Há um Gre-Nal por sócios no norte do Estado. Enquanto o consulado do Grêmio contabiliza 1.233 associados espalhados por 32 municípios da região, com 451 deles apenas em Erechim, os colorados anunciam mais de mil sócios no mesmo raio de ação.
É na hora do clássico de início de ano que essas forças são comparadas, embora o que valha mesmo seja a proporção de torcida dentro do estádio. Cerca de 90% do público deste domingo no Colosso da Lagoa não é associado da Dupla e outros 10% devem assistir ao clássico pela primeira vez. Até o sistema de agências do Banco Sicredi se juntou na venda de ingressos, porque existe uma diversidade muito grande de torcedores pela região.
As promoções de vendas dos bilhetes para o clássico, aliás, começaram no final de novembro. Houve uma intensa campanha durante o Natal. Torcedores deram de presente ingressos. Os preços, é claro, eram menores. A arquibancada custava R$ 65 – já foi R$ 80 até o final da semana e, neste domingo, no estádio, custa R$ 100.
– Vendeu-se bem nas campanhas de Natal. Famílias inteiras garantiram um lugar no jogo que seria realizado mais de um mês depois – conta o presidente do Ypiranga, João Aleixo Bruschi.
O dirigente lembra que, à época, a previsão era de Gre-Nal com os dois times titulares, daí porque foi definida uma progressão da tabela de preços, até se tornar salgada para quando chegasse o dia do jogo. Agora, perto da hora do clássico, as reclamações surgem dos dois lados. Mesmo os sócios do Inter com direito a pagar metade do valor se queixam dos preços. São alguns dos torcedores das confrarias locais a maior prova disso. Ainda que apaixonados, não aparecerão no estádio.
Membros do Grupo de Gremistas de Erechim, que mantém uma sala no centro da cidade com um bar e uma televisão de 46 polegadas para assistir jogos de Porto Alegre e do país, desta vez ocuparão o local para ver o Gre-Nal.
- Eles preferem confraternizar com outros torcedores em um local que pertence ao associado do Grupo de Gremistas – explica Carlos Emanuelle, cônsul do Grêmio na região.
Na sala é possível colocar 60 enlouquecidos torcedores para ver os jogos do seu time. Cada um paga R$ 15 por mês, com direito a participar das atividades como jantares, churrascadas e, é claro, assistir a jogos acomodados em cadeiras.
O mesmo se dá na Confraria do Inter, um prédio maior que recebe as visitas de antigos jogadores do clube. Também ali são realizados encontros de confraternização, jantares e, em dias de jogo, torna-se a casa de colorados. Mesmo que Leandro Damião, Forlán e D’Alessandro estejam correndo no gramado a um quilômetro dali, há gente que preferirá permanecer à frente da televisão.
Portanto, não é apenas o time reserva do Grêmio que freou o ânimo dos gremistas. Ainda assim, o presidente Bruschi sugeriu esta semana ao presidente Giovanni Luigi a realização de mais jogos do Inter em Erechim. Aproveitaria as obras do Beira-Rio e dividiria com Caxias a condição de casa do clube.
Luigi ficou de pensar.












