Para marcar a despedida do Olímpico, ZH publica estatísticas e curiosidades de jogos do Grêmio no estádio. Com apoio do pesquisador Laert Lopes, relembramos confrontos contra o adversário de amanhã, o São Paulo.
Retrospecto no Olímpico
34 jogos
18 vitórias do Grêmio
6 vitórias do São Paulo
10 empates
Primeiro jogo: 28/12/1955, Amistoso - Grêmio 2x1 São Paulo
Último jogo: 11/9/2011, Brasileirão - Grêmio 2x1 São Paulo
Maior goleada: 17/4/1983, Brasileirão - Grêmio 5x1 São Paulo
O COMEÇO DO TÍTULO

Foto: Armênio Meireles, Banco de Dados ZH
Foi no dia 30 de abril de 1981 que o Grêmio começou a ser campeão brasileiro pela primeira vez. Na partida de ida da decisão contra o São Paulo, o time comandado pelo lendário Ênio Andrade _ que já havia conquistado o Nacional pelo Inter, em 1979, de forma invicta _ ganhou de virada. Serginho Chulapa abriu o placar aos 39 minutos do primeiro tempo. Ainda na etapa inicial, o 9 gremista, Baltazar, bateu para fora um pênalti assinalado pelo árbitro Arnaldo Cézar Coelho.
No segundo tempo, empurrado por 53.388 torcedores e guiado por Paulo Isidoro, o Grêmio reagiu. O Tiziu fez os dois gols da vitória, um aos 10 minutos, desviando chute de Renato Sá, e outro aos 24, concluindo de fora da área (ajudado também por uma falha do goleiro Waldir Peres).
Ao final do jogo, perguntado pelo repórter da então TV Gaúcha (hoje RBS TV) se o título tinha ficado bem perto, Isidoro refutou:
– Não, não eu acho que o título está muito longe ainda.
Não estava, é claro: em 3 de maio, no Morumbi, o Grêmio voltou a atuar bem e ganhou de novo, por 1 a 0 _ gol de Baltazar, que, no Olímpico, ao falar sobre o pênalti perdido, havia proferido a frase que ficou famosa:
– Deus está reservando algo melhor para mim.
ELOGIOS DE ZH
A equipe de Zero Hora que cobriu Grêmio 2x1 São Paulo se desmanchou em elogios na cotação dos jogadores. A atuação do lateral-direito Uchoa foi "estupenda", Paulo Isidoro recebeu nota 10, e três atletas mereceram 9 _ Vilson Tadei, Tarciso e Renato Sá, que entrou e mudou o jogo. Baltazar saiu-se com um modesto 4.
FAIRPLAY
Uma curiosidade marca um dos primeiros duelos entre Grêmio e São Paulo no Olímpico. No amistoso de 17 de fevereiro de 1959, vencido por 1 a 0 pelos gaúchos (gol de Milton), o são-paulino Dino SANI foi expulso pelo juiz Mário Vecchio, por reclamação. Os jogadores paulistas protestaram, então, o capitão gremista, Ênio Rodrigues, solicitou ao árbitro que voltasse atrás na sua decisão, "para não prejudicar o espetáculo". Pedido feito, pedido atendido, em um inusitado caso de fairplay.
2 VEZES 4 A 0
A maior goleada no Olímpico é do Grêmio, 5 a 1, mas o São Paulo já venceu por quatro gols de diferença _ e duas vezes. A primeira goleada de 4 a 0 ocorreu em 4 de setembro de 1999, pelo Brasileirão. No dia 30 de julho de 1993, pela Copa Sul-Americana, os paulistas repetiram a dose.
POR ONDE ANDA?

Foto: Luiz Adolfo, Banco de Dados ZH
Aos 59 anos, PAULO ISIDORO segue ligado ao futebol. Hoje, possui um centro de formação de jovens jogadores em Belo Horizonte.
_ Quero é tirar os meninos da rua _ diz o meia que, trocado por Éder, chegou ao Grêmio no início de 1980 e permaneceu até 1983, saindo meses antes da decisão do Mundial no Japão.
Em 1981, ele era uma das estrelas da equipe que conquistaria o primeiro título brasileiro. No primeiro jogo, no Olímpico, fez dois gols e ganhou nota 10 na cotação de Zero Hora.
Isidoro ainda ama o Grêmio. Fã de Vanderlei Luxemburgo e da avalanche ('É a coisa mais linda que tem"), diz que irá torcer pela equipe neste domingo, contra o São Paulo.
_ Fui muito feliz aí. Diziam que, por ser muito pequeno, não iria vencer contra os jogadores gaúchos, que eram muito fortes. Mas provei o contrário _ orgulha-se.
Zero Hora _ Você ainda guarda na memória os dois gols marcados naquela noite?
Paulo Isidoro _ Do primeiro, não lembro (Renato Sá chuta de fora da área e a bola desvia em Isidoro antes de entrar). No segundo, chutei de longe, não muito forte, e a bola entrou. Todos ainda dizem que o Waldir Peres falhou.
ZH _ Como foi a reação da torcida nos gols?
Paulo Isidoro _ Foi a coisa mais fantástica do mundo. Parecia que eles estavam dentro de campo festejando conosco. Aquela cena me marcou muito.
ZH _ E hoje, vendo a avalanche que ocorre em cada gol do Grêmio, ainda fica emocionado?
Paulo Isidoro _ É a coisa mais linda que tem. Impressionante como eles são coordenados, ninguém invade o espaço do outro. Quando for a Porto Alegre, quero fazer a avalanche junto (risos).
ZH _ O Grêmio lhe abriu as portas da Seleção Brasileira?
Paulo Isidoro _ Eu já havia passado pela seleção em 1977, com Cláudio Coutinho. Depois, fiquei por dois anos fora e voltei pelas atuações no Grêmio. O clube marcou demais na minha carreira.
ZH _ Por que não ficou no clube para a decisão no Japão?
Paulo Isidoro _ Já estava há bastante tempo no clube. Surgiram propostas do Fluminense e do Santos e preferi a segunda. Não aguentava mais o frio de Porto Alegre. Precisava de um pouco de sol.













