Aos 31 anos e abrindo a sua sexta temporada no Inter, D'Alessandro é o homem de confiança de Dunga. Em Gramado, tem sido uma espécie de porta-voz do técnico junto ao grupo. Com as saídas de Bolívar e de Guiñazu, o camisa 10 tornou-se o principal líder dos jogadores. D'Alessandro admite que o time está em dívida com a torcida e pede um vestiário "blindado" em 2013. A seguir, os principais trechos de sua entrevista coletiva, realizada na tarde desta segunda-feira, na Serra.
Como é o estilo Dunga e a diferença dele para os outros treinadores?
D'Alessandro - O principal é que teremos tempo para trabalhar. É importante contar com a experiência dele, dentro e fora de campo. Temos que ouvir as suas experiências. Temos um preparador físico que é um dos melhores do Brasil. Temos que aproveitar tudo o que o clube está nos dando para que estejamos o mais próximo dos 100% quando começarmos a jogar.
Forlán chegou na metade do ano passado. Você passou por isso. Agora, com a pré-temporada, tudo pode ser diferente. Você já conversou com ele sobre isso? O que ele espera de 2013?
D'Alessandro - Forlán não tem que demonstrar nada. Conheço ele desde jogar contra, na Argentina. Ele se dedica 100% a tudo. Sabe que dará muito mais do que no ano passado. Sabe do esforço que fez para voltar a jogar na América do Sul. E o torcedor tem que saber que ele vai fazer o máximo para ajudar o grupo. E vai ajudar muito.
E o que o torcedor pode esperar do Inter em 2013?
D'Alessandro - O que sempre esperou. Estamos em um clube muito grande, que nos últimos anos ganhou muitos títulos. Não tem como não falar sobre o que ganhamos. Mas esse esforço e dedicação têm que continuar. Não faltou esforço no ano passado, mas vivemos coisas que nos atrapalharam dentro e fora do campo. Temos que focar em fazer o melhor dentro de campo. Estão chegando novos jogadores. Precisamos melhorar, pois no ano passado não conseguimos o que queríamos, apesar de um título. A história do Inter mostra muito mais que um Gauchão. No futebol de hoje, se você não estiver bem preparado fisicamente, pode ficar pelo caminho. Temos que nos preparar bem e é o que estamos fazendo.
Você tem brincado muito com os mais novos durante os treinos.
D'Alessandro - É porque a pré-temporada não é fácil. É a minha 13ª. E o nosso grupo é brincalhão. É muito bom. Nunca teve problema algum e vai continuar sendo bom. Infelizmentre, saiu gente que era líder: Guiñazu e Bolívar. Gente que ganhou muita coisa: Renan e Nei. Os mais velhos terão que continuar puxando o grupo e incentivando os novatos.
O Inter sempre foi forte no Beira-Rio. Neste ano, ficará toda a temporada fora de casa, jogando no Centenário.
D'Alessandro - É... não é a nossa casa. Vamos precisar muito do torcedor. Ele sempre apoiou, mas vamos precisar ainda mais dele. Que estejam conosco e que façam do campo do Caxias o nosso estádio. O torcedor vai puxar o time. E que seja duro para o adversário jogar em Caxias.
Com a reforma no grupo, você é um dos mais experientes e será o capitão do time. Como você encara isso?
D'Alessandro - Capitão, não sei. Vi as matérias, mas ninguém me passou nada. É um orgulho ser capitão de um clube do tamanho do Inter, mas não muda nada. É um prêmio ao esforço e à dedicação de cada um. Temos Juan, Kleber, Índio, Forlán. O Forlán vai ter que assumir a pecha de "gente velha" e puxar. Tem muita experiência e vai nos ajudar. Mas tem gente nova com cabeça boa também. Assumo a minha responsabilidade, sendo capitão ou não. Sempre motivando e puxando o pessoal. O principal é ter conversa entre nós. E cobrança, xingar um ou outro dentro de campo. Fora, acabou, mas tem que haver a cobrança. Coisas que um time campeão precisa.
O que mudou no grupo com a chegada do Dunga? E, com essas quatro semanas de pré-temporada?
