Jornais, rádios, tvs e sites passaram as últimas semanas exaltando a campanha do técnico Paulo Porto à frente do São Luiz, clube que decidirá o primeiro turno do Gauchão 2013.
Todos já lembraram que Paulo Porto foi campeão pela Taça Piratini em 2012, com o Caxias, e demitido alguns jogos depois sem disputar a final do Gauchão. Muitos torcedores de times gaúchos se lembram que ele foi escolhido o melhor treinador em 2007, com o Veranópolis, e no ano seguinte, com o Inter-SM.
Mas poucos conhecem a vida do técnico em contabilidade que fez carreira de três décadas no Banco do Brasil e que trabalhou em uma construtora até se aposentar. Sim, o técnico em contabilidade se aposentou. Mas o treinador de futebol está a um convite de dar um grande salto na carreira para tentar no seleto grupo de comandantes de grandes equipes.
Paulo Porto tem 61 anos — informação que não gosta de dar por entender "que pode parecer velho". Vaidoso, o homem de cabelos grisalhos, poucas rugas, dentes cuidados por aparelho ortodôntico acorda antes das 7h. Pela manhã, come duas fatias de manga e uma de abacate, com suco e café. Pega seu carro e percorre os cerca de 800 metros que separam seu hotel do Estádio 19 de Outubro, em dois minutos. Chega sempre uma hora antes de o treino começar. Aproveita este tempo extra para cuidar dos detalhes. Paulo assiste às partidas dos adversários, monta os planos principais e alternativas, pensa na logística, vê o perfil dos atletas. Gosta de conversar individualmente com os jogadores.
Em Ijuí, este estilo é tido como o responsável pela guinada do time na Taça Piratini. Assumiu o time na terceira rodada, após um empate e uma derrota. Nos oito jogos seguintes, sete vitórias e um empate. Aproveitamento de 91%, índice capaz de fazer com que seu café seja interrompido três vezes por torcedores do São Luiz com o mesmo propósito: agradecer. O jeito cordial com que atende os moradores de Ijuí não difere muito de como trata seus jogadores. Raramente se exalta. Quase nunca grita. Gesticula, orienta, comanda. Mas não ergue a voz.
Tem auxiliares para isso. Alessandro Telles, ex-jogador do São Paulo, do Lyon-FRA e do interior gaúcho, é um deles. Parte dele a palavra mais áspera, se algum jogador precisar ouvir. Juba, por exemplo, por "excesso de dedicação" no treino, foi mandado embora mais cedo na terça-feira. Paulo só assistiu. O preparador físico Jurandir Godzicki, que também faz parte do staff, é quem fala alto para o time ter mais empenho.
— No vestiário, quem dá uns gritos sou eu, o Alessandro, o (centroavante) Gavião, o (meia) Baiano. Só muito de vez em quando o Paulo faz isso. Ele é um cara muito calmo — diz o gerente de futebol do São Luiz, Sandro Palharini.
Seu estilo conciliador já estava presente em Taquari, sua cidade natal, onde deu seus primeiros chutes. A família era toda ligada ao Pinheiros, time amador que disputava o Estadual. Habilidoso, Pretão, como Paulo era chamado, foi titular do meio campo em 16 campeonatos seguidos. Jogou até os 40 anos. Nunca enveredou para o profissional. Preferiu estudar. Fez curso técnico de Contabilidade e faculdade de Administração.
Se a formação garantiu o ganha-pão, o time da família impulsionou o sonho. Virou técnico no Taquariense, quando o clube resolveu tentar a vida no profissional.
No primeiro ano, foi técnico, preparador físico, supervisor de futebol, massagista e o que mais precisasse. A boa campanha com o jovem time abriu portas. Passou pelo Glória e chegou ao São José, de Cachoeira do Sul, onde conseguiu seu primeiro título: a Divisão de Acesso de 2002. Dali em diante, a carreira deslanchou. Fez excelentes trabalhos com Veranópolis, Inter-SM e Caxias, antes de brilhar definitivamente no São Luiz. Para explodir no Brasil, crê que falta só subir um time da terceira para a segunda divisão nacional.
O aposentado Paulo Porto, definitivamente, está só começando.
Um homem,10 mulheres
A vida de Paulo Porto é dedicada às mulheres. A 10 mulheres, especificamente. A primeira é Rosa Maria, com quem é casado há 40 anos.
— Nos conhecemos no Carnaval de 1968. Era dia 28 de fevereiro. Desde então, essa data nunca passou esquecida. Não importa onde esteja, ele sempre dá um jeito de me mandar flores, um cartão ou um telefonema especial. É muito atencioso — derrete-se a mulher.
Desta união vieram três filhas: Ana Paula, Fernanda e Rosana. E, das três filhas, seis netas: a mais velha Isadora, 13 anos, a mais jovem, Helena, dois. Além delas, completam o time feminino: Anita, Sarah, Rafaela e Melissa.













