A permanência de D'Alessandro ficou definida em reunião sigilosa que entrou a madrugada de domingo. No encontro, o presidente Giovanni Luigi e o agente do argentino, Matias Aldao, definiram que a transferência da China viraria um conto colorado de verão. D'Alessandro ganhou aumento salarial — os valores são mantidos em sigilo. Mas não só o lado financeiro pesou. Foram decisivas a identificação com o Inter e a torcida, que deu mostras de devoção ao jogador nos últimos dias.

O jogador seguirá com contrato até 2015. Aliás, o tempo de contrato foi um dos trunfos utilizados pelo Inter para convencê-lo a ficar. Conforme um conselheiro muito próximo à cúpula colorada, Luigi chegou a perguntar para o jogador:
— Jogando na China, em um futebol de nível técnico bem mais baixo do que o brasileiro, daqui a dois anos você não acha que pode ser um ex-atleta? — indagou.
D'Alessandro apenas ouviu. A estratégia de Luigi também teria enveredado pelo lado emocional do jogador. D'Alessandro é um sujeito extremamente família. O bem-estar da família em Porto Alegre estaria no centro de toda sua felicidade no Inter. Sem contar a proximidade de Buenos Aires. As visitas aos familiares estariam a apenas uma hora e meia de voo. Luigi usou o exemplo de Conca, milionário e solitário no chinês Guaghzhou.
— Viste como o Conca está infeliz lá na China? Liga para ele, que é seu patrício. Ele vai te falar como está se sentindo.
Luigi e D'Ale sentaram-se poucas vezes à mesa desde que a proposta do Shanghai Shenhua estremeceu o Beira-Rio, há 12 dias. O presidente tratou do assunto diretamente com o procurado Aldao. Na quinta-feira, os dois chegaram a um acordo. Deixaram pequenos ajustes para sexta. O dirigente ligou para amigos exultante.
Mas, ainda na manhã de sexta-feira, o acertou recuou. O Inter manteve posição firme. Avisou Aldao que o clube chegara ao limite. Era pegar ou largar. Menos de 12 horas depois, houve nova rodada de reunião. O acerto acabou alinhado outra vez.
D'Alessandro treinou sábado já sabendo do acerto. À noite, foi ao Beira-Rio para assistir ao 3 a 1 dos reservas contra o Veranópolis — um hábito quando está fora do time. Chegou sozinho. Passou no vestiário para desejar boa sorte aos companheiros. Segundo pessoas que estavam no local, estava exultante. Tanto que o zagueiro Bolívar, ao final do jogo, revelou confiança na permanência do argentino.
— Ele vai ficar, tenho convicção disso. Podem apostar — disse o capitão.
Depois da partida no Beira-Rio, Aldao e Luigi voltaram a se encontrar. Perto da 1h de ontem, o Inter iria dormir certo de que seu craque estava garantido para a Libertadores e o resto da temporada.
O que diz o presidente Giovanni Luigi
Em entrevista a ZH, domingo à tarde, o presidente Giovanni Luigi exaltou a permanência do seu camisa 10 para o restante da temporada. Valorizou a atuação da torcida no processo de renovação com D'Alessandro e a postura do investidor Delcir Sonda, sócio do clube nos direitos econômicos do jogador. Confira o que disse Luigi:
Sobre o acordo com D'Ale
"É uma vitória de um clube grande, que pensa grande e quer se manter no topo, prosseguir neste caminho de vitórias."
Razões para o acerto
"Ajudaram muito a vontade do jogador de permanecer no clube e o desejo da família de ficar em Porto Alegre. Nem perto o Inter conseguiria chegar ao que ofereciam os chineses do Shanghai Shenhua (R$ 1 milhão mensais por dois anos de contrato)."
Aumento salarial
"O acerto com o jogador não fugiu dos padrões financeiros do clube. Não fizemos loucura para manter o jogador. Ajudou muito a relação dele com o clube e a adaptação e o gosto por Porto Alegre."
A pressão de Sonda
"O investidor foi fundamental nesse processo. Delcir Sonda poderia ter forçado a venda, mas, depois do Dorival, foi o primeiro a saber da proposta. Ele me disse: 'Vamos lutar para mantê-lo, não se preocupe comigo.'"
Tempo de contrato
"D'Alessandro não teve o contrato estendido. Seu vínculo é o mesmo, até 2015. Aliás, isso foi um trunfo que usei. Alertei-o de que na China teria só dois anos de contrato. Aqui, vai até 2015."








