O meu jogo inesquecível01/12/2012 | 06h31

Peninha: Olímpico, um estádio de espírito

Em série, gremistas ilustres falam sobre momentos marcantes do Estádio Olímpico

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Peninha: Olímpico, um estádio de espírito Editoria de arte online/ZH
Foto: Editoria de arte online / ZH

O Gre-Nal de domingo marca o último jogo do Olímpico. Entre a inauguração, em 1954, e o clássico derradeiro, foram muitos jogos, emoções e histórias. Em série de ZH, gremistas ilustres contam jogos que marcaram suas vidas. No quinto e último capítulo, a história de Eduardo Bueno, escritor e jornalista.

Eduardo Bueno*

Meu jogo inesquecível no Olímpico... foram todos. Os mais de mil que assisti em 44 anos e também aqueles nos quais não fui, pois nem era nascido. As vitórias épicas, as derrotas vendidas caro, os empates modorrentos e até um ou outro zero a zero com chuva... Afinal, o Olímpico é meu — e de todos os gremistas. Até porque foi comprado — e pago; não foi esmolado junto ao governo, nem configurou um crime ecológico contra o soberbo Guaíba. Portanto, não só as arquibancadas de concreto, cada tijolo, todos holofotes, a cobertura (aliás completa) e o gramado, mas tudo o que aconteceu lá, desde aquele 19 de setembro de 1954, quando o Grêmio bateu o grande Nacional do Uruguai, por 2 a 0, pertence a nós, imortais tricolores.

Mas claro que tive meu jogo inesquecível em quase meio século de convivência com o monumental estádio. Ele bem poderia ser aquele do título do Gauchão de 1977, ou o do primeiro Brasileiro em 1981, ou a primeira Libertadores em 1983 — uma Libertadores de verdade, dos tempos em que não existiam finais caseiras nem jogos contra mexicanos com nome de uísque em gramado sintético; ou quem sabe até aquele empate em 3 a 3 contra o Encantado, em 1974, lembra? Mas não: calhou de ser logo o meu primeiro jogo no Olímpico, em 2 de junho de 1968, quando eu tinha 10 anos. O Grêmio sagrou-se heptacampeão depois de tocar 4 a 0 no seu rival municipal, no Gre-Nal 187!

Por essa e por muitíssimas outras é que o Olímpico viverá para sempre em nossas mentes e nossos corações — e na ponta de nossos pés. Porque o Olímpico é um caldeirão mágico, uma panela de pressão a ferver músculos e nervos e ossos; sangue, suor e lágrimas - lágrimas dos outros, é claro. Mas, acima de tudo, o Olímpico é um estádio de espírito! Imortal, como o Grêmio!

* Eduardo Bueno, 54 anos ( e 44 de Olímpico), escritor, jornalista e gremista desde antes do berço. Autor de mais de 30 livros — quatro deles sobre o Grêmio.


Leia os textos dos outros participantes da série:

Cláudia Tajes: o brilho do Olímpico não vai sair da gente

Carlos Gerbase: o Gre-Nal que nunca acabou

Sérgio Xavier: o dia em que ninguém sentou no Olímpico


Glênio Reis: o piá iluminado na final da Libertadores de 1983

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