O bom clima gerado pela vitória contra o São Paulo, domingo, fez com que desaparecessem por completo os tão comentados sinais de desgaste físico dos jogadores do Grêmio. Praticamente ninguém dormiu durante as quase sete horas de viagem entre Porto Alegre e Bogotá, a capital colombiana, nesta segunda-feira.
Preocupado, o supervisor Renato Schmitt providenciou três bancos para cada um dos 24 jogadores incluídos na delegação, o que lhes renderia um repouso maior do que o dos passageiros comuns.
Só que quase ninguém ficou sentado. Uma das exceções foi o centroavante boliviano Marcelo Moreno, que passou deitado todo o primeiro trecho da viagem, entre Porto Alegre e Cochabamba, localizada no centro da Bolívia. Moreno, natural de Santa Cruz de la Sierra, foi obrigado a suportar gracejos dos demais jogadores quando o avião pousou no aeroporto Jorge Wilstermann, em Cochabamba. Muitos diziam que passariam em sua casa para tomar um café.
O voo foi marcado por gargalhadas estrondosas, gritos, música alta e até por jogo de truco, em que Léo Gago cortava o baralho e distribuía as cartas.
— É o truco paranaense — ensinou o cinegrafista da RBS TV, Válquer da Rosa.
Assistido com atenção pelo técnico Vanderlei Luxemburgo e pelo executivo Paulo Pelaipe, o jogo, disputado bem no meio do avião, trancou, mais de uma vez, o serviço de bordo. Um pouco de calma só se instalava quando o comandante avisava que a aeronave passaria por alguma zona de turbulência. Nesses momentos, todos rumavam rapidamente para seus lugares.
Ao todo, foram 4,9 mil quilômetros de viagem no Boeing 737 da Boa (Boliviana de Aviación), com o avião cruzando a região amazônica e parando na Bolívia por uma hora para reabastecimento.
É provável que os efeitos do deslocamento se façam sentir apenas nesta terça-feira. É por isto que o primeiro treinamento foi marcado para o turno da tarde.













