Descanso01/02/2013 | 19h05

Pai de Fernando se aposenta e espera filho para comemorar no Gre-Nal 395

Seu João Martins, funcionário do Ypiranga, dá os últimos retoques no palco do clássico

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Pai de Fernando se aposenta e espera filho para comemorar no Gre-Nal 395 Fernando Gomes/Agencia RBS
Funcionário do Ypiranga há 17 anos, Seu João, pai de Fernando, se aposenta neste sábado Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS
Jones Lopes da Silva, direto de Erechim

jones.silva@zerohora.com.br

O seu João Martins estava ansioso pelo telefonema do filho, Fernando, o volante do Grêmio. Já à primeira hora de sexta-feira, depois da goleada sofrida pelo Grêmio B diante do São Luiz de Ijuí, Fernando ligou para o velho.

— Pai, eu vou a Erechim. Me esperem.

Seu João comemorou. Neste sábado, será seu último dia como funcionário do Ypiranga. Último dia após 17 anos como funcionário do clube, último dia de seus 37 anos como trabalhador com carteira assinada. Seu João vai se aposentar.

Aos 63 anos, vai para casa ao lado de dona Neusa, 60 anos, mãe de Fernando. Por isso o pai estava apreensivo pela visita do filho. Queria que ele participasse deste momento especial.

— Quando soube que ele viria, fiquei mais alegre — disse João, um negro cor de cuia, de fala com os arranques típicos do sotaque do gaúcho do Interior.

Ainda ontem, seu João estava envolvido com a marcação do campo que o filho vai jogar. De chapéu, calça, um jaleco sobre a camisa, ele enfrentou o calor intenso do sol sobre o gramado, preparou a tinta para pintar o campo de jogo, enfim, foi até o último momento da carreira doando o seu suor. Quando Zero Hora o convidou para falar um minuto em meio ao trabalho, ele se saiu assim:

— Mas bah, como eu vou parar? Não posso deixar os caras mal — disse, referindo-se aos companheiros que também trabalhavam no clube.

João acabou cedendo e concedendo a entrevista, mas não sem muita insistência:

— Eu quero sair limpinho.

Fernando sabe do que o pai está falando. O garoto acompanhava o pai quando este saia para trabalhar no Colosso da Lagoa. Os Martins moravam bem próximo do estádio, e Fernando cresceu batendo bola nesse gramado até arranjar um emprego de gandula.

Em 1995, no ano do segundo título da Libertadores do Grêmio, Fernando era gandula do Ypiranga. Depois de passar pela escolinha do Odair, ex-Grêmio, e Juventude, o volante chegou ao Olímpico.

Por essa época, a família já tinha comprado casa própria, de três quartos, de material na frente e divisórias de lambris atrás. Para adquirir a casa e manter Fernando, mais Rodrigo e Alessandra, os filhos, João e Neusa passaram dois anos em economia geral:

— Foram dois sem comer carne, só guisado e ovo cozido — disse João.

Agora, morando no bairro Vitória Dois, em Erechim, os pais exibem com orgulho as faixas e as medalhas que o filho lhes manda como guardiões de suas conquistas. Uma delas é uma chuteira em que o colorado Guiñazu rasgou atrás com uma carrinho.

A chuteira, costurada, é um troféu na sala. A próximo troféu da família é o neto. Fernando vai ser pai de David no final de abril. Os avós não se aguentam mais de alegria.

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