Relíquias do Beira-Rio18/08/2012 | 16h18

O destino das cadeiras, do boné e do gramado após a reformulação do estádio

Associados têm o direito de levar assentos como lembrança e diretoria estuda distribuir pedaços da grama

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O destino das cadeiras, do boné e do gramado após a reformulação do estádio Andréa Graiz/Agencia RBS
Com uma base de ferro, porém leve, Urivalde Grando move a cadeira de um lado para outro no apartamento do Bom Fim Foto: Andréa Graiz / Agencia RBS

Após a bem-sucedida iniciativa de 2011, quando foram distribuídos aos sócios tufos da grama do Beira-Rio, o departamento de marketing e a Central de Atendimento ao Sócio (CAS) do Inter viram com bons olhos repetir a ideia com as cadeiras que foram retiradas das arquibancadas do estádio ao longo da reforma da casa colorada.

Sob o comando do diretor da CAS, Norberto Guimarães, e-mails e malas diretas foram enviados para os associados em dia com as mensalidades. Primeiro, os torcedores com cadeiras perpétuas, de ferro. Após, as demais, de plástico. Foram cedidas gratuitamente cerca de 8 mil cadeiras de um total de 30 mil.

— O Inter entendeu que nada mais justo que o associado levasse uma cadeira para casa. Guardasse a história do Inter consigo. Temos relatos de colorados que colocaram cadeiras na sala de casa, no jardim, há quem fez até um altar para a cadeira — aponta Guimarães.

Um detalhe interessante em meio às obras do Beira-Rio: toda parede ou alicerce que são retirados do lugar retornam para a obra "triturada". Como ocorre: os operários da Andrade Gutierrez reformam determinado setor e os entulhos são encaminhados para uma usina de brita. Tudo o que puder ser reutilizado, volta para a obra.

— É o Beira-Rio pelo Beira-Rio — brinca Guimarães.

Na sala do escritório de Clóvis Borges, duas cadeiras brancas recepcionam gremistas e colorados. O técnico em mecânica de 47 anos decidiu trazer o Beira-Rio para o ambiente em que permanece a maior parte do tempo: a metalúrgica em que trabalha. Entrou em contato com a Central de Sócios e resgatou as relíquias — a própria cadeira e a do filho, Gustavo, de 17 anos. Gastou cerca de R$ 500 com a base em ferro, pintura e adesivos com o escudo do Inter e os nomes completos — com número da matrícula de ambos.

— Eu sou representante do consulado colorado aqui em Cachoeirinha. O Inter, inclusive, quis saber quanto gastei nas cadeiras. Acharam interessante — lembra Borges.

Sócio desde 1999, o colorado ri quando fala sobre os clientes gremistas que atende após esperarem nas cadeiras. Sem esconder a falsa modéstia pela obra, diz que até os torcedores rivais gostaram da ideia. Perguntam sobre o projeto — "eu mesmo desenhei tudo", responde Clóvis —, pedem como e onde foi feita a estrutura — "aqui na metalúrgica mesmo, por meus funcionários", explica, orgulhoso. Esquecem por alguns momentos a rivalidade clubística e discutem como podem utilizar a mão de obra do lado azul.

— Eles querem fazer a mesma coisa quando demolirem o Olímpico. Querem as cadeiras, também. E acho justo, acho legal essa troca de experiências — resume Borges.

Urivalde Grando distribuiu suas relíquias. Não bastasse uma cadeira na sala de casa, dos três assentos que buscou no Beira-Rio, deixou um deles no apartamento que tem em Capão da Canoa e mandou outro para a cobertura do filho, Rodrigo, 36 anos, que também reside na Capital.

Com uma base de ferro, porém leve, move a cadeira de um lado para outro no apartamento do Bom Fim: hora ela está ao lado da churrasqueira, hora serve para descanso no terraço enquanto sorve um chimarrão. A ideia original era transformar o jardim em uma arquibancada. Utilizaria os três bancos lado a lado. Foi convencido por Rodrigo de que separadas elas estariam mais "presentes" com a família.

— A pessoa que foi arrumar elas para mim sugeriu a separação e os guris me convenceram de que seria, realmente, melhor — explica o aposentado de 66 anos, sócio do Inter desde 1972.

A polêmica inscrição

Quando o famoso "boné" do Beira-Rio for retirado da arquibancada superior neste final de semana, o Beira-Rio perderá um dos espaços mais tradicionais e "charmosos" de sua história de 43 anos.

Os trabalhos envolverão guinchos e máquinas de corte para separar os pedaços da estrutura. Cada um deles será demolido e, em seguida, levado para a usina de brita. Triturada, retorna para a obra como material de construção.

A faixa com os dizeres "A Maior e Melhor Torcida do Rio Grande" será preservada. A diretoria colorada ainda estuda o destino da peça. Há duas ideias: ficar exposta no museu Ruy Tedesco ou ser instalada em algum ponto do estádio após a reformulação do Beira-Rio.

Gramado

Quando o Beira-Rio for fechado no segundo semestre de 2013 para que o gramado e toda a estrutura de irrigação e drenagem seja modificado, a diretoria do Inter estuda distribuir pedaços da grama entre os associados. Como não há definição se a grama atual será ou não reaproveitada, a iniciativa não é 100% confirmada. 

Comentar esta matéria Comentários (2)

marcos

o terreno onde foi construido o beira rio foi doado pela prefeitura da epoca , entao q o inter devolva o terreno

19/08/2012 | 15h16 Denunciar

eliseumss

não da pra faer uma materia parecida com esta de um timezinho que ta fazendo uma areninha do outro lado da cidade porque deste timezinho voces só falam de eleição parace que este clubezinho só vieve fazendo eleiçaõ e eleição pra ca eleiçaõ pra lá o que sera que eles vão fazer com as cadeirinhas dele

19/08/2012 | 14h25 Denunciar

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