Deitado no gramado do Olímpico, às lágrimas, depois da virada contra o São Paulo, Zé Roberto vibrava na mesma sintonia dos torcedores. Considerada uma das mais importantes do ano, a vitória contra o São Paulo encheu a equipe de confiança para conquistar nesta quinta-feira, em Bogotá, a vaga para a semifinal da Copa Sul-Americana. Ontem, antes do treino, Zé Roberto atendeu Zero Hora.
Chuteira sob o braço esquerdo, ele sentou-se na recepção do hotel e falou por 25 minutos, enquanto um torcedor, ao lado, fazia questão de gravar seu depoimento com o celular.
Com contrato por se encerrar em 31 de dezembro, o meia de 38 anos garante que quer ficar, embora Santos e Cruzeiro sonhem com seu futebol. Só espera ser procurado pela nova direção.
Boa parte da vontade de permanecer é explicada pela identificação com a torcida. Passados três dias do jogo contra o São Paulo, ele ainda se emociona com os aplausos dos gremistas e dos apelos para que não vá embora.
Zero Hora - Luxemburgo disse que, contra o São Paulo, reforçou a marcação para que você tivesse liberdade de ação. Foi isso mesmo que ocorreu? Gostaria que fosse sempre assim?
Zé Roberto - Com certeza. Esta é a posição em que eu mais gosto de jogar. Foi minha posição no Santos, na segunda passagem pelo Bayern Munique. Este sistema me dá liberdade. Não precisei encostar num dos volantes deles quando perdíamos a bola. Tive liberade de pegar a bola praticamente de frente e isso me facilita muito.
ZH - De onde vem a explicação para tanto vigor físico aos 38 anos?
Zé Roberto - A genética ajuda bastante. Em quase 20 anos de carreira, nunca tive lesão grave. Mas, cuidar do corpo é prioridade para mim. Meu corpo é meu instrumento de trabalho. Cuido dele como um cantor cuida da voz.
ZH - Você sempre teve essa consciência profissional?
Zé Roberto - Adquiri quando saí pela primeira vez para a Europa, para jogar no Real Madrid (em 1997). Aprendi muito com os profisisonais de lá. O profissionalismo do Hierro me chavava muito a atenção. Era um volante espanhol, já de idade avançada, mas que jogava de forma impressionante, defendia muito e saía para o ataque. Na Portuguesa, me espelhava em Capitão (que depois jogaria no Grêmio). Era o pulmão da equipe. Sempre me espelhei em jogadores assim.
ZH - Contra o São Paulo, quando você deitou no campo no fim do jogo, foi por cansaço ou pela emoção do momento?
Zé Roberto - (Sorrindo). Vou ser sincero. Foi uma sensação que jamais tinha vivido na minha carreira. Terminar um jogo com 45 mil, 50 mil pessoas gritando teu nome, pedindo para ficar, vai ficar marcado. Era para ter vivido isso como garoto e estou vivendo no fim da minha carreira. Marca muito. Veio muita coisa na minha cabeça. O investimento que fizeram em mim, a desconfiança, a classificação para a Libertadores, tudo numa fração de segundos.
ZH - Você chorou naquele momento?
Zé Roberto - Chorei, mas como tinha câmeras por perto, coloquei a mão no rosto. Mas eu chorei, sim, foi uma emoção muito grande.
ZH - Sua família também se emocionou? Ela estava no estádio?
Zé Roberto - Como estou tratando de duas mudanças, uma que vem do Catar e outra da Alemanha, minha mulher ficou em São Paulo. Ainda não deu para ver escola para as crianças em Porto Alegre.
ZH - Você só fica no Grêmio se Luxemburgo também permanecer?
Zé Roberto - Não tem nada a ver com isso, quero deixar muito claro isso. Até porque Luxemburgo é só mais um dos muitos profissionais que já me treinaram. O positivo com ele é que, quando trabalhamos juntos, sempre fomos campeões, no Santos, Seleção Brasileira e agora aqui, onde atingimos o objetivo de chegar à Libertadores.
ZH - Sua intenção é ficar?
Zé Roberto - Minha vontade é permanecer aqui. É um grande clube, muito identificado com a torcida. Quem não gostaria de estar aqui?
ZH - Uma classificação contra o Millonarios é um passaporte para a decisão da Sul-Americana?
Zé Roberto - Temos que ir passo a passo. O primeiro já foi dado. A dificuldade vai existir. É um time muito bem treinado, que ataca bastante, eles virão com tudo. A altitude poderá afetar um pouco. O mais importante é saber que estamos num grande momento e ter confiança em nosso trabalho. E encarar o jogo como uma final.
ZH - O desgaste físico é muito grande. Haverá forças para suportar a reta final da Sul-Americana e do Brasileirão?
Zé Roberto - Espero que sim. Até agora, eu tenho terminando bem todos os jogos. Até estou estranhando um pouco, não tive férias. Só parei duas semanas após encerrar o contrato no Catar, em maio. Em junho, já me apresentei aqui. Acho que vai dar para segurar, sim. Temos um treinador experiente, que sabe o momento de tirar um e colocar outro.
COPA SUL-AMERICANA _ QUARTAS DE FINAL _ 15/11/2012
MILLONARIOS (COL) X GRÊMIO _ 22h15min
MILLONARIOS (COL): Delgado; Ochoa, Torres, Franco, Martínez; Ramírez, Otálvaro, Ortiz, Candelo; Rentería, Cosme. Técnico: Hernán Torres
GRÊMIO: Marcelo Grohe; Pará, Gilberto Silva, Werley, Anderson Pico; Fernando, Souza, Elano, Zé Roberto; Kleber, Marcelo Moreno. Técnico: Vanderlei Luxemburgo
Arbitragem: Carlos Vera, auxiliado por Luis Alvarado e Carlos Herrera (trio equatoriano)
Local: Estádio El Campín, em Bogotá, na Colômbia
O jogo no ar: O canal Fox Sports transmite ao vivo a partir das 22h. A Rádio Gaúcha abre a jornada esportiva às 21h15min. Acompanhe, minuto a minuto, em www.zerohora.com/esportes













