O alagoano Willian José, 20 anos, é um dos reforços recebidos pelo auxiliar técnico Roger Machado para encorpar o time misto do Grêmio no clássico. No dia seguinte ao dramático jogo contra a LDU, no qual converteu uma das cobranças na decisão por pênaltis, embarcou para Ijuí, escala da viagem a Erechim. O centroavante tem no Gre-Nal oportunidade para mostrar que Vanderlei Luxemburgo estava certo ao indicá-lo no final de 2012, quando desvinculou-se do São Paulo.
Willian José tem na discrição uma de suas marcas. É o típico jogador cuja voz mal se ouve durante os jogos e treinos do Grêmio. O que não o impediu de virar pivô de uma briga entre pesos-pesados do São Paulo.
Foi no dia 24 de outubro, no Morumbi, durante a partida de volta contra a LDU de Loja, do Equador, pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana. Beneficiado pelo empate sem gols, que lhe garantia a classificação, o São Paulo começava a sofrer uma inesperada pressão. Ceni, então, gesticulando para a casamata, sugeriu a entrada de Cícero. Entendia que ele seria mais útil no jogo aéreo. O técnico Ney Franco optou por Willian José e deixou claro, depois do jogo, que não aceitaria interferências em seu trabalho.
– Eu sou o treinador, quem decide sou eu – avisou, mesmo que o recado tivesse como alvo uma lenda do clube.
Franco agiu por pura birra, garantem os setoristas do clube. Afinal, o mesmo treinador que contrariou Ceni ao escolher Willian José era um crítico do centroavante. Apostava em seu potencial, mas o julgava despreparado para suportar as cobranças da torcida. Previa mais "uns dois ou três anos" até o completo amadurecimento.
Contestado ou não, o fato é que Willian José soube aproveitar a chance. Nas quartas de final, fez os dois gols da vitória sobre a Universidad de Chile em Santiago. As oportunidades que ainda receberia, inclusive na final, contra o Tigre, nunca esconderam uma realidade. Nos seus dois anos pelo São Paulo, sempre precisou conviver com a sombra do ídolo Luis Fabiano.
A exceção foi no começo de 2012, quando o Fabuloso lesionou-se. Willian José terminou o Campeonato Paulista com 11 gols.
Quando o titular voltou, Willian José foi esquecido. Como as chances rarearam, via-se forçado a mostrar tudo a cada uma delas. Nervoso, desperdiçava oportunidades. Foi assim contra o Sport, pelo Brasileirão. Jogou mal, foi vaiado e teve uma surpreendente reação para alguém tão discreto.
– Não estou nem aí para a torcida – desdenhou, ao sair de campo. Pouco depois, via Twitter, pediu desculpas.
Atacante jogou com Saimon e Fernando na seleção sub-20
O começo de Willian José no futebol foi ainda guri, na base do CSA, de Maceió. Poucos lembram desse período.
– Quando nos demos por conta, ele já estava no Grêmio Prudente. E, logo depois, no São Paulo – conta o repórter Wellington Santos, da Gazeta de Alagoas.
No Grêmio Prudente, foram 19 gols em 45 jogos, cinco deles no Brasileirão de 2010. Lá, recebeu o incentivo do técnico Toninho Cecílio, hoje no Paraná Clube. Ele não teve receio em perder Tadeu, vendido ao Palmeiras, para apostar no garoto da base.
– É um dos atacantes de área de melhor finalização no futebol brasileiro. Tem grande potencial, bate com os dois pés e não é lento, apesar da estatura (1m86cm) – enumera.
Naquele mesmo ano, farejando um bom negócio, o empresário Juan Figer adquiriu seus direitos e o registrou no Deportivo Maldonado, clube de fachada do Uruguai. A negociação coincidiu com a convocação do centroavante para a seleção brasileira sub-20, campeã do Sul-Americano de 2011, no Peru. Treinada por Ney Franco, a equipe tinha Saimon, Fernando, Oscar, ex-Inter, e Neymar. Quando retornou, já era jogador do São Paulo, última escala antes de desembarcar no Grêmio.









