Fim de uma era25/02/2012 | 19h16

Relembre momentos históricos do Estádio dos Eucaliptos

Palco de glórias coloradas dará lugar a prédios residenciais e comerciais no bairro Menino Deus

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Relembre momentos históricos do Estádio dos Eucaliptos Ricardo Chaves/Agencia RBS
Por aqui passaram o Rolo de Tesoutinha e Carlitos e o Rolinho de Larry e Salvador Foto: Ricardo Chaves / Agencia RBS
Jones Lopes da Silva

jones.silva@zerohora.com.br

O prédio de paredão e reboco puído voltado para o início da Rua Silveiro, o portão de ferro já sem fechadura original e o símbolo do Internacional ao lado, vigilante, agora saem de cena. Há 80 anos este pavilhão do Estádio dos Eucaliptos imperou no bairro Menino Deus, na Capital. Agora, um braço mecânico coloca o simbolismo abaixo, dá lugar a um condomínio residencial, como o fim de uma época romântica.

Do portão central de ferro, por muito tempo o cheiro de éter dos vestiários exalava a calçada da Silveiro, e a torcida chegava com especial orgulho: aqui é o novo estádio do Internacional. A arquibancada mais imponente abrigava as sociais e seus ocupantes de fatiota e chapéu, as cabines de rádio e a concentração, um imenso salão abaixo dos lances de cimento, com uma cama ao lado da outra feito quartel, separadas por um espaço de 30 centímetros. Nada disso existe mais. Lá do alto, via-se o Rio Guaíba e se acessava uma espécie de sacada de onde os jogadores se debruçavam e abanavam para a torcida lá embaixo, na Silveiro.

Em site especial, confira vídeo, veja fotos de antes e depois e faça um MultiTour 360° pelo estádio:

O salão de festas, onde Oreco e Vicente Rao levavam grupos de samba para distrair os companheiros à espera dos dias de jogos, também sucumbiu. O cantinho da capela Nossa Senhora das Vitórias ficou no passado. Ao pé do altar havia um copo tipo martelinho em que os jogadores enchiam com cachaça em oferenda a Santo Onofre - até descobrirem que um deles sorrateiramente esvaziava o copo durante a madrugada. Nada restou do altar.

O canto do vestiário de pé alto onde Tesourinha rezava em companhia de Ivo, Alfeu, Nena, Assis, Ávila, Abigail, Russinho, Villalba, Adãozinho e Carlitos, o imbatível Rolo Compressor dos anos 40, virou pó. Também o muro que dava para a Barão do Cerro Largo, em que jogadores do mesmo Rolo pulavam em fuga da concentração, logo não terá mais vestígio. Assim como a parte do muro da esquina da Silveiro com Barão do Guaíba, mais baixa, que permitia a escapada de jogadores aos bailes de fim de semana. Ainda assim fizeram história.

Copa do Mundo, aliança de Larry e a cama de Salvador

Havia motivo de orgulho na inauguração do estádio em 15 de março de 1931 — o ano em que Jorge Amado lançou O país do Carnaval, e Getúlio Vargas iniciava o governo provisório após a Revolução de 30.

O time de Risada e Javel marcou o início de uma Era ao fazer 3 a 0 no Grêmio de Lara, Luiz Carvalho e Foguinho, o Osvaldo Rolla, os donos da Baixada. Começava bem o sonho do presidente Ildo Meneghetti. Desde então, a torcida chegava de ônibus linha 77 ou de bonde pela José de Alencar e se abrigava do sol nos eucaliptos plantados com as mudas da Chácara dos... Eucaliptos, o antigo campo do clube.

O cimento da arquibancada produzia um calor insuportável. Por isso, o médio Salvador, que de tão grande dormia em cama especial, foi dormir no gramado. Ao que Florindo disse:

— E os mosquitos, Salvador?

— Eu sou negrão. Os mosquitos não me mordem à noite.

Dois jogos da Copa do Mundo de 50 foram disputados ali. Iugoslávia, Suíça e México atuaram nesse gramado, o mesmo onde Larry perdeu a aliança em um Gre-Nal. Imaginem os jogadores de cócoras no campo à procura do anel. Na semana seguinte, a tal aliança apareceu. Estava presa na trava com prego da chuteira de Milton Kuelle.

