Dunga não é dado a meias palavras ou acomodações políticas. Na entrevista coletiva concedida nesta terça-feira, no CT Parque Gigante, o treinador deu a entender que seu modo de trabalhar gera um pequeno desconforto em alguns setores do clube. Seu discurso também foi forte ao lembrar que os jovens precisam mostrar dedicação e vontade para permanecer no Inter.
— Estou conhecendo o Inter mais internamente, conhecendo as pessoas que trabalham aqui. Como passaram vários treinadores e várias formas de trabalhar, agora eu tenho que implantar a forma que o meu grupo quer trabalhar — disse, para depois completar:
— As pessoas não estão acostumadas com esse ritmo de trabalhar, com as coisas muito claras e muito rápidas. Às vezes, estão há 10, 15 anos no clube, acabam se tornando um pouco donos da verdade, donos daquele espaço. Aqui não tem dono do espaço, todo mundo tem que produzir (Dunga refere-se a questões práticas de vestiário, como relatórios e informações de todo o tipo a respeito dos jogadores).
Formado nas categorias de base do clube, Dunga lembrou seu início de carreira para destacar a postura que os jovens precisam ter.
— Eu já fui jovem e sei o quanto é importante ter uma oportunidade. Ele tem que querer, tem que buscar o seu espaço. Hoje (terça-feira), veio jogador com dor e o cara acabou treinando mesmo assim. O jogador tem que querer participar aqui, querer buscar realmente um lugar — afirmou.
A dedicação para atuar, segundo o treinador, é algo que faz parte da história do clube:
— A gente espera de um jovem energia, correr, vibração. Eu não espero que ele seja o dono do time. Espero que ele tenha a vontade de permanecer no time principal. Desde que eu conheço o Inter, jogador tem que ter vibração aqui. Jogador que por qualquer problema está fora, não tem lugar aqui.
Confira outros trechos da entrevista de Dunga:
Sem confronto físico:
"O futebol se tornou um jogo rápido e de velocidade. Você tem que usar a força somente na hora de roubar a bola, de resto não tem que ir para o confronto físico. Quanto mais tiver pronto para partir para a velocidade, sem o choque, facilita para quem está atacando".
Reforços:
"Um grupo de futebol nunca está fechado. O Inter sempre está muito atento ao mercado. Primeiro, temos que ver os jogadores que estão aqui, dar oportunidade para eles. Eu via muitos jogadores de longe, mas tem que ver eles de perto. A avaliação do meu grupo é um pouco diferente de muitas pessoas. Tem que avaliar jogador por jogador, como ele dribla, como marca, como rouba a bola. Nossa avaliação é bem mais criteriosa".
Fred como segundo volante
"O Fred foi bem, como os demais jogadores. Já jogou nessa posição. Ano passado, quando ele jogava mais na frente, diziam que ele era segundo homem. Agora, que eu coloquei ele ali, perguntam por que não joga de terceiro homem".
Formação repetida:
"Nós reclamamos de falta de tempo para trabalhar, então tem que repetir o time e repetir. Com o decorrer do tempo, vai encaixando as melhores peças. Ainda falta o Ygor, que está em recuperação, e o Juan também".













