26/10/2009 | 03h58

David Coimbra: Mário Sérgio faz reluzir o seu talento de estrategista

Com a vitória no Gre-Nal, o Inter conquistou três pontos que o deixam a dois da liderança do Campeonato

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David Coimbra: Mário Sérgio faz reluzir o seu talento de estrategista  Diego Vara/
Grêmio, de Souza (E), teve poucas chances contra o Inter de Sandro (D), que marcou no começo e segurou o placar Foto: Diego Vara

Encerrado o Gre-Nal vencido pelo Inter por 1 a 0, ontem à tarde, o meia D’Alessandro correu pela pista atlética do Beira-Rio, ergueu o técnico Mário Sérgio nos braços e pespegou-lhe um terno beijo no alto da testa. Era o reconhecimento do autor do único gol do jogo ao maior responsável pelo resultado. Numa partida insossa a ponto de ser enfadonha para quem não é torcedor da Dupla, Mário Sérgio fez reluzir o seu talento de estrategista e conquistou os três pontos que deixam seu time a dois pontos da liderança do Campeonato.

Verdade que foi beneficiado por um lance quase fortuito: aos dois minutos e meio, D’Alessandro dominou a bola na intermediária, a cerca de 30 metros de distância do gol, e chutou de perna esquerda. A bola voou à meia-altura, sem muita força, quicou no gramado a dois metros do goleiro Victor, que saltou atrasado. A bola roçou na luva do goleiro e, anêmica, desmaiou no canto da rede. Foi talvez a primeira falha de Victor em seus dois anos de Grêmio. E uma falha decisiva. Uma falha em Gre-Nal.

O árbitro poderia ter apitado o final da partida depois desse lance, porque nada mais aconteceu. Mas o fundamental, no caso, é saber por que nada mais aconteceu. Ou, antes, quem fez com que nada mais acontecesse.

Foi Mário Sérgio.

Conhecedor das deficiências do adversário, o treinador do Inter soube como manietá-lo. Tarefa para a qual, há que se ressaltar, contou com a preciosa colaboração do treinador do outro lado, Paulo Autuori. O ataque titular do Grêmio estava impedido de jogar por lesão e suspensão. Autuori escalou apenas um atacante, Perea. O que permitiu a Mário Sérgio sacar um zagueiro para acrescentar um jogador ao meio-campo. E, no meio-campo, o Grêmio foi próximo do trágico. Autuori incrustou no setor três volantes de futebol... rude. Um pouco mais perto da defesa, Túlio e Adilson, marcadores razoáveis que ficavam constrangidos quando recuperavam a bola. Na frente deles, o pior jogador do clássico: Fábio Rochemback.

A atuação de Rochemback merece um parágrafo exclusivo. Chegou ao Olímpico como grande reforço em meio ao campeonato, não conseguiu jogar bem uma única vez, e ontem foi nada menos do que bisonho. Rochemback passou o jogo recebendo a bola na intermediária e alçando-a para a área do Inter, com um dos seguintes resultados: na mão do goleiro, na cabeça do zagueiro ou para fora. Não conseguiu marcar, não conseguiu passar, não conseguiu chutar, não conseguiu driblar. E ainda assim foi mantido em campo o tempo inteiro!

Em vez de tirar Rochemback, Autuori, por algum motivo, subtraiu do time o melhor jogador do primeiro tempo: Douglas Costa. Em seu lugar colocou o pior jogador do segundo tempo: Herrera. Douglas Costa era o único jogador do Grêmio que tentava a vitória pessoal sobre os adversários. E tinha sucesso em cada tentativa. Herrera entrou para furar em bola, cair sozinho, errar passes e discutir com Souza. Discutiu muito bem com o Souza.

Enquanto isso, Mário Sérgio via o que estava ocorrendo em campo, e agia. O Inter, quase todo, postou-se em frente à meia-lua e deixou o Grêmio ficar com a bola. Por um motivo singelo: o Grêmio não sabia o que fazer com ela. E o jogo foi assim: os jogadores do Grêmio, com a bola nos pés, trocavam passes da intermediária de defesa até a intermediária de ataque. Bola para a esquerda, bola para o meio, bola para a direita. Depois: bola para o meio, bola para a esquerda, bola para o meio de novo, bola para a direita. E finalmente: bola outra vez para o meio, bola para a esquerda, bola virada para a direita. Se o jogo avançasse madrugada adentro, terminaria 1 a 0 para o Inter.

No primeiro tempo não houve uma só chance clara de gol. Nem mesmo o gol. No segundo, o Grêmio voltou um pouco mais agressivo, parecendo até inconformado. Aos 30 segundos, Lúcio foi ao fundo pela esquerda e cruzou para Souza, que bateu sobre o travessão. Aos 11, Souza cabeceou na pequena área, por cima. Aos 21, Souza entrou a drible na área e passou para trás, para Herrera, que encostou na bola de tornozelo e pariu algo entre um passe e um chute, um troço torto e fraco, sem direção.

O Inter, de campana, aguardava o contragolpe. Aos 22, Índio chutou na rede, pelo lado de fora. Aos 26, Bolívar empurrou Réver dentro da área, o árbitro não marcou pênalti e o Inter respondeu num contra-ataque em que Alecsandro se confundiu com a bola e, sozinho na área, permitiu a defesa de Victor.

E foi só.

Foi um Gre-Nal mais tático do que técnico, em que os destaques em campo, curiosamente, estavam no lado perdedor: Mário Fernandes e Réver. Um Gre-Nal que se decidiu na prancheta dos treinadores e no erro de um grande goleiro. Que extinguiu as possibilidades de o derrotado alcançar a classificação à Libertadores. Que deu a chance ao vencedor de seguir no Brasileirão com passo firme e, agora, talvez, seguro. No rumo do seu quarto título nacional.

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