O meu jogo inesquecível30/11/2012 | 06h31

Cláudia Tajes: o brilho do Olímpico não vai sair da gente

Em série, gremistas ilustres falam sobre momentos marcantes do Estádio Olímpico

Enviar para um amigo
Cláudia Tajes: o brilho do Olímpico não vai sair da gente Editoria de arte online/ZH
Foto: Editoria de arte online / ZH

O Gre-Nal de domingo marca o último jogo do Olímpico. Entre a inauguração, em 1954, e o clássico derradeiro, foram muitos jogos, emoções e histórias. Em série de ZH, gremistas ilustres contam jogos que marcaram suas vidas. No quarto capítulo, a história é da escritora Cláudia Tajes.

Cláudia Tajes*

Sou gremista desde que nasci, mas praticante mesmo, de ir ao Olímpico e não achar graça em nada se o time não vai bem, desde 2005. Várias coisas contribuíram para isso, além da herança familiar. A ida ao inferno da série B, confesso, ajudou. Amar na vitória é fácil, ser apaixonado na desgraça é muito mais complicado.

Lembro muito bem da vitória nos Aflitos. Era um sábado quente e eu tinha que trabalhar na agência de propaganda. Os gremistas, que não eram poucos, pararam diante da televisão, e azar dos anúncios dos clientes. Quando o Galatto defendeu o pênalti, eu e um colega que discordávamos em tudo nos abraçamos com uma fraternidade que só o futebol consegue despertar. Depois do gol do Andershow, corremos todos para a Goethe. Lá, não sei de que jeito, perdi minha carteira, meu celular e uma das havaianas que usava. Espero ter sido apenas isso que deixei no asfalto. Voltei para casa com o pé sem chinelo sangrando e a dignidade recuperada.

Depois disso, e sempre na companhi'a do meu filho, do meu irmão e do meu sobrinho, ocupei o Olímpico. São muitos os jogos de que não esqueço. Um deles, pelo Brasileirão de 2009, nem era decisivo, mas foi perfeito. Grêmio 3 x 0 Corinthians. Ronaldo Fenômeno estava em campo. Alguns dias antes, o travesti com quem o R9 tinha se envolvido em uma história toda estranha havia morrido. A torcida não perdoou e o estádio, em peso, cantava: Ro-na-ldo-vi-ú-vo! A certa altura, até o pobre do Fenômeno riu.

Grêmio e Santos pela Copa do Brasil em 12 de maio de 2010, dia do meu aniversário. O Grêmio saiu perdendo por dois gols e parecia que a minha comemoração particular estava estragada. Perguntado sobre qual seria a estratégia, o jovem e sábio Mário Fernandes resumiu: a estratégia é fazer três e virar. E o Grêmio fez, três do Borges e um do Jonas. Vi homens engravatados se atirando no chão de felicidade, vi um senhor de muita idade correndo acocorado pelo corredor das cadeiras, vivi uma das grandes emoções da minha já longa vida. Pena o Robinho ter marcado o terceiro deles enquanto a massa ainda comemorava, o que mudou as coisas na sequência da competição. Mas não tirou o brilho daquela noite.

De mudança para a Arena, mais do que nunca, para quem é gremista, vale a máxima: a gente pode sair do Olímpico, mas o Olímpico não vai sair da gente. Nosso velho estádio é como o nosso time. Imortal.

*escritora

Siga zh_gremio no Twitter

clicRBS
Nova busca - outros