D'Alessandro - Estou tratando essa pré-temporada como se fosse a minha primeira. Passei por coisas em 2012, como as lesões, que não foram normais para mim. Atrapalhou o meu trabalho. Mesmo não estando bem fisicamente e tendo jogadores com lesões e com dores, nos doamos, sobretudo no Gre-Nal (de despedida do Olímpico). O grupo tem isso dentro. Durante o ano passado, não tiramos isso de dentro. E temos que fazer isso neste ano. Teve coisas que deixamos de fazer e que não podemos deixar de fazer. Precisamos saber que estamos em um clube grande, todos têm que correr, marcar, têm que se ajudar. Se o time afunda, todos vão junto. O grupo demonstrou não ter nenhum problema. Foi algo muito falado. Mas o grupo ficou devendo no ano passado, sabemos disso, e agora estamos nos preparando para fazer o melhor.
Não ter a Libertadores te dá a chance de ganhar a Copa do Brasil. Em 2009, você foi vice-campeão.
D'Alessandro - Não jogar a Libertadores é uma pena. É a competição que te leva ao Mundial. Mas, por coisas que não fizemos no ano passado, teremos que jogar a Copa do Brasil. É importante. É boa de jogar. A Copa Sul-Americana (o Inter só jogará o torneio caso não avance na Copa do Brasil) virou ainda mais importante. Todos querem vencê-la agora.
Como é ter esse contato mais próximo com os torcedores, por causa da pré-temporada?
D'Alessandro - É bom ter o contato com o torcedor. Na folga, tivemos contato com os familiares. Não é fácil. Tem torcedor que fala "ah, com a grana que eles ganham...". Mas não tem grana que suplante ficar longe da minha família, dos meus filhos. Temos que superar isso para ter uma grande preparação para o ano.
Dunga, por seu perfil, pode impedir o que Fernandão chamou de "zona de conforto"? E você, pela liderança, pode ser um parceiro do Dunga para evitar acomodação?
D'Alessandro - Sempre fui parceiro dos treinadores. Me dedico, gosto de treinar. Não vou falar sobre o que aconteceu no ano passado. É passado. Passou. agora é pensar em 2013. O Dunga não quer nem saber o que aconteceu em 2012. O mais importante será trabalhar com ele, pegar a sua ideia de time, de grupo, começar a jogar.
O ideal é evitar essas polêmicas e fechar o vestiário?
D'Alessandro - Vocês querem que eu fale... O vestiário tem que ser nosso, tem que ser blindado. Me perdoem, mas nem vocês têm que saber o que acontece no vestiário. Um grupo campeão se faz com honestidade, olho no olho, não falando para fora. O grupo tem que ser blindado. A cobrança tem que ser feita lá dentro.
O Dunga prometeu um vestiáiro fechado e com conversas olho no olho?
D'Alessandro- Vocês já viram o caráter dele. Um caráter forte. É um cara que vai fazer isso. Não só ele, mas a diretoria tem essa ideia também. Não podemos repetir os erros do ano passado, dentro e fora do campo. Que tenha sido um aprendizado para evitar novos erros.
Quanto tempo demora para formar um time campeão?
D'Alessandro - Não tem tempo. Corinthians é um exemplo. O Inter também. Em 2008, cheguei a um grupo já formado, com jogadores de grande qualidade. Hoje, o grupo tem que se reestruturar. Saíram jogadores importantes. Não é fácil substituir um Guiñazu. Um cara que puxa o grupo. Suprir ele, suprir a liderança do Bolívar. Grupo a gente tem, mas tem que ter grupo dentro e fora do campo.
O atacante Caio disse ser seu fã. E lembrou que assistia aos seus gols pelo You Tube.
D'Alessandro - Ele mentiu (risos). É um orgulho saber que sou admirado pelo meu trabalho. Me dá mais forças para seguir trabalhando. É bom saber que posso ser um exemplo. Caio vai nos ajudar muito. Tem uma cabeça muito boa. O Vitor Júnior também.














