No divã16/02/2013 | 15h03

Comentaristas opinam sobre escalação e poder de Luxemburgo no Grêmio

Entrosamento do time e questão Arena x Olímpico também foram analisadas por jornalistas

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Comentaristas opinam sobre escalação e poder de Luxemburgo no Grêmio Ricardo Duarte/Agencia RBS
Grêmio foi surpreendido e derrotado na Arena pelo Huachipato Foto: Ricardo Duarte / Agencia RBS

A convite de Zero Hora, comentaristas responderam a quatro perguntas sobre o Grêmio após a derrota para o Huachipato pela Libertadores. Maurício Saraiva, Rodrigo Bueno, Lédio Carmona e Paulo Vinícius Coelho analisaram a escalação o entrosamento do time, a questão Arena x Olímpico e o poder de Luxemburgo no clube.

1) A escalação contra o Huachipato, com Adriano no lugar de Fernando, e a estreia de André Santos, nitidamente sem ritmo de jogo, foram decisões acertadas?

Maurício Saraiva, comentarista da RBS TV - Acho que a única decisão equivocada de Luxemburgo foi ter mexido no setor que estava pronto e funcionava de forma ideal com os remanescentes do ano passado, que era Fernando e Souza e Elano e Zé Roberto. Não havia nenhum motivo técnico para que ele tirasse o Fernando e colocasse o Adriano. É a segunda vez, aliás, que ele abre uma posição fechada no time. Primeiro ele fez isso com o goleiro (tirou Marcelo Grohe para colocar o Dida) e agora faz isso, equivocadamente, com um volante. Mas, se eu fosse ele, também começaria com André Santos e Barcos.

Rodrigo Bueno, comentarista da Fox Sports - Com exceção feita ao Adriano no lugar do Fernando, que é um baita jogador e não pode sair do time, o Luxemburgo fez certo em começar o jogo com Barcos e André Santos. O André Santos acabou com a improvisação do Pará. Se o clube fez um esforço para trazer esses jogadores, tem que colocar para jogar.  Contra a LDU mesmo, no Equador, defendi que o Vargas tinha de ter começado entre os titulares.

Lédio Carmona, comentarista do SporTV - Acho que o Fernando é um dos melhores volantes do país. Tirar um jogador com técnica, boa saída de bola, bom chute de fora da área, para colocar um volante de contenção, acho errado. Não acho o Adriano ruim, mas o Fernando é muito melhor tecnicamente.

Paulo Vinícius Coelho, comentarista da ESPN Brasil - Acho que essa responsabilidade o Vanderlei Luxemburgo não tem. O Grêmio poderia ter contratado antes. Se os jogadores chegam em cima do laço, ele tem que colocar para jogar. Não acredito que essa seja o problema também. Acho que o time está muito preso num esquema e, assim como contra a LDU, não conseguiu se infiltrar no adversário.


2) Se uma das razões para a derrota foi o desentrosamento, os titulares não deveriam estar atuando em mais partidas do Gauchão?

Maurício Saraiva
- Acho que não todos de uma vez só, mas para uma questão de ritmo de jogo, por exemplo, para o Vargas, seria interessante. Ele poderia ser colocado no Gauchão para retomar o ritmo que ele não tinha na Itália, onde quase não estava jogando. Mas acho que os titulares não jogarem o Gauchão, não me parece que seja a causa principal da atuação ruim de quinta-feira.

Rodrigo Bueno - Em algumas partidas, sim. No começo do ano, o Grêmio estava numa sinuca de bico, as partidas contra a LDU tinham mesmo que monopolizar toda a atenção do time. Se fosse eliminado, o ano estava perdido. Mas passada aquela fase, tem de colocar o time pra jogar. Tenho uma tese que muita gente não entende, mas Libertadores se ganha com um time, não com um grande elenco. Com grupo se ganha o Brasileirão de pontos corridos. É necessário usar o Estadual porque o time do Grêmio ainda não existe, precisa ser montado.

Lédio Carmona - É errado o Vanderlei não estar utilizando o Estadual para treinar o time. O time mudou muito, tem muita qualidade, está fortíssimo, é candidato para ganhar qualquer título que disputar este ano, mas não tem conjunto. Resolver na base da técnica, não adianta. O Barcos e o André Santos acabaram de chegar, mas o Vargas poderia estar jogando o Gauchão.

