A cena se repete a cada bola na rede. Da entrada da área, da intermediária, próximo à marca do pênalti, de primeira, por cobertura. Diego Forlán amplia a estatística de gols com a camisa do Inter e parte em direção às câmeras de televisão com as mãos juntas, no formato de um “P”.
O gesto é uma homenagem à namorada, a estudante uruguaia de 23 anos Paz Cardoso. Mas tem sido a marca do momento vivido pelo camisa 7, 10 anos mais velho.
– A primeira vez foi quando jogamos contra o Vasco (dia 24 de outubro de 2012 pela 33ª rodada do Brasileirão). Fiz dois gols, mas errei a câmera da TV. Corri para atrás do gol e ninguém pegou. Depois, tive de esperar um pouco mais para fazer de novo – lembra Forlán.
O atacante uruguaio só voltou a marcar no Gre-Nal de Erechim, dia 3 de fevereiro. Para assegurar que a transmissão irá registrar o gesto, Forlán corre em direção à câmera do meio-campo. Como retribuição, recebe mensagens por celular. E o namoro à distância segue firme.
Artilheiro do Inter e do Gauchão e referência técnica do ataque de Dunga, Forlán chegou à Capital em julho de 2012. Desde então, o sentimento de afirmação da torcida e de dirigentes por ter no Beira-Rio o melhor jogador da Copa do Mundo de 2010 transformou-se em desconfiança com a irregularidade do atacante.
Sob o comando de Fernandão, foram apenas cinco gols em 19 partidas. Nesta temporada, o uruguaio tem a média de um gol por jogo – foram seis em seis partidas disputadas com a equipe principal.
A explicação do atacante para o momento é simples. No dia em que foi apresentado, deixou claro que atuava como segundo atacante. Não trazia características para atuar como centroavante e suprir a ausência de Damião – envolvido com a Olimpíada e as convocações para a Seleção. Chegara para ser parceiro do camisa 9. Não foi o que aconteceu. E o goleador da Europa em 2004/2005 e 2008/2009 chegou a ser escalado como centroavante.
– Eu vinha de lesão, com pouco condicionamento físico. Não estava definido onde iria jogar: se mais atrás, mais na frente, na direita, esquerda. Com o Dunga, passei a minha posição natural: atacante – resume Forlán.
Diego Forlán conversou com Zero Hora na quarta-feira pela manhã. Tinha o pai, o ex-jogador do São Paulo e da seleção uruguaia, Pablo Forlán, como visita ilustre. Vem dele a descrição que explica o filho na liderança da artilharia do Gauchão: Forlán é, e sempre foi, um goleador.
– A vida inteira, fui atacante e sempre tive condições de fazer muitos gols – resume Diego.
ZH – Qual a diferença do Inter deste ano para o do ano passado?
Forlán – A base do time ficou. E chegaram jogadores com muita vontade e temos outros com experiência, muita humildade, muita união.
ZH – Qual foi o papel do Dunga na tua ascensão?
Forlán – Não apenas o trabalho do Dunga, mas do (Paulo) Paixão, do Élio (Carravetta), de todos os preparadores. São grandes profissionais e grandes pessoas. Bons profissionais você tem muitos, sempre. Mas eles estão em um nível muito alto. Com boas pessoas ao redor, o trabalho é sempre melhor. Eles têm de conhecer o jogador, saber o que ele necessita, quando tem de jogar e quando descansar.
ZH – A posição que você está atuando é a que gosta de jogar?
Forlán – Quando fui para a Inter (de Milão) joguei na direita, na esquerda, como atacante. Quando vim para cá, o time não estava bem, eu vinha de lesão, com pouco condicionamento. Não estava definido onde eu jogaria. Com o Dunga, passei a minha posição natural: atacante. E estou jogando onde me sinto melhor. Mas também há momentos em que desço para buscar a bola, para ajudar o D’Ale. Voltei às raízes. É a função que gosto de fazer.
ZH – Com o rótulo de goleador.
Forlán – Meu pai sempre fala que sou um atacante que faz muitos gols. Nos grandes times, sempre há um jogador assim. Eu sou aquele que faz, mas não tantos quanto o atacante principal. O Damião faz muitos gols.
ZH – Damião tem se movimentado mais. E você vai para a área.
Forlán – Nos complementamos. Há momentos em que temos de sair da área. Às vezes, fico fora para fazer jogadas, cruzar, armar. Movimentação é fundamental para fugir da marcação.
ZH – Você postou no Twitter uma foto em que, em férias, aparecia malhando (Forlán interrompe).
Forlán – Sempre me cuidei. Gosto muito do que faço, gosto de treinar, da parte física, de correr, fazer academia. Não é porque estou de férias que não faço isso. Fazia por volta de duas horas de treino, dentro e fora da academia.
ZH – Na legenda da foto dizia que eram 6h...
Forlán – Sim. Começava às 6h, 6h30min. Sempre cedo. Eu gosto de acordar cedo. Prefiro fazer academia pela manhã. Ainda mais nas férias, quando todo mundo está descansando. Começo cedo, pois depois tenho o dia todo para fazer o que quiser. De tarde, fico na piscina, na praia. Posso dormir. Na Espanha, eu tinha academia em casa. Fazia o café da manhã e treinava. À tarde, fazia outro treino. Quando se está chegando ao fim da temporada, você tem de dar um condicionamento final. Não um trabalho forte, mas de condicionamento, apenas.
ZH – O que você tem feito em Porto Alegre?
Forlán – Sempre gostei de jogar golfe. Se não tem tantos jogos, aproveito para praticar. Senão, fico em casa, assisto à TV, vejo filmes, séries. Pego um livro para ler. Vou ao cinema. Às vezes, algum jantar. Não faço muitas coisas. Porto Alegre é muito bonita.













