Quando acertou seu retorno ao futebol brasileiro e acabou contratado pelo Grêmio, Gilberto Silva tinha a impressão de que encontraria um Brasileirão de nível enfraquecido em relação ao que se acostumou a enfrentar em longa passagem pela Europa. O capitão gremista, porém, surpreendeu-se com a qualidade da competição e cita, inclusive, a chegada de um reforço no rival Inter para justificar os elogios ao campeonato.
— Foi melhor do que eu esperava. Quando eu cheguei, escutava falar muito da decadência do nível do futebol brasileiro, mas não é verdade. E, na medida em que vai chegando mais gente com experiência internacional – como o Forlán e o Seedorf -, isso vai dando ainda mais motivação aos clubes daqui e aos jogadores para que se animem a jogar no Brasil — disse, lembrando a transferência do uruguaio ao Beira-Rio, em entrevista ao site da FIFA.
No material publicado no site da maior entidade do futebol mundial, Gilberto também fala sobre sua participação na negociação para trazer Zé Roberto ao Grêmio. O jogador lembra que o meio-campista é mais um exemplo de que é benéfico investir em atletas de mais de 30 anos de idade.
— Fiquei muito feliz por ele ter chegado a um acordo com o Grêmio. Conversamos e eu falei para ele vir, por causa do grupo que temos, do ambiente do clube. Ele chegou e logo virou uma peça importante do time – o que não me surpreende em nada, pelo profissional que ele sempre foi. É mais um caso para mostrar que a contratação de jogadores de mais de 30 anos pode valer a pena; esses exemplos vão quebrando o receio dos clubes. É preciso acabar com essa história. Se o cara tiver profissionalismo, pode não só chegar a essa idade jogando bem como ser uma referência para o grupo — ressaltou.
Experiente e um dos líderes do grupo de jogadores, o zagueiro lembra sua função de orientar os jovens do elenco, apontando os caminhos para uma carreira de sucesso.
— Faço e faço com prazer: falo com a molecada sobre as coisas da carreira e da vida. Na medida em que as gerações passam, as coisas mudam. Primeiro, na maneira como acontece a transição da categoria de base para o profissionalismo, mas também vêm junto as mudanças do mundo. Então, se existe algo que posso fazer é servir de exemplo para que os garotos façam as escolhas certas, porque é muito fácil se perder. Muito mesmo. Você precisa saber que vai abrir mão de muita coisa de sua juventude; muita coisa que outros garotos vivem. Vejo muito a molecada ter pressa para que as coisas deem certo e, diante da primeira frustração, se perderem. Mas é preciso ter paciência e persistência — concluiu.









