O comandante08/12/2012 | 10h02

Como um "filho": Arena foi o primeiro estádio construído pelo Mestre Gonzaga

Em 810 dias de obras, profissional comandou mais de 20 mil homens que ergueram a casa tricolor

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Como um "filho": Arena foi o primeiro estádio construído pelo Mestre Gonzaga Diego Vara/Agencia RBS
Desde 2010 em Porto Alegre, Gonzaga virou gremista ao comandar a construção do novo estádio Foto: Diego Vara / Agencia RBS

O pernambucano Luiz Gonzaga de Araújo, 57 anos, olha com imenso orgulho para o "filho" de 52 metros feito de concreto, metal e vidro que nasceu no bairro Humaitá. De sorriso fácil, o experiente mestre de obras da OAS foi o encarregado de coordenar um efetivo de 3,8 mil funcionários que trabalharam na construção da Arena do Grêmio.

Há 29 anos trabalhando na empreiteira baiana responsável por erguer a nova casa gremista, o Mestre Gonzaga, como é conhecido entre os operários, constrói seu primeiro estádio. Natural de São José do Egito, a 430 km de Recife, só tinha olhos para o Santa Cruz.

Desde setembro de 2010 em Porto Alegre, Gonzaga se apaixonou pelo Grêmio. Não só pelo fato de erguer a nova morada do clube, mas também pelo modo de vida na capital gaúcha. Também começou a gostar do churrasco. Entretanto, sente falta das duas filhas que moram em Maceió, Alagoas, junto a sua esposa.

— Vou para lá a cada 21 dias. Quando tenho folga, pego avião aqui à noite, de manhã chego lá e volto no fim da tarde — conta, com o olhar fixo na Arena, como quem se apega ao trabalho para tentar minimizar a saudade da família.

E trabalho é o que não faltou nesses 810 dias de obras no canteiro do Humaitá. Nesse intervalo de tempo, 20 mil homens, no total, trabalharam sob o comando de Gonzaga, que aponta justamente a captação de mão de obra como principal dificuldade da obra.

— Por incrível que pareça, isso foi o mais complicado pela grande escassez no nosso país. A questão climática também pesava. Aqui tem mais chuva, frio. Isso impedia de trazer nordestinos para cá. Aí oferecemos várias vantagens. Se fosse só pelo salário regional, não teriam vindo — relata.

Para liderar tanta gente, o mestre se envolve totalmente. Chega às 5h da manhã e só sai às 22h. Logo às 7h coordena uma reunião de 30 minutos com os responsáveis pelas 170 equipes de trabalho para definir as metas diárias. Gonzaga conta o segredo para lidar com tal responsabilidade:

— Precisa ter postura, respeito com todos e liderança. Não é só cobrar, é saber cobrar.

Durante a cerimônia de inauguração, Mestre Gonzaga será o representante dos operários. Ao lado dos presidentes Paulo Odone, do Grêmio, e Eduardo Pinto, da Arena Porto-Alegrense, será uma das estrelas da festa de nascimento do "filho".

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