Fernandão concedeu entrevista coletiva no CT Parque Gigante no final da manhã desta terça-feira para falar de sua demissão pelo Inter. Emocionado, o treinador preferiu não se aprofundar nos motivos que forçaram a sua saída.
Em um dado momento da entrevista de cerca de meia hora que marcou a despedida de Fernandão do comando do Inter, a emoção foi forte demais e ele chorou. Ao falar sobre a dedicação de Ygor, teve que parar e demorou a se recompor. Talvez o reconhecimento à entrega de uma peça em um grupo que o abandonou.
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Fernandão não quis dar detalhes de um episódio em que, segundo ele, "foi amigo de quem não merecia ser". Ao ser perguntado sobre o ambiente do vestiário, deixou claro que existem problemas ao dizer que não iria mentir, mas omitir. A mágoa ficou evidente quando decretou: "ontem eu aprendi que não se deve falar a verdade no futebol".
Confira as principais frases da entrevista de Fernandão:
O Gre-Nal é o mais importante:
"Sobre qualquer tipo de informação, quem tem que dar é a direção. Eu estou dizendo que ele (Luciano Davi) foi convincente no que ele me disse no momento da demissão. É óbvio que faltam dois jogos e não é contra a Portuguesa que vai fazer grande diferença neste final de ano".
O preço de dizer a verdade:
"Ontem (segunda) eu aprendi que, no futebol, você não deve falar a verdade nunca. Não vou mentir, mas vou omitir. Me guardo o direito de ficar calado. Quem tem que falar sobre os problemas não sou eu. Os motivos, não sou eu que tenho que falar. Eu só tenho a agradecer a torcida do Inter. As coisas não aconteceram como eu pensava. Não me arrependo de nada que eu falei e sem dúvida aprendi bastante. Eu aceitei assumir sabendo de alguns problemas que existiam".
Amizade x profissionalismo:
"Talvez o meu grande erro não foi ali (na entrevista que falou sobre a "zona de conforto"), foi depois dali. O que aconteceu depois, eu deveria ter tomado algumas atitudes. Eu acabei sendo amigo de quem não merecia ser amigo. Eu aprendi a separar profissionalismo de amizade. Não me arrependo de ter falado nada. Em uma situação que ocorreu aqui dentro, se eu tivesse tomado uma atitude mais firme, talvez tivesse resultados diferentes. Eu fui amigo e acabei me perdendo um pouco por conta disso".
Emoção com Ygor:
"Eu passei 20 anos da minha carreira jogando e sendo muito profissional. Eu sempre vou buscar pela disciplina e pelo profissionalismo. Eles correram e buscaram, se doaram por mim. Tenho que agradecer, em especial, ao Ygor (choro). Ele me deu uma demonstração muito grande contra o Atlético. A gente estava sem zagueiro nenhum. Ele se colocou à disposição, falou na mesma hora: "não te preocupa, me coloca como zagueiro que eu vou jogar". Eu disse para um jogador fazer ali e ele tinha dito não. Eu nem tinha cogitado o Ygor para a zaga, mas ele estava perto quando eu fiz a pergunta. Agradeço também ao Índio, ao Muriel, mas em especial ao Ygor, a atitude dele me ensinou muita coisa.
Futuro do Inter:
"Treinador vai sempre cair. Não é questão disso. Nesse sentido, faltou experiência em relação ao episódio (citado anteriormente, em que diz ter sido "amigo de quem não merecia"). Eu sei que o próximo treinador vai chegar com um projeto. Ele vai saber das situações que aconteceram e eu passei para eles (diretoria). As coisas vão começar a mudar, especialmente em relação à mentalidade".
Próximo técnico:
"Para quem entra no meu lugar, se me ligarem e perguntarem eu vou falar. Não vou falar nada de mais. Para o Giovanni e o Luciano, tenho que agradecer. Me colocaram em um cargo antes do que qualquer um poderia imaginar. Os erros são meus e a culpa é minha. É normal decidirem tirar, mesmo faltando dois jogos. Algumas coisas eu já tinha diagnosticado lá atrás. Eu não queria que tivesse vazado quando eu coloquei o cargo à disposição. Se mudaram a opinião em relação àquele momento, é porque eles têm seus motivos".
Necessidade de expor os problemas:
"Eu tenho a minha conduta e tenho ela sempre, do profissionalismo, de procurar cumprir as regras. Buscar o melhor sempre. Certo tipo de coisa a gente tem que falar. Eu aprendi, não em relação a ter dito. Não estou aqui dizendo que aqui tem um bando de problemas. Não sou eu que vou falar se existe ou não existe. Não vou falar que vai existir boicote ou não. Os resultados foram horríveis, especialmente agora no segundo turno. Eu tenho um pensamento: mental, físico, técnico e tático são fundamentais".
Episódio Bolívar:
"(Não senti) Frustração, não. Talvez um pouco de decepção, mas esse não foi um grande problema. A única questão foi em relação a ontem (segunda), que eu passei de mentiroso. Eu pedi para a direção explicar o caso. Uns comentam e outros fazem. Eu não vou ser o que vai comentar".
Volta ao Inter:
"Não sei. Todos sabem do amor que eu tenho pelo clube. Do que eu sinto pelo Inter. Só lamento de não ter conseguido fazer com que esse time brigasse pelo título. A responsabilidade é única e exclusivamente minha. Eu decepcionei várias pessoas que confiaram bastante em mim".









