O jornalista que perguntar a Vanderlei Luxemburgo, aqui em Bogotá, se ele teme os efeitos da altitude na partida desta quinta-feira, contra o Millonarios, receberá uma resposta seca do treinador, daquelas que não dão margem a uma réplica.
— O jogador não vai ter problema físico nenhum. A única coisa que muda é a velocidade da bola, o ritmo do jogo, muito por causa da grama rala — corta o técnico, deixando clara sua impaciência com o tema.
Na semana passada, um trato foi feito entre os integrantes da comissão técnica, no sentido de que o tema altitude não fosse supervalorizado. Todos, começando por Luxemburgo, passando pelos preparadores físicos Antônio Mello e Paulo Paixão, e chegando ao fisiologista Rafael Gobbato batem na mesma tecla: prejuízo físico, só a partir dos 3 mil metros. Em Bogotá, são cerca de 2,6 mil, situação que o organismo está preparado para suportar.
Luxemburgo chega a lembrar que, sob seu comando, os jogadores do Flamengo não tiveram dificuldades maiores mesmo em Potosí, cidade boliviana situada a 4 mil metros, onde a equipe atuou pela Libertadores de 2011. Nem mesmo tubos de oxigênio foram levados para o vestiário, para o caso de uma situação de emergência no intervalo. O Flamengo, no entanto, acabaria derrotado por 2 a 1.
— Não tem que ficar administrando situação, tem que jogar — impõe o treinador.
Já chega a três décadas a experiência do preparador físico Antônio Mello em jogos na altitude. Foram mais de 30 partidas, muitas delas em La Paz, considerado pelos jogadores o palco mais difícil acima do nível do mar. Ele reconhece que, por vezes, ocorrem casos de dor de cabeça e hiperventilação, ou seja, uma respiração um pouco mais ofegante. Mas nada além disso.
— Pintam o quadro mais feio do que ele é — resume.
Em sua avaliação, foi correta a opção de antecipar a chegada a Bogotá. Mello está convencido de que o time irá se aclimatar às condições do jogo.
No primeiro treino, realizado nesta terça, o objetivo foi "sentir" o peso da bola, com muitas conclusões a gol.
— Esse é o maior perigo. Por vezes, o chute e o cruzamento são traiçoeiros. Quando o jogador pensa que calculou bem o tempo da bola, ela parece estacionar no ar — relata o preparador.
— O time tem que entrar sem medo algum. Dei algumas dicas quanto aos chutes e aos passes longos. O importante é manter a posse de bola — diz o centroavante boliviano Marcelo Moreno, que diz ter perdido as contas de quantas vezes atuou em La Paz.









