As lesões começaram a aparecer nos últimos três anos, justamente quando veio para o Inter — clube pelo qual conquistou a Copa Sul-Americana de 2008 e a Libertadores da América de 2010.

— Pelo que lembro, ele era um jogador normal, que sempre tinha condição normal de jogo. Ultimamente, tem sofrido todo tipo de lesão — diz Ahuntchain, lembrando que Sorondo começou no Defensor quando tinha 12 anos. — Ele sempre teve um bom físico e era um garoto que não era lento, mas sim rápido. Era um destaque e um rapaz tranquilo. Nunca teve lesões graves. Aqui (no Uruguai), não aconteceu — relembra o treinador.


No Inter, o jogador recupera-se ao lado do então companheiro
de time Zé Roberto, em setembro de 2011

"Desde que saiu do Uruguai, não teve continuidade", atesta jornalista
O jornalista Gustavo Martin, do periódico El Observador, conta que Sorondo viveu um bom momento após sua estreia profissional no Defensor. No início dos anos 2000, o Peñarol demonstrou interesse no zagueiro, que acabou indo diretamente para o futebol europeu.

Na Inter de Milão, a quantidade de outros bons jogadores é um dos motivos que podem ter fechado as portas para o sucesso absoluto, aponta.

Mesmo assim, Sorondo seguiu na seleção uruguaia. Ele participou de toda a campanha das Eliminatórias da Copa de 2002 — quando jogou o torneio no Japão e na Coreia do Sul — e de 2006, quando o Uruguai não obteve vaga.


Zagueiro sente o joelho em treino com o Grêmio, na Serra, domingo

— Ele cresceu no Defensor. Evoluiu. Voltou da Europa em 2007 e jogou com frequência pelo mesmo Defensor. Ele nunca teve tantas lesões sérias em sequência. Parece uma maldição — fala o jornalista, um tanto quanto constrangido por talvez não saber como conceituar as situações vividas pelo conterrâneo.

Martin recorda que Sorondo também participou das seleções de base do Uruguai. Com porte e condições físicas avantajadas, ele jogou ao lado do atacante Forlán — ainda na seleção vizinha — o Mundial Sub-20 da Nigéria de 1999, edição em que os uruguaios terminaram na quarta colocação.

Com quase 14 anos de carreira e mesmo com mais uma cirurgia e uma longa recuperação pela frente, Sorondo se mostra forte e perseverante. Afirma que ainda voltará a jogar.


Confira o histórico de lesões de Sorondo desde que chegou a Porto Alegre:

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