Verba para torcer12/12/2013 | 13h50

Ministério Público quer coibir excesso de subsídios de clubes para as torcidas

Cadastramento das organizadas deve sair no início de 2014: quem não cumprir, será multado

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Ministério Público quer coibir excesso de subsídios de clubes para as torcidas Arte ZH Online/
MP vai exigir esforço dos times para identificar torcedores Foto: Arte ZH Online

O Ministério Público Estadual vai firmar um termo de ajustamento de conduta com o Grêmio, o Inter e a Federação Gaúcha de Futebol para coibir desproporções nos subsídios repassados pelos clubes — e para tirar do anonimato os membros de torcidas organizados. Quem descumprir o acordo será multado.

— Nada justifica, por exemplo, que uma torcida receba do clube 500 ingressos se tiver apenas 100 integrantes cadastrados — diz o promotor José Francisco Seabra Mendes Júnior, da Promotoria do Torcedor.

>> Grêmio repassou R$ 1,1 milhão em dois anos às torcidas organizadas

A intenção de Seabra é garantir que a lei seja cumprida: o Estatuto do Torcedor determina que toda torcida organizada tenha um cadastro de seus integrantes, mas os clubes pouco se empenham nisso.

Nesta quinta-feira, reportagem de Zero Hora revelou que as organizadas do Grêmio receberam R$ 1,1 milhão para viagens entre 2011 e 2012 — uma média de R$ 45 mil mensais — durante a gestão de Paulo Odone na presidência. Mais de 85% do montante foi repassado à Geral, torcida dividida no ano passado em dois grupos que se mantêm em guerra até hoje.

Cristiano Roballo Brum, o Zóio, que na época exercia o posto de número 2 na hierarquia da Geral, admitiu à reportagem que se sustentava com recursos do clube. Quem assinava os recibos ao buscar dinheiro vivo no Estádio Olímpico era o líder maior da torcida, Rodrigo Marques Rysdyk, o Alemão, que negou ter usado qualquer verba do Grêmio para fins pessoais. Alemão admitiu que ingressos repassados à organizada pelo Grêmio eram revendidos para "gerar um fluxo de caixa".

Conforme Seabra, o cadastramento deverá tornar mais transparente a relação entre os clubes e as organizadas. Os integrantes provavelmente receberiam carteiras de identificação, com apresentação obrigatória para ingressar nos estádios, e as torcidas receberiam subsídios proporcionais ao número de membros.

— Se os clubes pretendem estabelecer uma relação mais transparente com as organizadas, o cadastramento é uma maneira factível — afirma Seabra.

Conforme o promotor, a ideia é de que os cadastros estejam prontos no início de 2014. Caso o Grêmio ou o Inter descumpram o termo de ajustamento de conduta, sofrerão multas que ainda serão definidas. Atualmente, afirma Seabra, o Grêmio não tem cadastro de torcedores organizados. O Inter tem, mas está desatualizado, segundo o promotor.

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