Saindo de cena10/11/2012 | 15h58

Constrangimentos e erros tiram espaço de Luciano Davi na gestão do Inter

Dirigente vive momento contrário ao do presidente Luigi, que ganha força com a reeleição

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Constrangimentos e erros tiram espaço de Luciano Davi na gestão do Inter Ricardo Duarte/
Durante a votação na quinta-feira, Davi evitou falar sobre a próxima temporada Foto: Ricardo Duarte

Se Giovanni Luigi saiu fortalecido com a reeleição à presidência do Inter, na quinta-feira à noite, no Conselho Deliberativo, o ônus da temporada parece recair sobre o vice de futebol, Luciano Davi. Ao assumir o vestiário, em maio, em substituição a Luís Anápio Gomes, que pediu para sair alegando questões profissionais, Davi surgia também como potencial candidato à sucessão de Luigi.

Mas a irregular campanha da equipe no Brasileirão, a demissão de Dorival Júnior, a ascensão de Fernandão, a falta de expectativas de voltar à Libertadores e a rejeição da torcida frearam o projeto político de Davi no Movimento Inter Grande (MIG). Agora, ele deve ser preservado para a próxima temporada, deixando o departamento de futebol. A ordem no grupo é "tirá-lo um pouco da vitrina". Tudo para que não acabe inviabilizando-se futuramente no Beira-Rio, uma vez que Davi é um dos principais articuladores políticos do MIG. As duas eleições de Luigi, por exemplo, passaram por suas costuras junto aos conselheiros. É considerado um homem poderoso no Conselho e, sobretudo, é uma aposta do movimento para futuras eleições presidenciais. 

Ainda assim, devido aos problemas na condução do futebol, Davi foi o último integrante da gestão a comparecer à votação em primeiro turno, na quinta-feira. Surgiu no Centro de Eventos do estádio por volta das 21h20min. Ao fraco desempenho do time no Brasileirão, juntaram-se alguns erros estratégicos, que minaram a trajetória do vice de futebol no clube.

O último episódio foi o da entrevista à Rádio Bandeirantes, na terça-feira, quando o dirigente assegurou que Bolívar não jogaria e, no dia seguinte, Fernandão definiu o retorno do zagueiro ao time titular. Davi fez um mea culpa. Internamente, no MIG, a gafe foi a senha para Davi recolher-se. Essa atitude do vice de futebol mereceu críticas do presidente reeleito.

– Luciano Davi foi infeliz. A escalação sempre é uma opção do treinador. Ele tem um grupo, avalia, o dirigente conversa, não nomes, mas questões táticas, estrutura da equipe. Ele deduziu que seria o Ygor (o titular, improvisado), pois o Fernandão já havia colocado o Ygor na zaga (contra o Atlético-MG). Mas, naquela vez, o Bolívar se recuperava de um processo inflamatório na coxa. Agora não. Por isso que digo: ele (Davi) foi infeliz – afirmou Giovanni Luigi.

Em meio às comemorações pela reeleição, Davi revelou ter colocado seu cargo à disposição do presidente. A mudança no comando do vestiário ocorrerá, mas a gestão ainda busca um nome. Marcelo Feijó Medeiros, eleito 1º vice-presidente na chapa de Luigi, não assumirá agora como vice de futebol, mas será preparado para o cargo. Até porque, assim como Davi, é uma das esperanças do MIG para a presidência nos próximos anos.

Mesmo que não permaneça no futebol para 2013, Davi deve trabalhar com Luigi até o final da temporada e na busca por reforços. Um novo lateral-direito titular será contratado, um diretor executivo experiente ajudará na administração do elenco e Abel Braga receberá uma grande oferta para deixar o virtual campeão brasileiro, Fluminense, e retornar ao Beira-Rio. O MIG preservará Luciano Davi agora para que, um dia, ele possa comandar o clube.

Futuros vices de futebol?
Marcelo Feijó Medeiros, 52 anos, advogado trabalhista e empresarial
Marcelo Medeiros, 1º vice-presidente eleito, foi diretor das categorias de base, em 2004 e em 2005. É filho de Gilberto Medeiros (presidente do Inter em 1986 e 1987), sobrinho de Marcelo Feijó (presidente do Inter em 1978 e 1979) e neto de Afonso Paulo Feijó (presidente do Inter em 1945).

Luís César Souto Moura, 55 anos, médico e gestor hospitalar
Souto Moura foi diretor de futebol, de 2003 a 2006, e surge como um dos expoentes para o cargo. Um dos principais nomes do Coração Colorado, movimento de apoio à gestão, ele colocaria em prática algumas de suas ideias sobre futebol e que não batem exatamente com as de Luigi. Ainda assim, é um nome forte para o futebol.

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