Não são conceitos sobre futebol ou projetos de trabalho que ainda impedem o acerto entre Grêmio e Vanderlei Luxemburgo. A diferença está em valores financeiros e, talvez, na duração do contrato. Para dar ao clube as maiores glórias da próxima temporada, o técnico pede uma premiação que se aproxima de R$ 9 milhões. Seriam pouco menos de R$ 4 milhões pela conquista da Libertadores e outros R$ 5 milhões pelo Mundial de Clubes, em dezembro.
- Só em salários, é coisa de R$ 10 milhões por ano. Fora premiações. São valores de José Mourinho - compara um assessor do presidente eleito Fábio Koff, ao garantir que, diferentemente do afirmado em entrevistas, Luxemburgo pediu,sim, reajuste salarial.
A comparação com os ganhos de José Mourinho obtiveram forte repercussão em Bogotá. Márcio Carmo, há 18 anos auxiliar de Luxemburgo, garantiu que o treinador não exigiu um centavo de aumento. Quanto às premiações, seriam as mesmas já acertadas quando do primeiro contrato, assinado em fevereiro. Em outras palavras, nada mudou. Só o que o treinador coloca como fato novo é um contrato com dois anos de duração, o que Koff ainda não decidiu se aceita.
- A verdade é que Luxemburgo nunca foi o treinador preferido da nova direção. Agora, como a torcida exigiu a permanência dele, ficam divulgando esses valores para jogá-lo contra a torcida - comenta um integrante da delegação.
Uma cláusula de confidencialidade impede que os valores venham à tona. É o que diz o empresário Gilmar Veloz, que, nesta terça-feira, está em São Paulo.
- Não posso falar nada, sob pena de ser penalizado. Só posso dizer que a decisão é do clube - informa.
Segundo Veloz, nenhuma outra reunião sua com o presidente Fábio Koff está agendada para esta semana. Ele também é enfático ao desmentir que a dificuldade do acordo resida em detalhes como multa rescisória.
- Vanderlei jamais colocou multa em seus contratos - diz.
Veloz também garante que, na reunião com quatro horas de duração, realizada há uma semana, Luxemburgo reiterou a intenção de permanecer pelo salário atual.
Os valores exigidos por Luxemburgo foram expostos segunda-feira por Koff ao seu Conselho de Administração. Mesmo que os números sejam considerados altos, uma fonte ligada ao presidente confia em acordo.
- Acho que será possível chegar ao meio-termo. Talvez possamos bater o martelo ainda esta semana - projeta.
A mesma fonte não revela qual teria sido o valor oferecido pela direção como prêmio pelas duas conquistas.
Em Bogotá, Luxemburgo mantém-se alheio à discussão. Afirma que seu único foco é o jogo desta quinta-feira, contra o Millonarios, pela Copa Sul-Americana.
- Entendo o problema de vocês (jornalistas) em querer novidades, mas já imaginou se eu parar para pensar nisso? Cada jogo exige uma preparaçãoa específica. Sabe quantos treinos táticos eu fiz para armar o esquema do jogo contra o São Paulo? Foram três, um deles na véspera da partida. Como terei tempo para tratar de renovação de contrato? - disse o treinador, pouco antes de reunir-se com o preparador físico Antônio Mello para projetar detalhes do treinamento da tarde, o primeiro dos dois programados para Bogotá.









