Entrevista exclusiva06/03/2013 | 22h01

Aos 38 anos, Zé Roberto exalta boa fase no Grêmio: "Sou o tocador de piano"

Capitão gremista recebeu a reportagem de ZH em seu condomínio, no bairro Três Figueiras

Enviar para um amigo
Aos 38 anos, Zé Roberto exalta boa fase no Grêmio: "Sou o tocador de piano" Fernando Gomes/Agencia RBS
Zé Roberto conversou com ZH na beira da piscina de seu condomínio Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Aos 38 anos e com fôlego interminável, o meia e capitão do Grêmio Zé Roberto tem tantos planos na carreira como um iniciante. Um deles, voltar à Seleção Brasileira, como reafirmou a Zero Hora, durante um bate-papo no condomínio onde mora, no bairro Três Figueiras, em Porto Alegre.

Ele não hesita em definir o momento atual como um dos melhores da carreira.

– Por ter sido muito tempo o carregador de piano, tendo que correr atrás e marcar pra caramba, hoje posso dizer que sou o tocador de piano. Não sou maestro, há muitos por aí – resume.

 

Seleção Brasileira
"A avaliação positiva que é feita sobre meu trabalho no centro do país fez despertar o desejo de ser convocado novamente. Pela nova filosofia que está sendo implantada, de convocar jogadores experientes, e pelo momento muito bom de minha carreira, acho que a convocação poderá acontecer naturalmente. Felipão já me conhece e Parreira me convocou várias vezes. Mas não reivindico, nunca fiz isso, sempre fui convocado pelo meu trabalho. Em 2007, decidi não aceitar disputar a Copa América por estar voltando para a Alemanha (contratado pelo Bayern de Munique). E, também porque só fui lembrado depois de Kaká e Ronaldinho terem pedido dispensa".

Grêmio favorito?
"Possibilidade existe. O Grêmio manteve a base, acrescentou jogadores. Mas ainda precisa de tempo de adaptação para crescer na competição. Hoje, eu colocaria Corinthians e Atlético-MG como favoritos. O Corinthians pelo time que montou e o Atlético-MG pelo que está jogando".

Zé goleador
"É uma novidade. Antes, eu fazia mais assistências, hoje tenho um novo posicionamento. Sempre gostei de infiltrar na área, aparecer como opção para concluir a gol. Com a chegada de Barcos, isso ficou muito mais fácil. Ele consegue ter a minha leitura de jogo. Dei a ele o apelido de facilitador, que era como Parreira me chamava na Seleção Brasileira na Copa de 2006".

Forma física
"Não tem nenhum segredo. Colho hoje aquilo que plantei no passado. Quando fui pela primeira vez para a Alemanha (Bayer Leverkusen, em 1998), adquiri o hábito de fazer abdominais antes ou após os treinamentos, para fortalecer a região do adutor e das costas. Não sou vaidoso, não faço por estética, só por prevenção. Hoje, faço de 500 a 600 abdominais por dia. No Grêmio, só Werley me acompanha (risos). Em 20 anos de carreira, nunca tive uma lesão muscular, apenas desconforto ou dor".

Aposentadoria
"Eu mesmo estou surpreso com meu rendimento. Em 2006, quando vim para o Santos, pensava parar aos 35 anos. Havia uma discriminação em relação a jogadores mais velhos, a imprensa dizia que jogador com mais de 30 já estava em fim de carreira. Hoje, termino os jogos inteiro e me sinto bem no dia seguinte. Dá para jogar tranquilo mais uns dois anos. Ainda tenho muita lenha por queimar".

Respeito dos colorados
"Gostaria muito de encerrar minha carreira no Grêmio. Me identifiquei muito com o clube. E rapidamente. Aqui, me sinto em casa. Nas ruas, até os colorados pedem autógrafos e tiram fotos comigo. É bonito ver crianças e pessoas de mais idade admirando seu trabalho. Isso é gratificante". (nesse momento, um vizinho se aproxima e diz que Zé Roberto é a pessoa mais humilde do prédio).

O papel no grupo
"A grande contribuição que posso dar a quem começa é mostrar meu profissionalismo. Os mais jovens olham meu currículo de 20 anos de carreira, com diversas conquistas, sonhos realizados, duas Copas dos Mundo, 14 anos na Europa e devem entender que esse é o caminho a ser percorrido. Eles devem pensar: um cara que conquistou tudo isso nem precisaria dar carrinho para marcar, chegar uma hora antes dos treinamentos e ser um dos últimos a sair".

A fase
"Vivo hoje um dos melhores momentos de minha carreira. Estou no mesmo nível de 2007, no Santos. O melhor momento foi em 2001, no Bayer Leverkusen, quando fomos para a final da Copa da Alemanha e da Liga dos Campeões contra o Real Madrid (a equipe espanhola foi campeã). Nesse mesmo ano, o Bayern de Munique me contratou".

A mãe
"Só sou jogador por causa de minha mãe. Ela sempre me incentivou. Sustentava sozinha uma família com seis irmãos. Quando eu desisti de tentar ser jogador para trabalhar como office boy, ela me inscreveu para testes na Portuguesa e Corinthians. Na Portuguesa, fui reprovado na peneira. Ela não aceitou e foi ao treinador pedir que me desse uma nova  chance. Não achava justo eu ter sido reprovado depois de aguardar cinco horas pelo teste e ser observado só por 10 minutos. Aí, recebi nova chance e fui aprovado".

Siga zh_gremio no Twitter

clicRBS
Nova busca - outros