Raros jogadores têm uma bagagem tão extensa de clássicos quanto o uruguaio Diego Forlán. Revelado pelo Peñarol, ele cresceu em meio à rivalidade com o Nacional, em Montevidéu. No Independiente, costumava encarar o Racing no embate de Avellaneda, distrito de Buenos Aires. Pelo Atlético de Madrid, enfrentou o Real. Na Itália, pela Inter, jogou contra o Milan. Agora, em Porto Alegre, entra em campo para disputar um Gre-Nal.
Aos 33 anos, experiente, eleito o melhor jogador da Copa do Mundo 2010, Forlán vive a expectativa da estreia. Diz que a vontade de atuar é tão grande quanto a importância de dois grandes times que residem na mesma cidade. E destaca que o clássico gaúcho lembra os uruguaios e argentinos devido à torcida, à partida em si e pelo fato de a população local viver mais o jogo do que na Europa.
— São jogos importantes e não há diferença entre eles. Todos valem três pontos. Todos são importantes. Mas a rivalidade do Gre-Nal tem semelhança com clássicos como Peñarol e Nacional. Também pode ser Racing e Independiente. Na Europa, Inter e Milan é similar por ser da mesma cidade. Mas acho mais parecido com os argentinos e uruguaios pela torcida, pelo jogo em si e pelas pessoas, que vivem mais o jogo — declarou.
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Despreocupado com o gol que ainda não veio, ele disse que o mais importante é se sentir bem para seguir atuando com confiança. E que isso vale para o resto do time. Afirmou, ainda, que um clássico é vencido por um conjunto de fatores.
— É difícil dizer se a raça ganha o jogo. Pode ser o treinador, os jogadores... O treinador monta o time e os jogadores têm que responder. Acho que é um pouco de cada coisa para fazer o melhor no dia do jogo — frisou.
Confira os melhores momentos da entrevista de Forlán:
O gol ainda não feito
"Quanto mais jogos, melhor. São mais vocês (da imprensa) que falam no primeiro gol. Tenho que jogar. Tudo vai acontecer como consequência. Quanto mais o jogador se sente melhor, mais facilidade vai ter para fazer o gol. O importante é o time, que está jogando bem. Temos que continuar melhorando e ganhar sempre, que é o mais importante."
Europa
"Na Europa, eu jogava mais rápido. Tenho que me acostumar e lembrar que, quando era pequeno, jogava com qualquer chuteira. Depois, acostumado, quanto mais se joga, mais se pega o ritmo, conhecendo mais os companheiros, o ritmo de jogo, os campos que são mais rápidos, mais lentos, maiores, menores..."
Adaptação
"Pouco a pouco, estou pegando o ritmo, jogando muitos jogos durante 90 minutos. Contra a Portuguesa, estava um pouco mais cansado por causa da viagem, tinha vindo da Europa, com a seleção do Uruguai. O jogo fica mais pesado depois de uma viagem. São 20 horas de ida e volta para jogar e depois jogar de novo. Mas o ritmo e a adaptação estão bem".
Mistério pré-clássico
"É normal que um jogo mais imporatnte tenha mistério em relação aos treinamentos. Para nós, é normal. Estamos acostumados. Na Europa, fazemos treinamentos fechados e ninguém sabe nada até 45 minutos antes do jogo. Para mim, não muda nada".
Homens Gre-Nal
"Dátolo, D'Alesandro e Índio são todos grandes jogadores. Se eu vou ou não vou ser um homem Gre-Nal, eu não sei. Tenho que estar tranquilo. Tenho três anos de contrato e não vai ser só domingo que vou poder decidir. Vão ser muitos jogos em que preciso estar tranquilo. O time precisa ganhar. Se o time ganhar e eu não fizer gol, vou ficar contente. Como falei antes, os três pontos são importantes para continuar subindo".
Momento do Grêmio
"O Grêmio está jogando bem e tem uma boa equipe. Às vezes, um time tem bons jogadores e não consegue jogar bem. Não é o caso do Grêmio. Eles têm um bom time e estão conseguindo jogar bem".
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