Fora dos planos17/03/2013 | 19h02

Preterido por Luxa, Moreno revela: "Quando chego em casa, choro sozinho"

Em entrevista a ZH, atacante afirma que define situação até junho e não descarta ida para o Inter

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Preterido por Luxa, Moreno revela: "Quando chego em casa, choro sozinho" Diego Vara/
De goleador a rejeitado: Moreno não é relacionado por Luxa para os jogos do Grêmio Foto: Diego Vara

O atacante Marcelo Moreno se diz um homem triste. Preterido pelo técnico Vanderlei Luxemburgo, que nem o deixa no banco de reservas, o boliviano chegou a ser oferecido ao Palmeiras e desconhece as razões de sua rejeição no Grêmio. Sua situação, de goleador do time em 2012, a renegado em 2013, o tem feito chorar. Mas, até junho, pretende dar uma solução a esse desconforto. Nem que seja tomando o caminho adotado por Gabriel, o do adversário.

Zero Hora – Como você está lidando com esse período fora do time?
Marcelo Moreno
– É complicado para mim. Estou sempre treinando com muita vontade e dedicação. Mas as coisas não acontecem do jeito que eu estou querendo. É opção do treinador, e não da diretoria. Eu respeito como profissional.
 
ZH – Mas ao menos isso não afetou a sua convocação pela Bolívia.
Moreno
– A diretoria do Grêmio me liberou para a seleção (viajou sexta). Não sou nem opção para o treinador. Então, preferiram me liberar. Vai ser melhor estar com a seleção.

ZH – Como goleador do time em 2012, com 21 gols, você deveria ter mais chances?
Moreno
– As coisas poderiam ser diferentes. Mas é opção do treinador. Tenho contrato e sei que o torcedor conhece o meu trabalho do ano passado. Mas, esse ano, eu fui surpreendido. Não ser levado em conta nem nos jogos é algo que eu não esperava.

ZH – Luxemburgo justificou a decisão?
Moreno
– Não, em nenhum momento o professor Vanderlei falou. Só a diretoria conversou comigo, falando que eu ia ser uma opção. Mas não imaginava que eu seria o último na preferência do treinador. Isso me deixou muito triste. Mas nunca perdi a esperança. O que eu mais quero é voltar a jogar e dar alegria ao torcedor.
 
ZH – O técnico chegou a dizer "você não joga mais comigo"?
Moreno
– Eu sempre tive um bom relacionamento com o Vanderlei. Mas ele nunca chegou a me falar a razão de eu não estar jogando.
 
ZH – Qual a saída para essa situação?
Moreno
– O torcedor vai ver se eu estou fazendo falta ao time. Eu simplesmente estou trabalhando muito, treinando em dois turnos quase todos os dias. É a única coisa que eu posso fazer. Quem vai me colocar em campo de novo é o torcedor. Tenho certeza disso.

ZH – Sua presença no vestiário (como no jogo contra o Caracas, na Arena) facilita a reintegração ao grupo?
Moreno
– Tenho um bom relacionamento com todos. Não vejo por que não ir ao vestiário, sabendo que meu companheiro vai entrar em campo. O importante é que o Grêmio saia vencedor. Acho que a minha presença foi muito importante. Muitos jogadores falaram que eu fiz o certo em ter ido, mesmo nessa situação. Vou continuar torcendo pelo Grêmio, pelo grupo, que é o mais importante, para que a gente possa passar essa fase na Libertadores.

ZH – E as declarações do seu pai?
Moreno
– Por tentar me defender, tem vezes que ele fala algumas coisas até demais, que não deveria ter falado.
 
ZH – Você foi procurado por vários clubes do país. Por que você não saiu do Grêmio?
Moreno
– Não saí pelo Grêmio, pelo torcedor. Estou apaixonado pela torcida e vai continuar sendo assim. É por isso que fiquei, independentemente de todo esse momento que estou passando. Sabendo que, em um ano, fui goleador e, no outro, nem no time B estou. Quando chego em casa, choro sozinho. É o meu trabalho, minha vida. É tudo estranho. Em um ano, sou o cara; no outro, não sou ninguém. E não tem nenhuma explicação. Mas eu sou guerreiro, passei por momentos difíceis. Isso vai me deixar mais forte ainda.

ZH – Para algum clube tirá-lo do Grêmio, o que teria que oferecer?
Moreno
– Até junho, vou pensar direitinho. Tenho que priorizar a minha felicidade, que é estar em campo. E treinando no time C, não vou me sentir feliz. Vou pensar com calma em junho para ver o que vou fazer.
 
ZH – É inevitável associar o seu caso com o do Gabriel.
Moreno
– Na época, eu me sentia muito triste ao ver um companheiro passar por uma situação dessas. Imagino que meus próprios companheiros estão me vendo e ficam tristes também. 

ZH – O Luxemburgo disse ao Gabriel que ele não tinha o perfil técnico que ele queria.
Moreno
– Ao menos com o Gabriel ele chegou a conversar, né? E pelo menos o Gabriel tinha um motivo para saber porque não estava jogando. Se eu estivesse no banco, tudo bem. É uma opção. Mas ficar fora do banco sem nem saber o porquê, é diferente. 

ZH – Se você recebesse proposta, poderia seguir o caminho do Gabriel e ir para o Inter?
Moreno
– Quem sabe? Em junho, vou tomar uma decisão. Se tiver um interesse realmente forte e eu souber que lá vou ser feliz e respeitado, por que não? 

ZH – Você gosta de Porto Alegre?
Moreno
– Gosto muito. Me adaptei muito bem, o torcedor me trata muito bem. É isso que me faz a cada dia acordar e ir trabalhar. É o que me deixa mais feliz no momento.

ZH – E os boatos sobre a vida noturna, que atrapalharia o rendimento?
Moreno
– Eu sei o momento de me divertir, fazer as minhas coisas. Sempre com responsabilidade, sabendo que tenho contrato com um grande clube, onde devo fazer as coisas certas. Mas são coisas que o pessoal coloca quando você não está jogando. É inevitável.

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