Marcado para segunda-feira, dia 11, o treino de reconhecimento do Estádio Olímpico da Universidad Central da Venezuela irá expor os jogadores do Grêmio a uma realidade assustadora. Irregular, esburacado e com muitas partes sem grama, o campo do Caracas é um dos piores da Libertadores.
– É, disparado, o pior gramado que já pisei em toda a minha vida – garante o atacante gaúcho Rafael Sobis.
O ex-colorado era um dos jogadores do Fluminense na noite de 13 de fevereiro, data do primeiro jogo das equipes que compõem o Grupo 8. O time carioca venceu o Caracas por 1 a 0, gol de Fred, mas sofreu muito com o campo. Sobis cita um lance em que o meia Wagner, jogador de técnica apurada, tentou dominar a bola e ela bateu em seu joelho, escapando ao controle.
– Até mesmo os jogadores do Caracas reclamam. Dizem que é impossível jogar em um piso assim. Como jogo no lado do campo, onde existe um pouco mais de grama, sofri um pouco menos – recorda.
Segundo o diretor executivo Rodrigo Caetano, os problemas transcendem o gramado. O dirigente observou um estádio em más condições de manutenção, com vestiários "deteriorados". Mas sobram elogios ao comportamento civilizado dos moradores da cidade.
– É um povo muito hospitaleiro, que se esforça para agradar. Não sei como está a situação agora, com a morte de Hugo Chávez – diz Caetano.
As más condições do campo se justificam por seu uso contínuo. Como se localiza no campus da Universidade Central da Venezuela, é usado em práticas esportivas por professores, alunos e funcionários. Na passagem por Caracas, o técnico Abel Braga criticou o fato de até mesmo partidas de rúgbi serem disputadas no local.
– Como é a universidade que gere o estádio, ele é utilizado em todas as modalidades esportivas. O campo fica muito suscetível ao calendário de aulas, tem buracos inacreditáveis. E há uma parte totalmente sem grama – relata o jornalista carioca Rodrigo Lois, que cobriu a partida entre Fluminense e Caracas.
Lois também observou uma intensa participação dos torcedores do Caracas, mesmo que partida tivesse registrado pouco mais de 13 mil presentes. São basicamente jovens, entusiasmados com a ascensão obtida pelo clube nos últimos anos. A partir de 2001, foram oito títulos nacionais.













