10 pontos para 201308/01/2013 | 19h01

Souto de Moura projeta temporada do Inter: "Fazer mais com menos"

Em entrevista a ZH, diretor de futebol admite que clube sofre com limitação orçamentária

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Souto de Moura projeta temporada do Inter: "Fazer mais com menos" Mauro Vieira/
Souto de Moura assegura que Inter pode fazer sacrifícios para reforçar o time Foto: Mauro Vieira

O início de ano do Inter tem sido marcado por saídas, e não por contratações. Desde o final de 2012, já deixaram o clube Nei, Bolívar, Edson Ratinho, Renan, Guiñazu e Dagoberto. E nenhum jogador foi contratado. A torcida está apreensiva. Zero Hora entrevistou o diretor de futebol Luís César Souto de Moura, o principal dirigente do clube na pré-temporada de Gramado. Em quase uma hora de conversa, com goles de café em um dos salões do Hotel Serrano, o cirurgião admitiu que o clube sofre com uma limitação orçamentária para a temporada, mas assegurou que sacrifícios poderão ser feitos para encorpar o time. Souto de Moura entende que 2013 precisa ser o ano da retomada das grandes conquistas do clube. Teme que a venda de um grande jogador na temporada seja inevitável e se mostra entuisiasmado com o começo de trabalho de Dunga.

A seguir, os principais pontos da entrevista:

1. Há recursos para contratações?
"Temos um orçamento mais restritivo do que nos últimos cinco anos. O fechamento do Beira-Rio para as obras provocou isso, não há o que fazer. Um exemplo: somente em placas de publicidade, deixaremos de arrecadar R$ 3 milhões na temporada. A previsão orçamentária do clube é de R$ 170 milhões e o futebol responde por 70% dela, mas, ainda assim, este ano, o lema será: fazer mais com menos. Vamos recompor a estrutura do grupo, com negócios possíveis, face às saídas. Mesmo com esse ajuste orçamentário, se surgir a oportunidade de um grande negócio, poderemos fazer um sacrifício maior."

2. Uma grande venda
"Como diretor de futebol, acho que temos de tentar fugir da venda de um grande jogador em 2013, mas admito que é muito difícil. O presidente Giovanni Luigi já conseguiu um feito, que foi segurar o Leandro Damião todo esse tempo. Nos últimos dias, recebemos uma sondagem de empresários pelo Damião. Apenas isso e não houve qualquer evolução. Não recebemos nada oficial de clube algum."

3. A rescisão de Guiñazu abre precedente para que outros ídolos saiam da mesma forma, sem que o clube lucre?
"Ele não saiu de graça. Na rescisão, o clube antecipou o "não ganhar nada" de daqui a dois anos, quando Guiñazu encerraria o contrato aos 36 anos. A saída foi antecipada, na verdade, a pedido dele, que alegou questões pessoais. O clube deixou de pagar os salários e demais encargos dele pelos próximos dois anos, por exemplo. Houve um benefício financeiro para o Inter. E não é um precedente porque, se não me engano, Luiz Alberto (zagueiro, liberado pelo Inter em 2003) havia rescindido lá atrás também."
  
4. Dagoberto
"Decidimos negociar o Dagoberto, porque temos seis atacantes no grupo e contrataremos mais um atacante de velocidade."

5. Dunga
"Ele aporta conhecimento de futebol, bagagem pessoal e uma grande variedade de experiências de vida. Não teve facilidades na vida de jogador e é uma pessoa que jamais se deixa abater. E ele traz tudo isso para o futebol. Estou bem impressionado com ele. Dunga é um profissional de ideias muito avançadas. Acreditamos muito nele, conhece bem o ambiente do futebol e sabe lidar com um grupo de atletas."

6. Corinthians imbatível?
"Não acredito em time imbatível. Corinthians e Flamengo têm uma situação superior de orçamento, mas isso não garante uma gestão qualificada de resultados nem um trabalho vencedor. Tem clube que se atrapalha com dinheiro."

7. Inter unido?
"Não vejo a união do clube. Giovanni Luigi não poderá mais ser reeleito, assim, a movimentação para a sua sucessão já está começando. Aconteceu o mesmo no último mandato do Vitorio Piffero, quando ele não poderia mais concorrer à presidência. E essa falta de união traz desgaste político e administrativo, mas não prejudicará o futebol porque ele está blindado."

8. Pressão por reforços
"Como médico, sou cirurgião. E um cirurgião é treinado para aguentar a pressão. Sei que há a ansiedade da torcida e lido muito bem com isso. Há coisas que o torcedor não sabe, mas que a direção está tratando. Aquilo que parece não ter lógica, alguma lógica tem. Lógica e estratégia. Por vezes, é preciso recuar. Por um volante de nível médio foi pedido R$ 6 milhões para um contrato de quatro anos. Dissemos não na mesma hora."

9. Time forte para vencer o Brasileirão
"Teremos um time competitivo, em condições de disputar para vencer o Gauchão, a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro. Não estou preocupado que no momento estejam saindo mais jogadores do que chegando. No momento certo, teremos um time competitivo, mas ainda é muito cedo para gerarmos expectativas no torcedor sobre como será o nosso desempenho no ano. Preciso ver o trabalho em campo para saber ao que vamos aspirar. Vencer o Brasileirão é uma ambição pessoal, gostaria muito de colaborar com o clube para a conquista de um título como esse."
 
10. Voltar à Libertadores
"Em 2003, a meta da direção era voltar ao cenário internacional. Agora, ocorre o mesmo. Era muito importante que o clube criasse uma cultura de competições internacionais, como acabamos conseguindo a partir daquele ano, com a participação na Sul-Americana. Precisamos retomar a tradição vitoriosa do Inter. Me parece que a frustração por 2010 (a derrota para o Mazembe, na semifinal do Mundial) marcou profundamente o clube. É a minha intuição, acho que foi isso que ocorreu nos últimos dois anos."

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