Eram 18h de sábado quando os 24 portões da Arena do Grêmio foram abertos e os torcedores, de câmera e celular em punho, entraram em sua nova casa pela primeira vez. Logo na hora de mostrar o ingresso, alguns deles já tiveram uma pista do que encontrariam: um estádio tinindo de novo, tão novo que ainda havia bastante a acertar. Numa das entradas, os portões defronte às catracas não abriram, e funcionários tiveram de conferir os ingressos “no olho”.
Problemas também ocorreram dentro do estádio. Devido a uma falta d’água, vários banheiros ficaram fechados ou funcionavam parcialmente. Nenhum dos imprevistos, porém, diminuiu o entusiasmo de quem foi ao jogo e viu um estádio com itens inéditos no Brasil. No mezanino externo, havia uma profusão de placas indicando os portões, a circulação era fácil, os funcionários, atenciosos. Achar o assento foi fácil.
— É como uma casa nova, vamos arrumando aos poucos. A Arena precisa de ajustes na operação, mas só é possível fazer isso com os jogos — disse Eduardo Antonini, da Grêmio Empreendimentos
O QUE FUNCIONOU
Acessos
As rampas são amplas — não há aperto para chegar ao mezanino. Ali, vários tótens orientam onde está cada um dos 24 portões.
Pode melhorar: a sinalização nos portões, com a descrição do setor a que dão acesso, além do número e da letra.
Filas
A entrada nos portões foi bem rápida, especialmente perto do início do show, às 20h.
Pode melhorar: grandes aglomerações se formaram na entrada porque a Brigada Militar decidiu revistar os torcedores antes das rampas, em vez de fazê-lo na entrada dos portões.
Circulação interna
Caminhar pelos corredores de bares é bem mais tranquilo do que no Estádio Olímpico. Chegar à cadeira, também: há muitas entradas para os assentos, com placas indicativas orientando o torcedor.
Pode melhorar: em alguns setores, o espaço curto entre as fileiras faz os torcedores se levantarem para alguém passar.
Acessibilidade
Os lugares para cadeirantes são excelentes, com uma visão privilegiada do jogo e cadeira para acompanhante.
Pode melhorar: mais informações. A ouvidoria do clube garantiu que, pelo sistema, cadeirante não pagaria, acompanhante, sim. Na Arena, uma pessoa com deficiência teve de ir a três portões diferentes até conseguir o direito.
Elevadores
Elevadores levam o torcedor do estacionamento direto ao seu setor.
Pode melhorar: alguns deles não funcionaram e obrigaram torcedores a subir oito lances de escada até o anel superior.
Bares
Impressiona o número, e a variedade de produtos é maior do que no Olímpico.
Pode melhorar: o serviço lento provocou filas e os preços espantaram torcedores – um copo de refri saía por R$ 5.
Trensurb
Até as 20h, os vagões que chegavam do centro de Porto Alegre e da Região Metropolitana à Estação Anchieta não davam sinais de superlotação. Após descer na estação Anchieta, os torcedores percorriam a pé uma distância de 1,6 quilômetro para ingressar no estádio – a caminhada de 15 minutos, pela Rua José Pedro Boéssio, consumia bem menos tempo do que fazer o mesmo trajeto de carro.
Pode melhorar: a iluminação da Rua José Pedro Boéssio e da Avenida Padre Leopoldo Brentano não é boa.
Acesso por carro
Os engarrafamentos ocorreram, mas em número bem inferior ao esperado. A explicação pode ter sido a antecipação da chegada. Às 19h30min, o fluxo de veículos pela Avenida Voluntários da Pátria, pela A.J. Renner e pela José Pedro Boéssio já era diminuto. Nessas três vias, a EPTC estava barrando a passagem de veículos sem acesso especial ao estádio em um perímetro de quase um quilômetro antes de chegar à Arena. A saída dos estacionamentos foi complicada devido ao excesso de carros.
