Depois da vitória sofrida, suada, magra e no fim do jogo contra a Ponte Preta, neste sábado, no Olímpico, o técnico Vanderlei Luxemburgo era um misto de satisfação pelo resultado e crítica absoluta pela atuação. O Grêmio, de fato, não jogou bem e, principalmente no primeiro tempo, foi dominado pela Ponte Preta. Escapou, inclusive, de terminar a etapa inicial com uma derrota superior a um simples 1 a 0.
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A entrevista de Luxemburgo pode ser ressaltada em dois pontos: o primeiro, logo na primeira resposta, em que foi bem claro:
— Foi a pior atuação desde que eu estou aqui. Sem equilíbrio coletivo, individual, sem pensar, sem jogar bola. Contra um adversário muito bem treinado, tentamos resolver as coisas diferentemente daquilo que estamos acostumados a ver. Muito desfigurado. Com ceteza, foi a pior atuação sob meu comando no Grêmio.
O segundo, na segunda resposta:
— Hoje, a história do Grêmio entrou em campo. A torcida foi o centroavante da equipe. Foi aquilo que, quando vínhamos aqui (como adversário), jogávamos com um a mais e a torcida entrava em campo. Esse é o Grêmio que vínhamos aqui e tínhamos medo. Foi uma vitória da superação.
Vanderlei Luxemburgo ainda destacou — depois de ser questionado sobre as dificuldades físicas que a equipe estaria enfrentando — que, caso o Grêmio estivesse mal fisicamente, não buscaria o resultado até o final.
— Este time não está mal fisicamente. Ele está cansado devido aos muitos jogos. Se estivesse mal fisicamente, não buscaria forças para superar as dificuldades. Às vezes, se ganha com um gol de bunda — disse, bem-humorado, para exemplificar o fato de ter vencido a partida com um gol no final depois de ver o Grêmio jogar mal.
Neste sentido, o treinador complementou lembrando que perdeu um campeonato (o Carioca de 1995, quando comandava o Flamengo) com um gol de barriga, marcado por Renato Portaluppi, pelo Fluminense.
— Hoje, foi isso. Acho que fizemos tudo o que poderíamos fazer. E a torcida que pediu o Elano entrou junto com ele em campo — afirmou.
Confira os principais momentos da entrevista deste sábado de Vanderlei Luxemburgo:
Atuação ruim
"O jogo, hoje, foi horrível. O nosso time já teve grandes atuações. No nosso planejamento, correríamos risco contra o Millonarios e no jogo de hoje. Agora, temos uma semana para trabalhar a equipe e mais quatro ou cinco dias para pensar na Sul-Americana. Já jogamos grandes jogos. Temos condições de voltar a jogar. A sequência de jogos vai moldando a equipe. Poupar e tirar jogadores é muito duro. E estamos conseguindo caminhar mesmo com todas essas dificuldades."
Muitos empates
"Preferia ter ganhado três e perdido quatro do que ter empatado sete. Mas, quando não consegue ganhar, melhor empatar. Se tivéssemos ganhado três ou quatro jogos desses jogos, principalmente em casa, a situação seria outra. Mas estamos bem, em busca do nosso objetivo."
Libertadores à vista
"Quantas equipes estão fora da Libertadores? Tem muita gente com inveja da gente. Se o Grêmio entrar na primeira fase da Libertadores, tomara que eu esteja aqui para qualificar a pré-temporada, para fazer uma boa temporada seguinte. Eu quero entrar na Libertadores, depois vamos conversar como vai ser (em relação a entrar na pré ou diretamente na fase de grupos da Libertadores). E causar inveja às 17 equipes que não estão no páreo para entrar na Libertadores."
A expulsão de Julio Cesar
"É uma expulsão de um jogador que está sem ritmo. Com ritmo, não sei vai 'dentro' do cara, mas sim pega o atalho. É falta de ritmo, mas o grupo está muito bem. O Kleber queria jogar mas não pôde. No próximo, estará dentro. O Pico saiu com uma luxação, mas acho que não vai ter problema para jogar o próximo jogo."
Opinião
"A equipe jogou mal, mas teve atitude. Talvez tenha sido sofrível. Não quero entrar no mérito do que o presidente falou e nem em confronto sobre o que ele pensa. Só que acho uma equipe sem atitude não faz o que fez. Já jogamos grandes jogos. Não vejo nada de anormal (jogar mal), pois está dentro do futebol."
Conversa com a nova direção
"Não quero falar sobre isso. A pergunta existe, a resposta também existe."
Importância da folga
"Quando o Abel (Abel Braga, técnico do Fluminense) deu três dias de folga para os jogadores, foi importante. É importante ficar em casa, às vezes. Esses dois dias e meio que vamos dar vão ser importantes para que os jogadores façam algo diferente de treinar. Para fugirem do ambiente. E aí, chegarem terça-feira e se prepararem. Contra o São Paulo, será um jogo decisivo para as nossas pretensões no Brasileiro."
Estrela
"Tenho muito mais sucessos do que insucessos. Não acredito em sorte. Sorte é proveniente do trabalho. Se não trabalhar, não tem sorte, estrela, nada. Coloquei o André no jogo e já o coloquei outras vezes. Estou vendo o jogo, Às vezes, xingo, mas presto atenção em tudo o que está acontecendo. Contra o Coritiba, foi a mesma coisa (também colocou o centroavante), mas ele não fez (gol). Hoje, fez. O jogo se desenhou para isso. Com contra-golpes e eles fechados atrás."
Nervosismo
"Eu já entro nervoso. Se eu não tiver um frio na barriga e não piscar, estou fora do jogo. Fico ali, vivendo o jogo, acreditando que vai acontecer. Já ganhei e já perdi aos 47."
Brasileiro e Sul-Americana
"O regulamneto diz que, se for vice do Brasileiro, entra na segunda fase (de grupos). Se ganhar a Sul-Americana, na primeira fase (pré-Libertadores). Vou caminhar nas duas competições. Tenho mais tempo (no Brasileiro), mas não vou abrir mão da conquista. É um contrassenso. É campeão e não tem o privilégio de entrar onde é melhor. Isso confronta. Mas prefiro esse confronto. Se o Grêmio caminhar bem nas duas competições, vamos atrás. Depois, vamos ver."













