Rui Costa, atual executivo de futebol gremista, fala de Paulo Paixão e enfatiza a palavra ética. Dunga, técnico recém contratado pelo Inter, afirma que todo o treinador no mundo deveria trabalhar com ele. Paulo Pelaipe, dirigente que deixou a gestão de Paulo Odone para assumir o futebol do Flamengo, define o preparador físico pela postura dentro do vestiário: um verdadeiro paizão.
— Avozão — corrige o filho, Anderson, que também enveredou pela preparação física observando os ensinamentos do pai — dentro e fora de campo.
Os predicados utilizados para definir o profissional que retorna ao Beira-Rio em 2013 podem ser muitos. Mas explicam, de certa forma, como o carioca de 62 anos consegue deixar a grenalização do Estado de lado e ser um respeitado multicampeão — vestindo azul ou vermelho. Afinal, são três passagens pelo Grêmio, duas pelo Inter e títulos como Brasileirão, Libertadores, Copa do Brasil e Mundial de clubes.
— Meu pai me ensinou a ser correto. E eu ensino meus netos a terem caráter. Com caráter você entra em qualquer lugar — resume Paixão sobre a "troca" de endereço na Capital.
Paixão acredita que o respeito dos gremistas e colorados se dá pelo comprometimento que demonstrou não apenas no trabalho com a dupla Gre-Nal, mas "em todas as agremiações por onde passou". Botafoguense de coração, lembra do trabalho nos grandes do Rio _ Flamengo, Fluminense e Vasco. Como regra, procura ter cuidado com o que fala em entrevistas para não ser rotulado como torcedor deste ou daquele clube.
— Preparador não beija distintivo — resume o filho, Anderson, 33 anos, 16 deles na mesma profissão que o pai.
— Todas as vezes em que estive trabalhando nos clubes, houve comprometimento. Sou torcedor quando estou no clube, estou comprometido com a camisa que estou vestindo — completou Paixão.
Paulo Pelaipe lembra de como trouxe Paixão ao Olímpico em 2011. O Grêmio de Julinho Camargo havia empatado com o Atlético-MG em casa por 2 a 2 e o aproveitamento de 33% do treinador desagradava o presidente Paulo Odone. Antes de anunciar Celso Roth para a casamata, Pelaipe lembrou que Paixão estava sem trabalho e aproveitava o tempo com os netos em Porto Alegre. Fez apenas um telefonema:
— Quando vi que o vestiário precisava de um comando forte, liguei para o Paixão e disse: "Para de incomodar a dona Georgete (mulher de Paixão) e vem trabalhar" — brincou Pelaipe.
— No outro dia, bastou meia hora em um restaurante para definir a contratação. De tarde, ele já dava treino — completou o ex-gremista.
Assim como com Pelaipe, foi preciso poucas horas de conversa para que o presidente Giovanni Luigi definisse a contratação de Paulo Paixão. Os 22 dias de tratativas entre Inter e Dunga chegavam ao fim. O tetracampeão e ex-técnico da Seleção Brasileira havia assinado até o final de 2013 e Paixão já estava incluso no projeto de retorno do ex-volante à casamata. Após o Gre-Nal derradeiro do Olímpico e encontros com os presidentes Paulo Odone e Fábio Koff _ seguido de um bate-papo franco e direto com o técnico Vanderlei Luxemburgo_ foi o momento de entrar de cabeça nos planos e direções do Inter para a próxima temporada.
— O Inter fez uma grande contratação. Paixão é um grande ser humano, uma pessoa que tem um nível extraordinário. Agregador, um cara que soma no vestiário. Tem liderança com os atletas — elogia Pelaipe.
Por que, então, o Grêmio não fez mais para manter Paixão? Uma contraproposta que batesse o rival? Que seduzisse Paixão a ponto de ele permanecer no clube para a disputa da Libertadores, na Arena? Rui Costa é enfático: o objetivo de Paixão já estava traçado. Com a experiência de quem já havia trabalhado com o preparador em 2010, Costa sabia que nenhuma proposta salarial faria com que Paixão permanecesse. Sai como entrou. Pela porta da frente.
— Estava almoçando com o Roger (auxiliar técnico do Grêmio) e ele me disse: "Professor, tinha certeza de que o senhor iria embora". Quem me conhece sabe que eu sou movido a desafios. E o desafio do Inter, de retomar as vitórias, é grande — disse Paixão.









