O clima é de fim de ano no Beira-Rio. Praticamente sem chances de Libertadores, o Inter busca motivação para jogar três partidas antes do último Gre-Nal da história do Estádio Olímpico — casa do maior rival. Depois do treino desta sexta-feira, no CT Parque Gigante, Fernandão exibiu um misto da costumeira tranquilidade com um ar de cansaço típico de final de temporada.
Em clima de fim de temporada, Inter treina pensando em 2013
Para o jogo das 19h30min de domingo, contra a Ponte Preta, em Campinas, confirmou que irá promover os ingressos do zagueiro Bolívar — fora do time desde a derrota para o Coritiba, dia 29 de agosto — e do lateral-direito Edson Ratinho no lugar de Nei, que ficará em Porto Alegre, segundo o técnico, para pensar sobre a sua continuidade no Inter, em 2013.
— Em determinado momento, é normal um jogador estar mal tecnicamente. Falei com ele, quando o tirei do time, que daria um tempo para ele trabalhar, e voltar quando estivesse bem de novo. Eu falei que não levaria ele para os bancos nas rodadas seguintes. Foi uma opção minha. Não jogou contra o Atlético-MG por conta de uma lesão. Será o zagueiro ao lado do Juan. Foi decisão minha — explicou, conceituando Bolívar como um dos jogadores mais injustiçados, no Inter, nos últimos anos.
Sobre Nei, disse que o lateral não está relacionado para a partida de domingo e que não sabe se a renovação de contrato — que termina no final deste ano — está atrapalhando-o psicologicamente.
— Começo com o Ratinho e não levo o Nei nem para o banco para ele ficar aqui até semana que vem. Até para ele ver essa situação da continuidade dele aqui dentro. Não sei até que ponto isso está atrapalhando ou não a cabeça dele. Se está bem, o Nei é um jogador fantástico, com uma força mental fantástica. Estando 100%, é muito útil — ponderou.
Técnico do Inter até o fim do Campeonato Brasileiro, Fernandão declarou que pretende continuar trabalhando como treinador. Seja no Inter, seja em outro clube. A probabilidade, neste caso, é de que isso ocorra fora do Rio Grande do Sul. Em campo, os maus resultados atestam que a chance de Fernandão permanecer no Inter equivale às chances de classificação do time à Libertadores.
— Vou seguir minha vida. Ser técnico era para ter ocorrido mais adiante, mas houve muito mais coisas positivas do que negativas. Sabia da responsabilidade que teria, do que fiz de bom durante esse período. Eu teria que ser um mestre, um dos melhores, com experiência, para não ser questionado por estar começando. Dentro do que fiz, das partida que fizemos, vi muito mais coisas positivas do que negativas — destacou.
Veja outras declarações de Fernandão durante a entrevista desta sexta-feira:
Falta de sequência
"Acho que faltou sequencia mesmo. Disputamos três campeonatos, ganhamos um. Nos últimos anos, o Inter vem fazendo uma média de 58, 62, 63 pontos, e lógico que não é dentro do esperado e nem o que planejamos principalmente para o Brasileiro depois que deixamos a Libertadores."
Desfalques
"Foram pouquíssimas as rodadas em que o time esteve completo. Não serve de desculpa, mas a realidade foi essa durante a temporada. O número de lesões foi fora do normal, muitas aconteceram no mesmo setor, e isso dificultou bastante. Houve alguns acertos normais na temporada. Assim, tentamos que a próxima seja melhor."
Eleições e Ponte
"Penso na Ponte desde segunda-feira. Tinha eleição ontem (quinta). E todos estavam preocupados em relação à eleição do novo presidente do clube. Tenho contrato até o fim do Campeonato Brasileiro. Sempre fui muito decidido nas minhas situações."
Jogadores indefinidos para 2013
"Kleber, Nei, Bolívar... Se for basear a permanência deles em relação a dois, três jogos, mostra que não tem critério algum. Eles já demonstraram durante toda a carreira se têm condições ou não de permanecer aqui no Inter."
Sorte e azar
"A favor ou contra, acontece. Já teve pênalti não marcado contra a minha equipe. O que faltou mesmo foi ter o elenco todo, o elenco do Inter no papel para poder trabalhar semana a semana, jogo a jogo, porque terminava um jogo e já era dor de cabeça para montar o time. Ainda assim, tentei não mexer na estrutura tática."
Características dos jogadores
"Alguns jogadores têm características diferentes. O Rafael Moura e o Damião têm uma. Com Dagoberto e Forlán, o ataque muda. Tem que modificar o sistema. Com o Damião convocado e o Rafael Moura lesionado, sem o Dagoberto, também muda. As lesões foram um pouco demasiadas. A gente não tenta buscar culpados, mas lições para a próxima temporada. Não pudemos utilizar o elenco do papel em três, quatro rodadas. Tivemos dois grandes jogos contra Vasco e Palmeiras e, em seguida, perdemos jogadores importantes."
Clima de despedida
"Não tem tom de despedida. Meu contrato vai até o dia 31, mas, até o dia 2, estou 100%. Não tem esse clima de despedida, porque independentemente de estar aqui ou não, a torcida sabe que sempre continuarei torcendo e admirando o Inter."









