Entrevista13/12/2012 | 20h49

De saída, Luciano Davi desabafa: "O trabalho não foi bom"

Vice de futebol do Inter repassará o cargo a Marcelo Medeiros e Luís César Souto de Moura

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De saída, Luciano Davi desabafa: "O trabalho não foi bom" Mauro Vieira/Agencia RBS
Em entrevista a ZH, Luciano Davi negou boicote a Fernandão Foto: Mauro Vieira / Agencia RBS

A transição do Inter de 2012 para 2013 estará completa na segunda-feira, quando o vice de futebol Luciano Davi repassar todo o relatório da temporada aos novos diretores de futebol, Marcelo Medeiros e Luís César Souto de Moura. Nesta quinta, Paulo Paixão e o seu auxiliar, Mauro Cruz, foram oficializados na preparação física do Inter. Rogério Maia deverá ser confirmado como o novo preparador de goleiros, ao lado de Daniel Pavan.

Antes de deixar o cargo no futebol e assumir como gerente do Conselho de Gestão do Inter, Davi conversou por uma hora com Zero Hora. Na entrevista, fala sobre os erros e acertos da temporada, admitiu frustração por não conseguir repatriar Luiz Adriano, Taison e Nilmar e nega que a entrevista da "zona de conforto" de Fernandão tenha desmobilizado o time. Também rechaça que o treinador tenha caído para que um boicote dos jogadores no Gre-Nal fosse evitado. Disse mais: deixou o futebol por ter sido fritado pela oposição em um ano de eleição para o Conselho Deliberativo. Confira trechos da entrevista:

Zero Hora _ Que balanço você faz do seu trabalho como vice de futebol?
Luciano Davi
_ Queria ser campeão brasileiro e achava que tínhamos um belo plantel. Ainda fomos atrás do Juan, do Forlán, do Nilmar, que não deu, do Ygor e do Rafael Moura. Destas contratações, o melhor custo-benefício foi o Ygor. O Forlán e o Juan sentiram essa coisa de jogar quarta e domingo. São jogadores que podem dar muito resultado quando fizerem uma pré-temporada. Em 2013, temos de entender a leitura do futebol que eles têm e adequá-la ao jogo deles.

ZH _ Houve boicote ao Fernandão?
Davi
_ Nunca existiu isso. Nosso medo era que precisávamos ter um resultado positivo no Gre-Nal. Quando não existiu mais a condição de ser campeão brasileiro, tínhamos a chance da Libertadores. Nossa última bala era vencer o Gre-Nal e vimos que era preciso um choque no vestiário. Disse ao Fernandão que precisávamos mudar. Na semana Gre-Nal, a gente se fechou no vestiário, colocamos na cabeça dos jogadores que era um jogo histórico. Sem o choque, achávamos que o resultado seria negativo.
 
ZH _ Por que transformar Fernandão, de diretor executivo em treinador?
Davi
_ A decisão de demitir Dorival e colocar Fernandão como técnico foi minha. Ele será um baita técnico. O Fernandão comentou que seria uma situação chata, que pareceria que eu estava armando contra o Dorival. Eu queria o Osmar Loss de auxiliar técnico, mas ele preferiu o Josué Teixeira. Nada contra o profissional Josué, mas não gostei da leitura de trabalho dele no nosso dia a dia, a forma de treinamentos. Mas, daí, já estava contratado. Acho que teríamos acertado com Fernandão e Loss.

ZH _ Entre os jogadores, Fernandão ficou marcado como o diretor que demitiu Dorival Júnior e que ficou com o seu cargo?
Davi
_ Chamei os jogadores e disse que o Fernandão seria o técnico. Em nenhum momento, notei indignação com a decisão. Ser vice de futebol é administrar vaidades. Não gosto de dar o pontapé na porta e sair gritando. Chamo o jogador na minha sala, me fecho com ele e, se tiver de colocar o dedo na cara, coloco. Só que eu e o Fernandão temos um perfil parecido. O que não é o perfil do Dunga. Se estivéssemos dado menos tapinha nas costas dos jogadores talvez o resultado tivesse sido diferente. Me culpo por isso.

ZH _ Antes mesmo de ser contratado, Dunga criticou os "vazamentos" das informações do vestiário do Inter. De alguma forma, você se sentiu atingido?
Davi
_ Não. Realmente as informações vazaram muito. Tem várias formas de comunicação hoje no futebol. O jogador tem assessor de imprensa e, se comentar com ele, vai vazar. Esse cuidado temos que ter. O assessor já trabalhou na imprensa, tem contato com vocês (repórteres)... Não estou culpando esse ou aquele, mas, às vezes, você comenta, e as informações vazam. A iniciativa que o Dunga está tendo, de fechar o vestiário, é a mais correta. Quanto menor o número de pessoas lá dentro e quanto maior o numero de pessoas nas quais você confia, melhor. Haverá uma redução do quadro de pessoas que trabalham no vestiário. O acesso tem que ser reduzido.

ZH _ Você diz que foi fritado pela oposição. Até que ponto isso fez com que você não permanecesse como vice de futebol?
Davi
_ Reconheço que, se assumi para ser campeão e acabei na 10ª posição, o trabalho não foi bom. É preciso reconhecer os erros. Era o momento de me retirar, pois não fiz o trabalho que queria fazer. Tudo é resultado de campo. Se estivéssemos na Libertadores, não teria problema em seguir.

ZH _ Agora, fora do futebol, até a sua exposição na mídia vai diminuir.
Davi
_ Não estou preocupado em aparecer para a mídia. Fiz muito em 10 anos e ninguém sabia quem eu era. O futebol te dá uma visibilidade grande. A diferença é que o meu telefone parou de tocar. Comento com a minha mulher que eu saio mais no jornal do que o governador do Estado. Você caminha na rua e é conhecido, vai ao supermercado e é conhecido, no cinema, a mesma coisa, as pessoas param para conversar contigo. Minha preocupação não é aparecer, mas ajudar o Inter.

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