Made in China07/02/2013 | 20h10

No Lajeadense, Yang Feng vira celebridade em terra de alemães

Jogador asiático chegou a Lajeado no domingo passado para integrar o time sub-20

Enviar para um amigo
No Lajeadense, Yang Feng vira celebridade em terra de alemães Lidiane Mallmann/Especial
Jogador chinês tenta se adaptar aos costumes ocidentais Foto: Lidiane Mallmann / Especial
Vanessa Kannenberg, de Lajeado

vanessa.kannenberg@zerohora.com.br

A mais de 18 mil quilômetros da sua terra natal, um chinês de 19 anos virou celebridade em terra de imigrantes alemães. Sem saber falar alemão, nem português e monossilábico em inglês, Yang Feng chegou a Lajeado, no Vale do Taquari, no domingo passado. Mais do que novidade, o atleta é promessa do Lajeadense para o Gauchão Sub-20.

Antes de o campeonato começar, em março, o meia-atacante chinês aproveita para fazer reforço físico — já que é mais magro do que os companheiros — e tenta se adaptar aos costumes ocidentais. Ele está há poucos dias no Brasil e sequer estreou nos gramados, mas já faz sucesso entre a torcida alviazul. Em um passeio pelas ruas centrais de Lajeado com equipe da Zero Hora, o novo jogador, identificado pelos moradores pelos olhos puxados, posou para fotos e recebeu incentivo.

— Legal que tu veio jogar aqui, agora quero ver fazer gol — pediu o estudante Sérgio Bettio, 17 anos, tentando explicar o que dizia fazendo mímicas e imitando um chute a gol.

Yang Feng, chamado por muitos de Zizao (em referência ao chinês que joga no Corinthians), deu sinais de que entendeu:

— Sim, sim. Lajeadense — arranhou ele, carregando as palavras com a letra X, típico do sotaque chinês, e mostrando que já aprendeu um pouco de português.

Ao chegar no Parque Histórico Municipal, foi recebido pelo administrador do ponto turístico de Lajeado, Carlos Musskopf, 50 anos, com um questionamento típico da região:

— Hallo, wie geht es dir?

O jogador chinês não entendeu a pergunta que dizia "oi, como vai?", mas estendeu a mão e cumprimentou o senhor à sua frente, sorrindo. Depois, confidenciou que pretende fazer aula de português, mas o alemão vai deixar de lado.

Na rotina de casa para o treino e do treino para casa, o chinês teve pouco tempo para conhecer lugares, como os dois restaurantes orientais da cidade. E também ainda não se arriscou a experimentar o chimarrão, mas já degustou e aprovou o churrasco — o qual comeu aos pedaços, com as mãos, já que não se adaptou ao garfo e a faca.

No final de semana, Feng vai conhecer as praias gaúchas, um desejo expressado por ele à direção do clube. Depois, pretende aprender duas coisas das mais brasileiras: jiu-jítsu e samba.

— Eu quero trazer a minha família para conhecer o Brasil — revelou o chinês.

"Me comunicar está sendo o mais difícil"

A parte mais complicada da adaptação, segundo Yang Feng contou a ZH por meio de um tradutor online, é a comunicação fora das quatro linhas.

— Dentro do campo, tem o idioma universal do futebol, fica mais fácil. Mas fora é bem difícil.

As dificuldades são superadas, em parte, pela ajuda de um notebook que segue os passos de Feng pelo Estádio Alviazul.

— É mímica pra tudo quanto é lado. Mas tem coisas, principalmente nos treinamentos, que não tem como explicar com gestos. Por isso o Google é o salvador — explica o auxiliar de preparação física Gustavo Leão, que acrescenta:

— Ele trouxe apenas uma mala e a guarda com três cadeados, além de dormir abraçado nela. Ele ainda não confia em nós, mas estamos tentando conquistar ele aos poucos.

Com a ajuda da tecnologia, Yang Feng não está gastando milhares de reais (ou renminbi, a moeda chinesa) em ligações internacionais para manter contato com amigos e familiares. Ele usa um aplicativo do smartphone que funciona como um "walk talk", que envia mensagens de voz conectado à internet.

Relações com o mercado chinês

Yang Feng chegou a Lajeado por intermédio do empresário Ricardo Melo, que tem feito o meio de campo entre clubes chineses e brasileiros e, inclusive, foi responsável pela ida de Fábio Rochemback, ex-Grêmio, para o outro lado do mundo. Segundo Melo, o chinês deve receber quase metade do salário que ganhava no FC Shangxi Renhe.

— Mas o objetivo dele não é financeiro, ele veio pela oportunidade de jogar no país conhecido pelo melhor futebol do mundo.

E o chinês comprova isso, quando questionado, cita os jogadores que são referências para ele: Kaká e Ronaldinho. O contrato de Feng é de um ano e, embora tenha vindo para atuar na categoria júnior, a direção do Lajeadense não descarta escalá-lo para uma partida do Gauchão, no qual a equipe está invicta e ocupa a segunda posição no Grupo A.

— Já vimos que ele tem habilidade com a bola, tem bom passe e até fez gol no primeiro treino, mas falta força física para disputar um jogo pegado, como temos no futebol gaúcho — conta o gerente de futebol do Lajeadense, Luiz Fernando Hannecker.

Comentar esta matéria Comentários (0)

Esta matéria ainda não possui comentários

Veja também

clicRBS
Nova busca - outros