O colunista David Coimbra deu seu pitaco sobre a vitória do Grêmio em cima da Ponte Preta nos últimos minutos, no sábado, no Olímpico. Confira:
O Grêmio foi de uma frieza assustadora no jogo contra a Ponte Preta. Não a frieza do assassino profissional, do executor que faz o que tem de fazer em qualquer situação. Não. O Grêmio foi de uma frieza de amante cansado, de ancião desiludido, de refluxo da paixão. Havia mais de 40 mil gremistas tornando o Olímpico palpitante na arquibancada e, lá embaixo, no recesso do gramado, os jogadores se comportavam como se estivessem disputando uma partida de pinogol.
Melhorou no segundo tempo, é verdade. André Lima, o autor do gol, jogou como o Guerreiro Imortal que diz ser, e Elano, ao ouvir o chamado de Luxemburgo para entrar no time, junto com o chamado da arquibancada, pulou as placas de propaganda e saiu correndo com entusiasmo e até mostrou um pouco de vontade com a bola no pé. Mas, em geral, o Grêmio foi um time de toque lateral, sem volúpia, sem ambição. Zé Roberto dominava a bola na intermediária, olhava para os lados e via um parado à direita, outro à esquerda e, na frente, dois atacantes atarraxados em meio a quatro zagueiros. Ninguém se mexia, ninguém dava opção de passe, ninguém parecia se importar. Preocupante. Será que o Grêmio ainda se importa?
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