Paulo Vinícius Coelho - Num jogo ou outro, sim, mas não em todos. Essa semana houve um erro grosseiro, grave, que foi pouco apercebido: o calendário não pode promover um jogo do Grêmio na quarta e um na quinta, por mais que o clube use times diferentes. Por pouco não aconteceu como em 1994, quando o Grêmio jogou mais de uma partida no mesmo dia, bateu na trave. O Grêmio não está jogando com os titulares o Campeonato Gaúcho porque o calendário brasileiro é um absurdo.


3) Qual é o peso dessa confusão entre Arena e Olímpico no rendimento da equipe?

Maurício Saraiva
- Isso virou uma espécie de válvula de escape para uma atuação ruim do Grêmio, pois o gramado era ruim para o Grêmio e para o Huachipato. O Grêmio construído como no ano passado, com o meio de campo mantido, acredito que tinha plena condição de superar o gramado ruim.

Rodrigo Bueno - O Vanderlei é mestre em desviar o foco. Quando ele perde normalmente vai desviar do assunto principal que é a derrota. O Grêmio tem total condição de jogar na Arena. Acho que é um retrocesso voltar para o Olímpico, até por questões comerciais. O Grêmio deveria aproveitar esse momento de dificuldade e transformar a Arena num novo Olímpico, com espírito guerreiro.

Lédio Carmona - Acho que isso não está atrapalhando o time. O gramado, por exemplo, pode até atrapalhar, mas, ontem, o Vanderlei criou um factoide para tirar o foco da derrota, faz parte da estratégia dele. O Grêmio está mudando para melhor, agora, se o gramado não está bom, que tivessem visto isso antes.

Paulo Vinícius Coelho - O peso é 1 de 1 a 10. O Vanderlei criticou o gramado para tirar o foco da derrota. Contra a LDU ele não falou nada. É uma vergonha o gramado da Arena, mas o Grêmio não perdeu por causa disso, não é justificativa.


4) Vanderlei Luxemburgo não tem poderes demais no clube?

Maurício Saraiva
- Votei no Luxemburgo para melhor treinador do Campeonato Brasileiro passado porque acho que fez um trabalho extraordinário. Gosto dele quando fica focado no trabalho em campo. Quando a atenção se desvia para outras coisas, há prejuízo na atuação dele. Como o Luxemburgo gosta de ir além do campo, a medida que se dê espaço para que isso aconteça, ele vai ocupar. Mas é um treinador de ponta e precisa de tempo para formar um time com esses jogadores que foram contratados. O time que o Grêmio formatou agora é do nível das melhores equipes que o Luxemburgo dirigiu. Corinthians, Palmeiras, Santos e Cruzeiro eram times experientes, com jogadores famosos, com bagagem de seleção e o Luxemburgo costuma se dar bem com esse tipo de plantel.

Rodrigo Bueno - Para todo clube que o Vanderlei vai tem essa tendência de ser manager. Ele recebeu muitos elogios aqui no Sudeste por estar retomando a carreira de técnico mesmo. Se atribuiu o bom trabalho dele no ano passado ao fato de estar só se preocupando com o time. Mas, inconscientemente, o Vanderlei começa a dar pitaco em área que não é a dele, como empresário, indicando jogador, na gestão do clube, nas categorias de base, não gosta que nada no clube aconteça sem que ele saiba. O Vanderlei é muito personalista, tem um ego muito grande, é uma característica dele.

Lédio Carmona - Como tem sido sempre. Mas quem contrata o Vanderlei sabe que vem no pacote. Mesmo assim, tem feito um bom trabalho no Grêmio, o time que ele montou é muito forte, soube escolher muito bem as peças. Ainda não conseguiu o equilíbrio, mas jogou muito poucas vezes e isso leva tempo mesmo. Agora, a campanha era para ser melhor, ele vai começar a ser cobrado.

Paulo Vinícius Coelho - Ele sempre tem poder demais. Acho até que na época da eleição ele deixou de ter um certo poder. Mas ele tem poder para fazer as coisas boas e ruins. Contratar o Cris e o André Santos não é bom. O Vanderlei foi o melhor técnico do Brasil durante 12 anos, mas há muito tempo, uns cinco ou sete anos, ele não consegue repetir o que já fez. Não dá para dizer porque acontece isso, pode ser por inúmeros fatores. O fato é que ele era o técnico que ganhava títulos nacionais e, atualmente, é o técnico que ganha títulos estaduais.

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