Às 19h30min de segunda-feira, depois que Luigi havia confirmado a permanência do técnico, Fernandão recebeu um telefonema de Davi. Queria uma conversa no CT Parque Gigante. Por mais de três horas, o treinador passou a ouvir um relato do vice de futebol sobre a necessidade da saída. A demissão, porém, foi oficializada na manhã de hoje.
As explicações da direção foram apresentadas por Davi. Questionado sobre o temor de um boicote, o vice de futebol partiu para o discurso externo.
– Se tiver a intuição de que um jogador fará isso, ele será demitido na mesma hora. Não foi esse o motivo da demissão do Fernandão – respondeu o dirigente. – O problema não está apenas na comissão técnica. Sabemos o que tem que mudar para 2013 – acrescentou.
Fernandão surgiu pela porta da frente da sala de conferências do CT na manhã desta terça. Não vestia mais o uniforme do clube, mas, sim, luto. Foi lhe questionado sobre a possível represália do vestiário. E, após um sintomático silêncio de cinco segundos, ele declarou:
– A direção tem que dar a informação. Ele (Davi) foi convincente no que me disse no momento da demissão. Não é o jogo contra a Portuguesa que fará a diferença nesse final de ano.
A pergunta foi repetida e Fernandão respondeu:
– Ontem, aprendi que, no futebol, você não deve falar a verdade nunca. Não vou mentir, mas vou omitir. Não me arrependo de nada que eu falei.
Por 32 minutos, Fernandão respondeu a questionamentos. O ex-treinador admitiu ter errado ao não agir como profissional e, sim, como amigo de algumas pessoas após dizer que havia um grupo na "zona de conforto".
– Acabei sendo amigo de quem não merecia ser amigo (1). Se tivesse tomado uma atitude mais firme, talvez tivesse resultados diferentes – disse.
1. Mesmo sem citar nomes, Fernandão ficou muito decepcionado com o preparador físico Flávio Soares, o Galo. A referência é a ele, ainda que também tenha tido alguma frustração com Bolívar, Juan, D'Alessandro e Kleber
Fernandão elogiou Muriel, Índio e Ygor. Foi às lágrimas ao comentar a entrega do volante contra o Atlético-MG. E interrompeu a entrevista por alguns minutos para se refazer e retomar a conversa.
– Agradeço ao Ygor. A gente estava sem zagueiro e ele se colocou à disposição: "não te preocupa, me coloca de zagueiro". Havia pedido a outro jogador (2) e ele disse "não" – revelou Fernandão.
2. O jogador que se negou a jogar improvisado de zagueiro foi o argentino Mario Bolatti.













