Viagem longa e dificuldade em conseguir ingressos para jogos na Capital fazem do Gre-Nal no Interior a única chance de muitos torcedores verem o time do coração
A última vez em que o estudante Roberto Ribas saiu de Erechim, onde vive, e se aventurou pela estrada para assistir a um clássico Gre-Nal em Porto Alegre foi há sete anos. Desde então, o torcedor colorado, que não é sócio do clube e vive longe da Capital, não teve mais chance de ver seu time no Beira-Rio, antigo ou reformado, muito menos no Olímpico.
Roberto carrega a tatuagem do Laçador com a camisa do Inter no antebraço direito, sobre o qual colocou parte do hino rio-grandense (veja na página ao lado). Ou seja, com tamanha devoção ele seria um assíduo do estádio do seu clube não fossem os preços, a distância e a dificuldade em conseguir ingresso.
O Gre-Nal deste domingo em Erechim, a 360 quilômetros e cinco horas da Capital, é a chance de o torcedor do Interior se redimir. De um raio de 32 municípios da região que circunda Erechim e de outras localidades que avançam para dentro de Santa Catarina, torcedores solitários, em grupos e em excursões, terão a oportunidade de ver o time de perto e gritar para incentivar seus jogadores.
Mateus Iores, 28 anos, mora em Erechim, mas é de Severiano de Almeida, uma cidade de 4 mil habitantes que faz divisa com Concórdia, já em Santa Catarina. Seus parentes de Ronda Alta pediram que comprasse quatro ingressos. Estava todo orgulhoso na sexta-feira depois de adquirir cinco bilhetes de arquibancada para o clássico. Ele vai junto. Não perderia a oportunidade, de outra forma não teria como ver de perto um clássico.
- A gente fica sonhando, imaginando como seria colocar os pés em um Gre-Nal, mas agora está impossível - diz Mateus, cuja meta em 2013 é fazer sua carteirinha de sócio, mesmo que dificilmente vá mudar a situação que o condena a ver apenas Gre-Nais jogados no norte do Estado.
O cônsul do Grêmio na região, Carlos José Emanuelle, acredita que grande parte do público do clássico deste domingo vem do entorno de Erechim, acrescido de muita gente de Santa Catarina e outras localidades gaúchas mais afastadas. Se até a sexta-feira mal se via na cidade bandeiras ou pessoas vestindo camisetas de seus times, o certo é que a partir deste domingo uma procissão de ônibus de excursões deve tomar as bonitas e largas ruas centrais da cidade.
- Pelo contato mantido com os consulados de outros municípios, talvez a procura pelo jogo não seja tão expressiva quanto em anos anteriores, mas, ainda assim, haverá um forte movimento - garante Carlos Emanuelle.
É bem mais barato viajar 260 quilômetros de Ijuí a Erechim do que enfrentar 360 quilômetros de Erechim a Porto Alegre. Para ir à Capital, o torcedor local desembolsa mais de R$ 300 em quase 12 horas de viagem. Há um outro problema: se o clássico for no domingo, reduzem muito as chances, porque seria duro demais para quem trabalha na segunda-feira.
No último jogo de Mateus no Beira-Rio, ele viu a vitória do Inter sobre o Atlético-MG. Viajou com os colegas de trabalho de uma fábrica de carrocerias de ônibus. Na ida, o que poderia ser cinco horas se transforma em sete. Há muitas paradas e, saindo com tempo, não existe a pressa para chegar. A questão é a volta.