O gramado, aliás, o massagista Moura o carpia durante as férias. Quando o Beira-Rio entrou em ação em 1969, sete dos 10 maiores jogadores da história do clube haviam passado pelos Eucaliptos: Tesourinha, Carlitos, Oreco, Claudiomiro, Valdomiro, Carpegiani e Falcão. Apenas Manga, Figueroa e Fernandão não entraram pelo portão de ferro que acaba de vir abaixo.

Na Rua Silveiro, de um lado o Estádio dos Eucaliptos, no outro lado da calçada, havia um açougue onde Tesourinha e companheiros compravam carne para o churrasco assado na casa do goleiro Milton Vergara. Depois de sair do Inter, jogar no Vasco na época da Copa de 50 e retornar ao Sul para ser o primeiro negro do Grêmio, em 1952, Tesourinha acabou ganhando do Inter uma casa na continuação da Rua Silveiro. Hoje, a rua é caminho para o Estádio do Beira-Rio.

Comentar esta matéria Comentários (11)

Geferson

Não conheci pessoalmente o Eucaliptos, (sou do interior do RS) mas passei a vida ouvindo histórias e vendo fotos de jogos que aconteceram nele, ao ver essas máquinas demolindo tudo, senti um aperto do peito. Deveria ter sido reformado pelo inter, criado um museu e utilizado para jogos do gauchão.

22/03/2012 | 17h54 Denunciar

CLÓVIS

Deveriam fazer do eucaliptos um segundo estadio para jogos de menor importancia como tem o Gremio em Eldorado.Junto um museu como foi sugerido,categorias de base.Teria outras opções Sou gremista ,mas é uma pena enterrar um passado tão bonito de um clube dessa forma.Os colorados não mereciam isso.

06/03/2012 | 17h32 Denunciar

Leonardo Sodré

Aí tudo começou, a história do grande INTERNACIONAL, com certeza a história de funadação mais bonita do Brasil.

27/02/2012 | 08h21 Denunciar

Gilmara

Em 1931, não havia ônibus em Porto Alegre, somente bonde.

26/02/2012 | 20h44 Denunciar

Flavio Bolina

Otima matéria relembro com um ar melancolico, pois meu pai conta até hoje histórias de jogos no velho eucalipitos; ele foi jogador do FORÇA E LUZ da decada de 50 e 60 nome dele? RIOGRANDINO e possui ainda fotos da epoca auria do estadio.

26/02/2012 | 15h01 Denunciar

roges

é mentira que o grêmio nao tinha negros antes de 50,ou, quem sabe a gente relembra que o hino do grêmio é de lupicinio rodrigues!?

26/02/2012 | 14h19 Denunciar

MiguellopesRodrigues

Vendiamos lanches nos postos de gasolina e obras na Av beira Rio e arredores nos finais de linhas 77 e 49 eu na época tinha 14 anos e saiamos de bicicleta um para cada lado vender nossos lanches era super legal comentar para meu amigos que um dia eu morei no estádio dos eucaliptos do inter he he

26/02/2012 | 11h37 Denunciar

MiguellopesRodrigues

por que não comentam das pessoas que la viveram por muitos anos meus tios Assis e tia Nilza na época ele era zelado do kartódromo que la existia mas acabou pegando fogo e obrigando meu tio a trocar de profissão ele passou a vender lanches nos posto de gasolina nas redondezas de bicicleta e eu tb

26/02/2012 | 11h32 Denunciar

LIÉDER MOREIRA SARAÇOL

É uma pena o Inter ter destruído esse palco de muitas vitórias e conquistas, deveria ter construído o museu ai e realizar alguns jogos neste, como por exemplo jogos do gauchão, ainda mais que o Gigante está em obras.

25/02/2012 | 23h28 Denunciar

Helio

...acabou o unico patrimonio que poderia ser dado como garantias do Inter, eles agora estao pior do que Flamengo Fluminense, pois estes possuem sedes sociais e treinamento que sao suas, nao construiram em terrenos doados para uso e fruto, mas quem sabe eles compram um terreninho na RESTINGA KKKK...

25/02/2012 | 23h22 Denunciar

Wilson Pereira

Embora gremista, vejo essas fotos da demolição dos Eucaliptos com emoção. Lembro-me guri indo pela manhã ao campo em domingo de Gre-Nal para pegar um bom lugar. Lembro-me também assistindo os dois jogos da Copa de 50, com derrota do México, embora nossa torcida. Espero assistir um em 2014. Wilson

25/02/2012 | 22h47 Denunciar

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