Balançando19/11/2012 | 23h36

Luigi diz que Fernandão fica, mas novas reuniões podem definir saída do técnico

Pressão por mudança é forte e existe a possibilidade do treinador ser demitido nesta terça

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Luigi diz que Fernandão fica, mas novas reuniões podem definir saída do técnico André Baibich/ Agência RBS/
Fernandão está há quatro meses no comando do Inter Foto: André Baibich/ Agência RBS

O futuro imediato de Fernandão está nas mãos do presidente Giovanni Luigi. Nesta segunda-feira, o dirigente resistiu à intensa cobrança de conselheiros e assessores por uma mudança no vestiário.

Após a terceira derrota seguida no Brasileirão e a nova crise com o elenco, agora com Bolívar, foram sugeridas ao presidente a saída do técnico e a convocação de Osmar Loss como interino contra a Portuguesa e para o Gre-Nal de encerramento das atividades do Olímpico. 

Luigi decidiu bancar o treinador, mas os pedidos por mudança seguem e não está descartada uma demissão de Fernandão ainda nesta terça. O clube procura um técnico para 2013. Dunga e Vanderlei Luxemburgo são nomes fortes.

Bolívar foi afastado por insubordinação ao treinador. Treinará em turno inverso ao elenco, no CT Parque Gigante. Uma multa não está descartada. A punição deu-se para preservar a hierarquia de Fernandão, e o Inter negocia a saída do zagueiro, que tem mais um ano de contrato com o clube.

— Fernandão permanece. Eu não falo sobre o futuro. No momento, é isso — declarou Luigi, após reunião com o vice de futebol, Luciano Davi, e com o 1º vice-presidente eleito, Marcelo Medeiros. — Bolívar desrespeitou o treinador.

A torcida cobra resposta imediata. A eleição de 15 de dezembro renovará metade do Conselho Deliberativo, e a situação teme perder parte de suas cadeiras, devido ao desgosto dos sócios, que já não votaram para presidente. Um pacote de saídas será anunciado em breve, com Bolívar e Nei. E jovens que não aprovaram em 2012.

O episódio Fernandão x Bolívar expôs uma vez mais o poder do vestiário colorado. Desde a queda de Tite, em 2009, tornou-se tradição desestabilizar técnicos. O mais longevo desde Tite foi Dorival Júnior, que conseguiu manter-se por 11 meses. Antes dele, Jorge Fossati durou um semestre, Celso Roth, nove meses, Falcão, três meses, e Fernandão, quatro meses, até agora. Nesse período, o Inter jamais deixou de conquistar títulos. Mas foi caro.

Com jogadores renomados, de altos salários e contratos longos, mais uma direção de futebol sem poder para mobilizar o time por todo o ano, o Inter voltou a viver seus dramas em meio à temporada. Em 2012, Dorival acabou caindo e Luciano Davi inovou ao lançar o diretor executivo Fernandão a treinador. Alguns jogadores receberam a troca com desconfiança, entendendo que Dorival fora injustiçado. E caiu mal no grupo o diretor demitir o treinador e assumir em seu lugar.

Fernandão foi bem em seus primeiros jogos, mas, aos poucos, os resultados passaram a oscilar, afastando mais o Inter do G-4. Tirar Bolívar do time após a derrota para o Coritiba abalou a relação do técnico com as lideranças, que julgaram injusto preterir o capitão.

O empate em casa com o Sport, em 16 de setembro, marcou o primeiro racha, quando Fernandão utilizou "zona de conforto" para criticar a postura de alguns medalhões no campeonato. Os surpreendentes tropeços para os rebaixados Atlético-GO e Figueirense contribuíram para a deterioração do relacionamento entre vestiário e casamata. E as três derrotas em sequência, apimentadas pela crise com Bolívar, fizeram a pressão sobre Luigi se tornar quase insustentável.

 

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