Restam 21 meses para a eleição presidencial do Inter, mas, na prática, as articulações políticas para a sucessão de Giovanni Luigi já tiveram início.
Em uma semana de decisão para o clube, com a final da Taça Piratini neste domingo em Ijuí, contra o São Luiz, as manifestações do diretor de futebol Luís César Souto de Moura contra a aclamação do oposicionista Ibsen Pinheiro à presidência do Conselho Deliberativo, revelaram o permanente clima de disputa eleitoral no Beira-Rio e o temor de ver o caminho pra o retorno de Vitorio Piffero sendo pavimentado.
Em viagem aos Estados Unidos por 33 dias, Souto de Moura retornou a Porto Alegre na terça e foi surpreendido com a costura entre os movimentos políticos do clube para a ascensão de Ibsen ao Conselho (em aclamação, na assembleia de segunda-feira). O diretor de futebol pertence ao movimento Coração Colorado, um dos sete grupos que compõem a Arca, como é denominada a situação do clube. Ibsen (do União Colorada, uma das facções do Diretas Sempre, maior grupo de oposição) foi um dos principais apoiadores de Luiz Antonio Lopes e Vitorio Piffero na eleição contra Luigi, no ano passado.
Souto de Moura entende que o ex-deputado não tem condições para liderar o processo de modernização e da reforma estatutária que o clube exige. E cobrou explicações de Luigi:
– Ibsen está vinculado a um sistema de gestão mais tradicional, mais consolidado, voltado para a administração pública. Tudo que vai contra o que pensamos para o Inter. É uma visão diferente de mundo.
Em Brasília, onde participava de um debate sobre os royalties do pré-sal, Ibsen negou-se a discutir:
– Tenho 45 anos de Conselho. Não estou em campanha eleitoral. É candidatura única e não quero falar sobre isso.
A costura política no clube ficou definida na última sexta. Dos sete grupos que formam a Arca, dois foram contra Ibsen: o Coração Colorado e o DNA Colorado. Ainda assim, Luciano Davi, um dos articuladores da situação, foi à reunião com os movimentos de oposição, Diretas Sempre e Convergência Colorada.
– Somos contra Ibsen na presidência do Conselho. Fomos voto vencido – disse o presidente do Coração Colorado, Eduardo Hausen, também assessor de futebol do Inter. – Ibsen pode preparar terreno para o Vitorio (Piffero). Somos da Arca para a gestão, mas não precisamos concordar em tudo – acrescentou.
Na assembleia de segunda, os 19 conselheiros do Coração Colorado estarão liberados para votar como quiserem. Muitos não comparecerão para evitar o constrangimento de votar contra Ibsen.
Ainda que a união do clube tenha sido um mantra de Luigi durante a campanha eleitoral, Moura entende que qualquer ação política terá reflexo em campo. À tarde, sentados na casamata do CT Parque Gigante, em meio ao jogo-treino dos reservas contra o Cerâmica, ele e Luigi conversaram. Houve compreensão mútua e Moura seguirá no futebol, ao lado de Marcelo Medeiros.
– Entendi perfeitamente as razões para o acordo político. E ele entendeu as minhas. Não serei entrave para nada, nem serei obrigado a passar pelo constrangimento de aclamar Ibsen. Irei à assembleia, mas não assinarei a ata. Nem votarei – justificou o diretor de futebol.
Dona de pelo menos 180 cadeiras no Conselho (de um total de 343 conselheiros), a oposição venceria a eleição, em caso de disputa. Daí, a necessidade de Luigi partir para o consenso, mantendo o controle da gestão com a situação, o Conselho com a oposição, e dividindo o Conselho Fiscal entre os três grandes grupos, mas colocando na presidência Eduardo Knijnik, do Convergência Colorada.
– Conversei com Luís César e espero que ele tenha entendido as minhas razões. O clube tem muitos desafios: Copa, estádio, reforma estatutária e a busca pela pacificação. Todos estão preocupados com o futuro da instituição, acima de qualquer coisa – afirmou Giovanni Luigi.









