Lado a lado02/03/2013 | 16h06

Saída pelas laterais: Fabrício e Gabriel são armas do Inter contra o Esportivo

Desde a chegada de Dunga, treinador cobra avanço dos jogadores para apoiarem no ataque

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Saída pelas laterais: Fabrício e Gabriel são armas do Inter contra o Esportivo Montagem sobre fotos Emílio Pedroso/
Dos 11 gols marcados no Gauchão pelo Inter, cinco tiveram participação dos laterais Foto: Montagem sobre fotos Emílio Pedroso

Fabrício deixa o vestiário do Inter para conversar com a reportagem na manhã de sexta-feira. Recém havia saído do coletivo promovido pelo técnico Dunga que confirmou a repetição da equipe que venceu o Gre-Nal para enfrentar o Esportivo neste domingo. Após uma conversa de cerca de 10 minutos, o lateral-esquerdo se levanta e volta para o reservado colorado no CT do Parque Gigante:

– Ainda tenho de fazer reforço. Senão não tem força para cruzar a bola para a área – diz o camisa 14, apontando para a região da virilha.

A preocupação do atleta resume a fase dos laterais do Inter e a necessidade de o grupo estar preparado para as exigências do - já não tão novo - treinador. Desde a chegada de Dunga e sua comissão técnica, há quase três meses, a equipe passou a explorar os lados do campo de forma enfática. Não há trabalho em que o técnico não peça para que Gabriel, pela direita, e Fabrício, pela esquerda, acompanhem os meias e reforcem o poderio ofensivo do Inter. Dunga, por sua vez, esquiva-se da responsabilidade pela boa fase dos comandados e resume:

– Não é o meu time. É o futebol brasileiro, com a importância dos laterais, do apoio qualificado, da marcação, da dinâmica do jogo. Laterais que apóiam e o meio com qualidade fica mais difícil de o time adversário marcar.

O voo das alas do Inter iniciou na pré-temporada em Bento Gonçalves e Gramado. Os trabalhos de força e velocidade promovidos pelo preparador físico Paulo Paixão privilegiaram a ascensão de Fabrício. Com relação a Gabriel, o respaldo veio do próprio Paixão. Como havia entrado em campo pelo Grêmio apenas 28 vezes em 2012, o departamento de futebol colorado perguntou ao ex-preparador do rival a respeito do fôlego do jogador. Contratado para substituir Nei e com apenas garotos para a posição, não haveria espaço para erros em relação ao novo camisa 2.

– Eu não vinha jogando, mas treinava, me empenhava. Quando cheguei aqui fui muito bem recebido. Isso motiva, anima o jogador – afirma Gabriel.

O time de Dunga não joga para Fabrício e Gabriel. Joga com Fabrício e Gabriel. Para isso, a função dos volantes no meio-campo distribuído pelo técnico é essencial. Para a dupla avançar ao mesmo tempo em direção à linha de fundo, um dos homens do meio guarda posição na intermediária defensiva, próximo à defesa. Esta função, antes com Willians e Fred, agora é desempenhada por Ygor e Josimar - uma vez que Willians teve uma lesão no joelho e Dunga teve de descaracterizar seu meio-campo original. Assim, os dois lados de campo servem de arma para as finalizações de Diego Forlán e Leandro Damião com cruzamentos da linha de fundo ou tabelas e troca de passes com D'Alessandro próximas à meia-lua.

– Acho que já fiz umas quatro assistências neste campeonato – enumera Fabrício.

E Fabrício está certo. Dos 13 gols marcados pelo Inter na Taça Piratini, o primeiro turno do Gauchão, cinco tiveram participação ativa dos laterais. Em três oportunidades, Fabrício deixou os companheiros em condição de gol a partir de cruzamentos pela esquerda. Do outro lado, Gabriel fez apenas um, bola bem alçada, na cabeça de Leandro Damião, na vitória por 2 a 0 sobre o Caxias no campo encharcado do Estádio Centenário. A diferença de números se explica: Gabriel chuta mais a gol. No ano passado, ainda pelo Grêmio, marcou duas vezes no Gauchão, contra Veranópolis e Canoas - foi o lateral que mais fez gols em uma edição de Brasileiro de pontos corridos (marcou 16 pelo Fluminense em 2005).

– A gente sabe que tem a responsabilidade de defender, mas é bom atacar. Meu pai sempre dizia: "Se quiser jogar na defesa, está deserdado". Tinha de ser atacante de um jeito ou de outro – brinca o camisa 2, filho do ex-lateral-esquerdo Wladimir, jogador que mais vezes vestiu a camisa do Corinthians.

Estatísticas:
- Dos 11 gols marcados pelo Inter na Taça Piratini, cinco tiveram participação ativa dos laterais
- Em três oportunidades, Fabrício deixou os companheiros em condição de gol
- Gabriel fez o cruzamento para o gol de cabeça de Leandro Damião contra o Caxias, na vitória por 2 a 0 no Estádio Centenário
- Diego Forlán foi servido duas vezes pelo lateral-esquerdo na goleada de 3 a 0 do Inter sobre o Pelotas
- No Gre-Nal em em Erechim, Fabrício recebeu passe de Josimar e, da esquerda, bateu cruzado. No rebote da defesa de Busatto, Damião marcou
- Leandro Damião marcou uma vez por cruzamento de Fabrício, rasteiro, da esquerda, no empate em 1 a 1 contra o Cruzeiro

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