A cara do treinador26/01/2013 | 18h35

Dunga retorna à casamata neste domingo, contra o Caxias

Seu primeiro Inter poderá ser visto no emblemático jogo de Caxias do Sul, cidade que receberá o clube durante toda a temporada

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Dunga retorna à casamata neste domingo, contra o Caxias Mauro Vieira/Agencia RBS
Dunga volta após 30 meses da eliminação do Brasil na África do Sul Foto: Mauro Vieira / Agencia RBS

Trinta meses após a eliminação do Brasil para a Holanda, no Nelson Mandela Bay, em Port Elizabeth, na África do Sul, Dunga retornará à casamata. Será neste domingo, às 17h, no Estádio Centenário, contra o Caxias.

Depois da Seleção, Dunga volta a formar e a comandar uma equipe. E o seu primeiro Inter poderá ser visto no emblemático jogo de Caxias do Sul, cidade que receberá o clube durante toda a temporada, devido às obras do Beira-Rio.

Já para o começo da temporada, porém, três problemas: Ygor, Kleber e Juan. Lesionados, o volante e o lateral não terão condições de jogo paras as primeiras partidas do ano. Kleber, inclusive, passou por cirurgia para reconstruir os ligamentos do tornozelo esquerdo, e tem previsão de retorno para abril. O zagueiro, titular de Dunga na Copa da África, e uma espécie de comandante defensivo desse novo Inter, deverá ser preservado.

— O trabalho do Dunga tem sido excelente, estamos muito satisfeitos com tudo até aqui – elogiou o presidente Giovanni Luigi.

— É um trabalho de nível de Seleção – concluiu o dirigente colorado.

Durante a pré-temporada na Serra, o técnico participou de um jantar para torcedores e foi alvo de assédio dos fãs
Foto: Mauro Vieira/AgênciaRBS

O que veremos?

Ainda sem ter sido testado, o primeiro time de Dunga foi formado a partir do entrosamento de Dátolo com D’Alessandro mais Diego Forlán. Além da língua, os hispanohablantes têm experiência e se acertaram com facilidade, logo nos primeiros treinos. Dátolo ganhou liberdade para auxiliar na armação e também surgir pelo lado esquerdo, juntando-se ao lateral. Mais à frente, Forlán também se movimenta de um lado ao outro no ataque.

Na pré-temporada, ele apareceu bem na área, concluindo a gol ou dando assistências para Leandro Damião. D’Alessandro apresentará uma postura mais impositiva em campo. É a referência técnica do time, o capitão e uma espécie de Dunga de chuteiras. O camisa 10 vem cobrando a equipe como poucas vezes se viu desde a sua chegada ao clube, em 2008. Nas laterais, Gabriel e Fabrício surgem como os novos titulares. Hélder, porém, treinou muito bem em Bento Gonçalves e mostra-se um sério concorrente à camisa 2.

Willians surge como o anjo da guarda da zaga. Contratado junto à Udinese para suprir a ausência de Guiñazu, o volante é responsável por desarmar os adversários e recomeçar o jogo para o Inter. Vem atuando pelo lado esquerdo, em socorro à lateral e à zaga. Não costuma perder divididas e, até o momento, fez poucas faltas.

O parceiro de Willians deverá ser Fred. Revelação do Inter no ano passado, o mineiro de 19 anos chegou tarde à pré-temporada na Serra porque naufragou no Sul-Americano da Argentina com a seleção sub-20. Ao desembarcar em Bento Gonçalves, entrou no time no lugar de Josimar e deu nova movimentação ao setor. Com Fred, a saída de bola da defesa para o ataque ficou mais ágil.

O que vai melhorar?

Pelos treinos da pré-temporada, o ataque e as laterais são as funções da equipe que mais têm a crescer. Na frente, Damião ainda não conseguiu se soltar. Preso entre os zagueiros, teve dificuldades para concluir. Forlán voltou a apresentar uma jogada mortal: recebe em velocidade, invade a área e bate a gol. Dificilmente erra. A dupla, porém, ainda busca um melhor entrosamento.

Dunga entende que o time precisará de oito jogos para entrar outra vez em ritmo de jogo. Nas laterais, Gabriel surge como a aposta de voltar a ser aquele jogador dos tempos de Fluminense e de seu primeiro ano de Grêmio. Na esquerda, Fabrício deu maior força ao setor, entrando no lugar de Kleber, lesionado.

Banco veloz

Se o time titular não é exatamente uma equipe de grande velocidade na transição do meio para o ataque, o banco de reservas é composto por jogadores de muita agilidade de execução. Vitor Júnior, Caio, Gilberto e até mesmo um surpreendente João Paulo tornam o setor ofensivo do Inter de difícil marcação. O problema é que ainda não há um jogador de peso na reserva, daqueles que entram e mudam o panorama de uma partida.

O que falta?

Ao deixar o treino de quinta-feira com um desconforto muscular, D’Alessandro acendeu o sinal de alerta na direção. Na ausência do camisa 10, a armação do meio-campo ficará órfã. Ainda que Fred, Dátolo, João Paulo e Vitor Júnior apresentem intensa movimentação no setor, ninguém no Inter consegue cadenciar o jogo, pensar o ataque e dar ritmo ao time como o camisa 10.

E isso é um problema. No ano passado, D’Alessandro perdeu boa parte da temporada envolvido com lesões sobre lesões. E se em 2013 isso se repetir, apesar de todos os cuidados da pré-temporada? Por isso, o Inter segue ativo no mercado. Dois dos melhores armadores colorados nas últimas temporadas, Alex e Giuliano, seguem em pauta. Tirar um deles dos ricos Al-Gharafa e Dnipro não é tarefa simples. Por isso, a direção torce para que D’Alessandro mantenhase saudável e em plena forma.

Os pênaltis

Se no ano passado Dátolo e Nei revezavam-se e até se atrapalhavam na hora de saber quem bateria os pênaltis, agora, com Dunga, isso mudou. Há apenas quatro jogadores autorizados a bater: D’Alessandro, Fred, Damião e Diego Forlán. A ordem hierárquica das cobranças dependerá dos treinos e da decisão do treinador. Já as faltas laterais pertencem a D’Alessandro e a Forlán. As cobranças frontais também ficam a cargo do camisa 10.

Mantra

Grupo, coletivo, mutirão, união e demais definições afins. Dunga apresentará um Inter focado no “espírito de time” e não na individualidade. Foi assim o seu trabalho na Seleção Brasileira, será assim agora, no Inter. Nas equipes de Dunga, dificilmente um atleta se destaca dos demais, devido à mecânica de jogo do time. O treinador, apesar do jeitão linhadura, tem jogo de cintura e ganhou os atletas com a promessa de um vestiário blindado e de sinceridade mútua.

– Sou tranquilo. Você tem que conversar, orientar, reorientar, quando as coisas não saem, explicar, ter paciência. Às vezes, a gente tem aquela ansiedade para que tudo saia de forma perfeita. Sou muito crítico comigo mesmo antes de ser com os outros – comentou Dunga, em autoanálise.

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