E a política volta a agitar o Beira-Rio. Após uma longa costura política, os principais movimentos políticos do clube, a Arca (que integra os situacionistas), o Diretas Sempre (os grupos que apoiaram Luís Antonio Lopes e Vitorio Piffero na recente eleição) e o Convergência Colorada, decidiram lançar chapa única à eleição do Conselho Deliberativo, com Ibsen Pinheiro à presidência. A homologação ocorrerá em assembleia, nesta segunda-feira. Pois tal costura desagradou ao diretor de futebol Luís César Souto de Moura.
Moura (do Coração Colorado/Arca), que retornou ontem dos EUA, onde passou 33 dias em um curso de capacitação em inglês para se habilitar a um doutorado, não sabia da negociação para a eleição de Ibsen e mostrou-se surpreendido com tal definição. Pediu explicações a Luigi e, ao que tudo indica, será voto vencido na reunião de segunda-feira.
— Não tenho nada pessoal contra Ibsen. Tenho divergências ideológicas com ele - disse Souto de Moura.
Ainda que o diretor de futebol não diga publicamente, teme que a influência da oposição no clube, a partir da ascensão de Ibsen ao Conselho, possa afetar o futebol.
— Tudo repercute no futebol. Não estou entendendo algumas questões políticas do Inter. O presidente (Luigi) me disse que tem as suas razões. Giovanni Luigi é um homem inteligente. Quero conhecer os seus motivos. Meu temor é o desconhecido. Não sei o que essas razões possam influenciar no futebol - emendou Souto de Moura.
O diretor de futebol foi além. Para explicar a sua restrição a Ibsen Pinheiro justificou que o ex-deputado não tem a característica para liderar a mudança estrutural que o clube necessita no momento.
— Ibsen está vinculado a um sistema de gestão mais tradicional, mais consolidado, voltado para a administração pública. Tudo que vai contra o que pensamos para o Inter.
— É uma visão diferente de mundo - afirmou Souto de Moura, que assegura permanecer no departamento de futebol enquanto Luigi o quiser lá.
Procurado por ZH, Ibsen Pinheiro, futuro presidente do CD colorado, negou-se a entrar no debate:
— Tenho 45 anos de Conselho no Inter. Não estou em campanha eleitoral. É candidatura única e não quero falar sobre isso (sobre a crítica de Souto de Moura).













