Grêmio e Hamburgo se reencontram 29 anos após a decisão do Mundial, em Tóquio. Convidado para o amistoso de inauguração da Arena, o clube alemão não tem mais o brilho do final dos anos 1970 e início da década de 1980.
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Infográfico: Por dentro do Hamburgo: o histórico e o futebol do time que enfrentará o Grêmio na inauguração da Arena
Há 25 anos sem títulos, o Hamburgo, do norte da Alemanha, sente a falta de um austríaco. Desde que o técnico Ernst Happel saiu, após seis temporadas — de 1981 a 1987 —, o HSV (Hamburger Sport-Verein) se limita a tímidas participações na Liga dos Campeões e na Liga Europa, e a postos intermediários na Bundesliga.
Atualmente, é o sexto colocado, com 24 pontos em 16 jogos — o líder Bayern de Munique soma 38. Nessa sexta-feira, derrotou o Hoffenheim por 2 a 0. É um Hamburgo cosmopolita: o lateral-esquerdo Zhi Gin Lam é filho de um chinês com uma alemã; Tolgay Arslan, que substitui o lesionado van der Vaart na meia, é alemão/turco.
Além deles, há o zagueiro inglês Macienne, revelado pelo Chelsea, o croata Milan Badelj, o norueguês Skjelbred, o sul-coreano Heung Min Son (da seleção de seu país) e o letão Rudnevs (também de seleção), que marcou os dois gols sobre o Hoffenheim e se tornou o artilheiro do time na Bundesliga ao lado de Son, com seis gols.
Jogadores como Westermann (o capitão e mais velho jogador do time, com 29 anos), Aogo (lateral-esquerdo que vem sendo improvisado no meio-campo), Tesche (meia reserva), Rincon (volante venezuelano reserva), o goleiro reserva Drobny e o meia-atacante Heung Min Son atuaram com o agora gremista Zé Roberto na última temporada do meia na Alemanha, em 2010/2011.
Como joga
Pelo menos três jogadores titulares não enfrentarão o Grêmio na inauguração da Arena. Marcell Jansen deslocou o ombro fazendo musculação, Van der Vaart sofreu estiramento na coxa direita, e Beister, da seleção alemã sub-21, também teve um estiramento. O croata Ivo Ilisevic está em fase final de recuperação de lesão. Voltou a treinar e talvez jogue, neste sábado, para pegar ritmo.
Semelhante à característica do melhor time da sua história (o das temporadas 1982/1983), o atual Hamburgo pressiona a saída de bola e gosta de jogar no campo de ataque, bastante adiantado, o que, por vezes, pode sobrecarregar os zagueiros Mancienne e Westermann.
O volante da seleção croata Badelj é o responsável pela saída de bola. É um dos destaques ao lado do meia Arslan e do lateral-direito Diekmeier. Arslan, por sinal, é um dos três jogadores revelados pela base do Hamburgo que deve encarar o Grêmio. Os outros dois são Zhi Gim Lam e Heung Min Son. Apesar de Son ser sul-coreano, ele está desde os 16 nas categorias de base do clube. A média de idade é de quase 24 anos.
Jornalistas alemães analisam o Hamburgo
Desde a conquista da Supercopa da Alemanha, em 1987, o Hamburgo não conquistou mais troféu algum. Coincidentemente, foi o último dos seis anos com Ernst Happel na chefia da comissão técnica. Sem tanto potencial financeiro para investir na compra de jogadores antes de vender seus jovens talentos, pena para voltar à Liga dos Campeões. E ao alto do pódio no Campeonato Alemão.
— As razões são muitas, mas a maior delas é o fato de o clube não ter um técnico à altura de Ernst Happel. Os insucessos levaram a muitas trocas. O atual treinador, Thorsten Fink, é o 21º desde Happel — aponta o jornalista alemão Lars Dobbertin, 42 anos, que desde 2010 cobre o Hamburgo pelo jornal Bild.
No comando desde 2011, Fink tem 45 anos. Começou a carreira de jogador no Borussia Dortmund e atuou de 1997 a 2006 no Bayern de Munique, onde se aposentou. Como treinador, iniciou nas categorias de base do Red Bull Salzburg, da Áustria. Foi técnico do Ingolstadt 04 e do Basel, da Suíça. No Hamburgo, seu esquema tático é o 4-2-3-1. Às vezes, o 4-4-2, como na vitória sobre o Schalke 04, por 3 a 1, há duas semanas. Fink gosta de marcação agressiva e adiantada.
Talentos como os holandeses Van der Vaart, De Jong e Boulahrouz, além de Jerome Boateng, foram revelados na última década. Destes, o único que segue no Hamburgo é Van der Vaart — fora do jogo, por lesão.
— Desde o retorno de Vaart, o Hamburgo tem mais qualidade, confiança e tem vencido alguns jogos. Ele ajuda os mais jovens e não se comporta como uma estrela — opina Dobbertin.
Outro destaque é o goleiro René Adler, convocado para a seleção alemã em novembro.
— É um cara bastante inteligente. Um líder — resume.
Para o comentarista do canal ESPN, Gerd Wenzel, o Hamburgo ainda segue muito distante daquele que conquistou a Europa nos anos 1980, seja do ponto administrativo, seja no futebol em si.
— No caso específico do Hamburgo, o que vemos hoje em dia é mais um amontoado do que um time compacto, coeso, organizado. Além disso, depende totalmente de van der Vaart — diz.
Setorista do Hamburgo desde 2000 pelo jornal Hamburger Abendblatt, Marcus Scholz lembra a mudança de esquema desde o jogo contra o Schalke 04. Mas sem a mínima chance de comparação com o time de 1983 em termos de qualidade.
— Não importava se era em casa ou fora, aquele Hamburgo atacava todo jogo. Jogavam com um líbero, cinco homens no meio e dois atacantes. A qualidade era alta na época. O técnico Ernst Happel e o diretor Günther Netzer tinham um ótimo olho para os talentos. Eles montaram um time com muitos bons jogadores. Hoje, aquele time é conhecido como o melhor da história do clube — conclui Scholz.













