Para levantar a taça23/01/2013 | 07h32

Zagueiro multicampeão, Cris admite obsessão: "Me falta uma Libertadores"

Experiente defensor de 35 anos será o comandante da zaga tricolor na competição continental

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Zagueiro multicampeão, Cris admite obsessão: "Me falta uma Libertadores" Diego Vara/Agencia RBS
Zagueiro Cris pretende conquistar sua primeira Libertadores com a camisa do Grêmio Foto: Diego Vara / Agencia RBS
Luís Henrique Benfica, Enviado especial a Quito
Luís Henrique Benfica, Enviado especial a Quito

luis.benfica@zerohora.com.br

Cris dispensa o elevador e percorre a pé os três andares que vão do lobby até o restaurante do hotel da concentração do Grêmio, aqui em Quito. No trajeto, a pedido de Zero Hora, enumera, sem lapsos de memória, os diversos títulos obtidos na carreira. E conclui, como quem faz uma promessa:

— Ainda me falta uma Libertadores da América.

Trazido do Galatasaray, da Turquia, o zagueiro de 35 anos é, de fato, um dos trunfos do clube para tentar o tricampeonato do torneio, depois das vitórias de 1983 e 1995 (ambas, vale lembrar, sob a presidência de Fábio Koff, atual mandatário). A tentativa começa na noite de hoje, contra a LDU.

Le Policier, o policial, apelido que Cris recebeu do volante ganês Michael Essien, companheiro por dois anos no Lyon, da França, vale-se de um respeitável cartel de conquistas para se impor como novo comandante da defesa. Ou xerife, como preferem alguns torcedores. No Brasil, foram dois Campeonatos Brasileiros (1998, pelo Corinthians, e 2003, pelo Cruzeiro), e duas Copas do Brasil (1995, pelo Corinthians, e 2003, pelo Cruzeiro).

Com a camisa azul e vermelha do Lyon, onde foi capitão, ganhou, em nove anos, quatro vezes o Campeonato Francês, duas Copas da França e três Supercopas da França. Estava na Seleção Brasileira que, em 2004, conquistou a Copa América. Pelo Lyon, jogou mais de 60 partidas de Liga dos Campeões, a mais valorizada das competições do planeta. O que lhe permite estabelecer uma comparação com a Libertadores.

— Claro que é muito elegante jogar uma Liga dos Campeões. Mas falta essa rivalidade que temos aqui na América do Sul. Não há os duelos entre jogadores, que geram tantas histórias. Aqui, é preciso superar muitas dificuldades fora de campo, antes dos jogos, o que não ocorre na Europa. Por isso, é muito difícil ganhar uma Libertadores — analisa, bem articulado nas palavras. 

Os treinos em Quito evidenciam a faceta "policial". Com voz grave, Cris orienta todo o time. Vanderlei Luxemburgo se encanta com sua liderança. Os companheiros também.

— Gilberto Silva era mais contido, tranquilo. Cris é mais incisivo, chega junto, faz o jogo pegar fogo. Isso é importante para um zagueiro — observa Saimon, parceiro de zaga, 21 anos, 14 mais jovem.

Foi o estilo viril de Cris em campo que inspirou Essien a dar o apelido. Ainda sem entender direito o francês, o zagueiro brasileiro recém chegado ao Lyon perguntou a Juninho Pernambucano o que o ganês pretendia dizer.

— Ele disse que eu era muito aguerrido, não dava risada para ninguém dentro de campo, era difícil passar por mim. Pegou. O torcedor também passou a me chamar de policier, a imprensa usava a palavra nas matérias. Foi muito legal. Ainda mais depois que aprendi francês e passei a compreender tudo — recorda.

Virilidade não significa violência, esclarece Cris. Ele diz já ter superado a fase em que cometia muitas faltas e frequentemente recebia cartões. Nesse sentido, tem sido um assíduo orientador de Saimon, a pedido de Luxemburgo.

— A experiência nos dá noção de posicionamento. Na Libertadores, não poderemos perder jogadores por cartões vermelhos — adverte.

Cris ainda não teve tempo de conhecer Porto Alegre. Na Capital, onde desembarcou no último dia 3, direto da Turquia, gastou os primeiros dias entre os treinamentos e a concentração, e logo viajou para Quito. Como a maratona prossegue depois da volta, vai deixar para a mulher, Tatiane, a responsabilidade de acomodar a família na nova cidade.

Tarefa fácil para ela, que já tinha providenciado a mudança de Lyon para Istambul, onde a família passou três meses. Junto com a mulher, virão os quatro filhos: Raissa, sete anos, e Manuela, cinco, nascidas em Lyon, e Vinícius, 15, e Igor, 12, ambos brasileiros, frutos do primeiro casamento.

— Amigos que moram aqui falam muito bem da cidade. Acho que não terei dificuldades de adaptação — prevê.

Como não pretende alongar muito a carreira, Cris, a exemplo de Zé Roberto, não descarta o encerramento da carreira no Grêmio. Talvez com mais uma faixa - desta vez, a da aguardada Libertadores.

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