O São José venceu os quatro jogos que disputou no Gauchão. São seis gols marcados e nenhum sofrido. Comandante do time de melhor campanha até agora no Estadual, o técnico Agenor Piccinin destacou a união e a força coletiva do grupo. Natural de Concórdia, o treinador passou por diversos clubes de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul e tem, como maior conquista, o título catarinense de 2007 pela Chapecoense. O planejamento durante a pré-temporada e a participação na Copa Centenário ao invés da disputa de amistosos são, para o técnico, os principais fatores da campanha.
O próximo desafio é o mais complicado até agora. Na quarta-feira, às 19h30min, o São José visita o Grêmio, com seus titulares, no Olímpico. Piccinin admitiu a diferença técnica entre os times, mas garante: surpreender o dono da casa não é impossível.
Zero Hora _ O que leva o São José a boa campanha no Gauchão?
Agenor Piccinin _ Fizemos um planejamento. Nós queríamos sete pontos em três jogos e tentar manter os 100% em casa. Conseguimos aquela vitória contra o Novo Hamburgo fora de casa, que melhorou nossa condição. É um trabalho que nós planejamos, o grupo todo comprou a ideia, é um grupo novo, que também quer algo a mais dentro do futebol. Eles sabem que o futebol gaúcho é uma vitrine para isso. Não é uma equipe de espetáculo, mas é uma equipe eficiente, trabalha bem a parte física. Teve a Copa Centenário, que nos ajudou em nível de competição, não de amistosos.
ZH _ Qual o segredo dos 100% de aproveitamento?
Agenor _ Planejamento e trabalho. Nós não trabalhamos apenas a parte tática, parte física, parte técnica. Nós temos trabalhado a concentração na dificuldade que é jogar o Gauchão. Todo mundo está se entregando. A bola às vezes poderia entrar em favor do adversário e, como o grupo está fechado, está unido, acaba não acontecendo. Nós acabamos fazendo 1 a 0, 2 a 0, como tem sido.
ZH _ Quais são as características principais do time?
Agenor _ É o conjunto de equipe. É um grupo que associa a parte técnica com a força física. É um time que marca muito, tem uma marcação muito forte sem ser violento. Temos uma pegada boa. Isso na competição é importante porque os adversários não tem aquele conjunto de equipe ainda.
ZH _ Como será enfrentar o time titular do Grêmio no Olímpico?
Agenor _ Nós temos que ter a consciência que a diferença é muito grande entre São José e Grêmio. Agora, nada impede de nós tentarmos surpreender lá. O Grêmio vem em uma situação que não favorece em função de ter jogado como time B e tem a necessidade dos resultados. Nós vamos respeitar o Grêmio, mas sabemos que temos condições de surpreender, por que não?
ZH _ Como é trabalhar com a pressão do alto número de demissões entre os técnicos do Gauchão?
Agenor _ O profissional que comanda, quando é contratado, tem que ter 100% de confiança na diretoria. Se houver alguma divisão, isso facilita a demissão, acaba sendo uma oportunidade para tirar. Quando ele vem para o clube, tem que vir com o crédito de todos, senão facilita a saída. Tem que ter um pouco mais de profissionalismo com o técnico, afinal de contas ele é o responsável direto pelos resultados, tanto positivo como negativo. Agora, com três rodadas, um campeonato que se faz uma pré-temporada de 40 dias, com um grupo novo, há um risco maior de errar. E você resolve isso com demissão? Falta um pouco de respeito com o profissional que faz parte dessa área. Nós dependemos do atleta. Se o atleta não tiver a consciência que tem que se doar, não vai ter o resultado e sobra para quem comanda. O ideal é fazer uma análise mais profunda para ver onde está o erro, não o culpado diretamente por cultura.