Pode melhorar: para a EPTC, a solução seria a ampliação da Avenida A.J. Renner.
Segurança
O policiamento da BM no entorno da Arena, antes e depois do evento, resultou em números ínfimos de delitos. Só 18 ocorrências foram registradas entre as 7h de sábado e as 4h de domingo. Segundo o tenente-coronel Alberi Barbosa, comandante do 11º BPM, não houve furtos ou roubos. As ocorrências envolveram porte de entorpecentes, desacato e brigas.
Pode melhorar: o ideal é manter a mobilização.
O QUE MELHORAR
Gramado
Nos primeiros minutos de partida, o gramado mostrou que não está em boas condições, pelo menos parte dele. Funcionários do estádio entravam em cada parada para tapar os buracos que se abriam, mas não demorou muito para o árbitro proibir a ação. Segundo o presidente da Grêmio Empreendimentos, Eduardo Antonini, o problema ocorreu na costura dos fios sintéticos, responsáveis pela sustentação. Das duas máquinas que chegaram da Europa para o serviço, uma quebrou. Antonini ressalta que faltaram cinco metros em cada lateral, tanto que a parte central não teria sido afetada.
O que será feito: Antonini diz que o trabalho de costura será retomado hoje e deve ser concluído em três dias.
Briga da Geral
A Geral do Grêmio foi o ponto destoante numa noite que deveria ser só de alegria. Uma briga entre seus integrantes, iniciada ao final do primeiro tempo, resultou em sete detenções pela BM e registro de ocorrência no Juizado Especial Criminal (JeCrim). Com antecedentes, um dos torcedores irá responder a processo criminal. Os demais concordaram em pagar R$ 100, em uma transação penal. Em texto publicado no Facebook, a Geral pediu desculpas. “Somos humanos, ERRAMOS, e devemos a toda nação Tricolor, e a nossa nova casa, um pedido de perdão. ”
O que será feito: o Grêmio promete monitorar os torcedores por câmeras.
Banheiros
Dos 200 banheiros, muitos estavam fechados. Questionados sobre o motivo de lixeiras interromperem o acesso, funcionários diziam que era por falta de água. Segundo o presidente da Grêmio Empreendimentos, Eduardo Antonini, apenas 22 ficaram fechados. No entanto, dos que estavam abertos, em muitos não havia água. O problema começou durante o teste de pressurização, feito três dias antes da inauguração, que provocou o estouro em uma estrutura chamada de coluna de água, causando grande vazamento e deixando a água sem pressão em parte do estádio.
O que será feito: a promessa é de que os banheiros estejam em condições no Jogo Contra a Pobreza, no dia 19.
Táxis e ônibus
Faltaram táxis e ônibus na volta da Arena. Por ser longe, os poucos carros que saíam custavam a retornar ao local. Torcedores deixaram a Arena de trensurb e foram pegar táxi na Rodoviária – e também não havia carros suficientes. A oferta de ônibus também foi insuficiente.
O que será feito: o Sindicato dos Taxistas disse que a falta de divulgação dos pontos aos profissionais causou o problema. A EPTC promete reforçar as saídas de ônibus nos próximos jogos.
Celular e internet
Não havia como telefonar nem acessar a internet em boa parte dos celulares dentro da Arena. Isso ocorreu porque o número de pessoas tentando utilizar os serviços foi muito superior ao que normalmente é registrado na área, sobrecarregando as redes de telefonia. Apenas a Oi, que na semana passada anunciara investimento de R$ 1 milhão para oferecer internet 3G no estádio, conseguiu manter estabilidade no sinal.
O que será feito: a Vivo informou já ter realizado uma “primeira melhoria, mas um projeto maior será implantado”. Já a Tim prometeu “verificar oportunidades de melhoria o mais breve possível”. Até o fechamento desta edição, a Claro não havia retornado às questões de ZH.













